domingo, 27 de outubro de 2013

"As Aventuras de Miss Getrudes - In Freiburg"



4º Episódio
"O Novo Restaurante"


-Olá meninos! Olá Gertrudes! O que vai ser hoje? – Perguntou Ofélia, a proprietária do velho e antigo café «Chef».
            -Olá Ofélia! – Disseram as crianças.
            -Olá Ofélia! É o costume! Sete refrescos de laranja. – Disse Gertrudes para Ofélia, que era uma das suas velhas amigas de infância com quem ainda mantinha contacto. É uma forte união, porque sempre que uma necessita de auxílio, está sempre a outra pronta para ajudar.
            -Está bem. Já devia estar á espera que viessem tomar um refresco de laranja! – Disse Ofélia a sorrir. Era uma mulher já idosa da idade de Gertrudes, de estatura baixa e algo roliça. Hoje vestia uma saia e casaco de tweed de cor azulada com um avental a cobri-lo.
            -Pois. O refresco de laranja do teu estabelecimento é o melhor de toda a cidade! – Disse Gertrudes.
            -Obrigada Gertrudes! É uma receita que acompanha este negócio familiar á várias gerações. Segue á risca a antiga receita, e é feito com os melhores ingredientes! Sem duvida que o refresco de laranja é o ícone deste café! Sempre o foi e sempre será… - Disse Ofélia.
            -É verdade. Lembro-me de quando era pequena, os meus pais traziam-me cá para tomar o refresco. Bons tempos que eram… - Recordou Gertrudes.
            -É sim senhora. Vou buscar os refrescos. Já volto! – Disse prontamente Ofélia. Pouco tempo depois voltou ela com um tabuleiro e os refrescos.
            -Meninos! Venham tomar o refresco de laranja! – Disse Gertrudes para as crianças que estavam a brincar á apanhada ao lado do café.
            -Sim avó? – Perguntou Roberto.
            -Venham tomar o refresco. Onde é que está o júnior? – Perguntou Gertrudes.
            -Está ali deitado á porta da casa das irmãs Encanto. – Disse Roberto, e no momento que ele disse isso a porta das irmãs Encanto abriu.
            -Ah! Mas que raio faz este cão aqui! Sai daqui bicho! Sai daqui! – Disse Glória, a irmã mais baixa e mais roliça das três irmãs Encanto.
            -Sai! Sai! – Gritavam as outras duas irmãs.
            -És muito feio! Vê onde pões o teu bicho Gertrudes! Eu sou alérgica. – Disse Glória.
            -Pois é! A minha irmã é alérgica! – Disse a Gracinda, uma das três irmãs Encanto.
            -É verdade! – Disse Graça.
            -Anda aqui júnior, anda aqui. – Disse Gertrudes ignorando as irmãs, e o cão foi para ao lado dela.
E apenas por maldade, para assustar as irmãs o Roberto disse.
            -Sabem, o júnior tem pulgas perigosas! A quem ferrar as pessoas começam a ficar doidas, e podem mesmo chegar á loucura e ir parar ao manicómio. – Disse Roberto.
            -A sério? E como é que vocês não ficam contagiados? – Perguntou Gloria ironicamente.
            -Nós já toma-mos a vacina contra as pulgas do júnior. Aconselho-vos a ir rapidamente tomar a vacina á farmácia! Acho que ainda deve haver três! É que os efeitos secundários aparecem rapidamente!
            -A…a…a sério? – Perguntou Gloria assustada.
            -Sim. – Disse roberto.
            -Ahhhhhh... Ah… AH… – Gritavam as três irmãs enquanto corriam para a farmácia mais próxima.
            -Ahahah. – Riam-se as crianças.
            -Roberto, foste muito mau. As irmãs acreditaram-se mesmo! – Disse Gertrudes.
            -Elas estavam mesmo a pedi-las. Foi bem feito para as irmãs Encanto! – Disse Roberto enquanto a Ofélia se ria do que ele acabou de fazer.
            -Mas elas acreditaram no que disseste! Coitado do farmacêutico! Agora está a ouvir três irmãs malucas. – Disse Gertrudes.
            -Foi divertido! Puseram as irmãs num estado de histeria! – Disse a Ofélia.
            -Ahahahah… - Riam-se todos até que foram interrompidos por uma carrinha de megafones que ecoava por toda a praça. «Grande abertura do café Rose! Venha e delicia-se com o fabuloso bolo da casa feito á risca segundo uma antiga receita familiar. Encontra-se situado na rua norte número doze.»
            -Parece que vai abrir um novo estabelecimento aqui na cidade! – Disse Ofélia.
            -Mais concorrência para ti! – Disse Gertrudes para a Ofélia.
            -Oh… Não me preocupa. Os meus clientes são sempre leais! Ah imensos cafés espalhados por toda cidade e eu tenho sempre a esplanada a abarrotar! Não tenho motivo de preocupação. – Admitiu Ofélia.
            -Sim, tens razão. Meninos vamos? – Perguntou Gertrudes para as crianças.
            -Vamos avó. – Disseram as crianças.
            -Adeus Ofélia. Vemo-nos amanha! – Disse Gertrudes.
            -Adeus Ofélia. – Disseram as crianças, e em seguida encaminharam-se para o velho Volkswagen carocha.
            -Ai meninos! Vocês assustaram mesmo as irmãs! – Disse Gertrudes já dentro do carro a caminho para casa.
            -Elas chamaram feio ao júnior avó! – Disse a Daisy enquanto coçava a cabeça do cão de Gertrudes.
            -Sim, é verdade. Mas elas agora devem andar feitas baratas tontas á procura de um remédio que não existe! Muito menos o facto de o júnior ter pulgas! Eu lavo-o de dois em dois dias! E hoje é o dia de dar banho ao júnior. Crianças, quando chegar-mos a casa vamos dar banho ao júnior!
            -Está bem avó! – Disseram as crianças todas contentes enquanto o cão abanava a cauda. E em pouco tempo chegaram á pequena casa de Gertrudes que se encontrava na entrada da pequena cidade de freibur.
            -Vamos lá meninos, vamos para o jardim das traseiras para darmos banho ao Júnior! – Disse Gertrudes e depois ela foi a dentro de casa buscar uma esponja e champô, e as crianças encaminharam-se directamente para as traseiras da casa.
            -Pronto meninos! Já podemos iniciar a operação limpeza! Já tenho aqui as esponjas e o champô! – Disse Gertrudes quando chegou ao jardim das traseiras e entregou uma esponja a cada criança.
            -A água avó? - Perguntou a pequena Daisy.
            -É da mangueira, vou busca-la. – E Gertrudes foi buscar a mangueira e molhou o cão que estava todo satisfeito.
            -Meninos! Já podem começar a lavar com as esponjas! O júnior já está molhado!
            -Viva! – Gritaram as crianças, e começaram a esfregar o cão com as esponjas e o champô.
            -Júnior, pareces um boneco de neve! – Disse roberto quando reparou que o cão estava todo branco de vido á espuma, e depois todos começaram-se a rir.
            -Meninos, o júnior já está bem lavado, agora vou molha-lo outra vez para sair o champô! Desviem-se para não ficar molhados. - Disse Gertrudes, e em seguida as crianças obedeceram e Gertrudes começou a molhar novamente o cão que estava a ficar novamente encharcado. Ao passar ao lado da casa de Gertrudes, estavam a passear numa bicicleta de três lugares, três velhotas que foram espreitar o que Gertrudes andava a fazer.
            -Olhem manas! Hoje não podemos mandar a Gertrudes ir dar banho ao cão! Ela já o está a fazer! – Disse Gloria para as outras duas irmãs, e as três começaram a rir-se.
            -O que as traz cá? – Disse Gertrudes para as três velhotas que se encontravam no jardim das traseiras da casa de Gertrudes.
            -Andamos a passear. E ó Gertrudes? Tu é que estas a dar banho ao cão, ou é o cão que está a dar banho a ti? – Disse Gloria enquanto olhava para Gertrudes que estava um pouco molhada. Gertrudes ignorou o comentário e foi desligar a mangueira, e júnior encaminhou-se para a beira das irmãs encanto e começou a abanar e a sacudir a água que tinha, e as irmãs ficaram todas encharcadas.
            -Ahhhhahahha! – Gritavam as três irmãs enquanto ficavam todas encharcadas.
            -Ah! Seu malandro! – Gritou Gloria toda encharcada desde a ponta do seu chapéu até á ponta dos sapatos.
            -Seu rafeiro! – Gritou Gracinda.
            -Pulguento! – Gritou a Graça.
            -Afinal foi o cão que deu banho às irmãs! – Disse Roberto, e as crianças e Gertrudes começaram a rir-se.
            -Sua criança mal-educada! – Gritou Gloria.
            -Au, au! – Começou a ladrar o cão.
            -Vamos manas, vamos embora! Nós não nos damos com esta gentinha! Hum! – Disse Gloria, e ela e as outras duas irmãs saíram do jardim de Gertrudes com um ar de grande superioridade, e encaminharam-se para a sua bicicleta de três pessoas. E todas encharcadas começaram a pedalar.
            -Au, au, au! – Começou a ladrar o júnior e a correr atrás da bicicleta das irmãs Encanto, e elas começaram a gritar e a pedalar mais rápido.
            -AH! AH! Sai daqui bicho! Sai! – Gritavam as três irmãs histéricas que iam a pedalar a toda a velocidade.
            -Anda aqui júnior! – Ordenou Gertrudes, e o cão voltou enquanto as irmãs fugiam o mais rápido possível.
            -Ahahaha! – riam-se as crianças.
            -Júnior! Foste um cão muito mau! – Disse Gertrudes para o cão. E ele anuiu.
            -Foi nada avó! As irmãs estavam a pedi-las! – Disse Jorge.
            -As irmãs ficaram todas encharcadas! – Disse Carlos.
            -É bem feita! Mas temos de ver a parte boa. Ao menos elas já tomaram banho hoje! – Disse Roberto, e todos começaram a rir-se incluindo Gertrudes.
            -Vamos meninos. Vamos lanchar alguma coisa! – disse Gertrudes, e todos obedeceram prontamente. Os três rapazes e as três raparigas seguiram Gertrudes para dentro de casa, e ela preparou um lanche para todos. Uma sandes, um sumo natural e por fim uma fruta.
            -Meninos, ide agora brincar um pouco que daqui a um tempo eu tenho de vos levar a casa! Já não falta muito para o jantar! Eu agora vou preparar o meu quarto para a noite. Depois já sabem. – Disse Gertrudes, e as crianças foram brincar. Depois ela foi para o quarto e preparou-o para a noite. Abriu a cama, acendeu o candeeiro pequeno, pegou no livro que agora andava a ler e depois preparou o cesto onde o júnior costuma dormir.
            -Anda júnior! A tua comida está pronta! – Disse Gertrudes e deitou a comida de cão no comedor do júnior.
– Bem, olha para as horas! Tenho de levar as crianças a casa porque os pais á devem estar á espera! – Disse Gertrudes quando olhou para o relógio da sala, e saiu de casa.
            -Meninos! Venham, temos de ir! – Disse Gertrudes.
            -Já avó? – Perguntou a Daisy.
            -Sim. Os vossos pais já devem estar á vossa espera! Venham para o carro! – Disse Gertrudes, e todas as crianças foram para o carro. Todos gostavam de andar no velho carro de Gertrudes, porque alem de ser um carro antigo é um carro que já tem muitas histórias. Já correu atrás de muitos ladrões, e após estes anos todos o carro continua a funcionar.
            -Pronto Roberto. Chegamos á tua casa! Até amanha. Vemo-nos todos depois da escola! – Disse Gertrudes.
            -Adeus Roberto! – Disseram as outras crianças.
            -Adeus avó. Até amanha, vemo-nos na escola! – Disse Roberto e saiu do carro e foi para casa. E Gertrudes depois continuou o mesmo, e ia deixando um a um em casa. Até que por fim de acabar de levar todas as crianças a casa, ela encaminhou-se para a dela para poder descansar para o novo dia que vinha.



II


            -Au! Au! – Ladrava o júnior.
            -Ai júnior! Já te vou por comida. Mas primeiro deixa eu sair da cama. Agora posso dormir um pouquinho mais, as crianças agora estão na escola, e de manha tenho um tempinho para poder descansar um pouco mais. – Disse Gertrudes, além de serem apenas sete e meia da manha, pois no período de férias Gertrudes apenas acorda meia hora mais cedo, ou seja às sete em ponto. Saiu da cama e depois toda a rotina matinal, tomar banho, vestir, lavar os dentes, por a comida para o júnior e depois preparar o pequeno-almoço. Enquanto a Gertrudes preparava uns croissants para o pequeno e um café, a campainha da casa tocou. – Trim, trim.
            -Já vou, já vou! - Disse Gertrudes e abriu a porta.
            -Bom dia comissário! O que o traz por cá? – Perguntou Gertrudes ironicamente sabendo bem o que o comissário pretendia.
            -Beem, eu estava a passar por aqui, e ainda não…
            -Ainda não tomou o pequeno-almoço? É isso? – Questionou a velhota.
            -Sim. – Admitiu o comissário.
            -Está bem. Entre. – Disse Gertrudes, e o comissário entrou e encaminhou-se directamente para a cozinha.
            -Espere um pouco, vou lhe por um prato para o pequeno almoço. Hoje é café com croissants, espero que goste! – Disse Gertrudes.
            -Sim. Gosto muito. – Disse o comissário, e mal a Gertrudes colocou um prato central com três croissants, o comissário serviu-se logo de dois, e Gertrudes pegou logo a seguir no que sobrava antes que fica-se sem comer nenhum.
            -Então comissário. Não tem novidades? – Perguntou Gertrudes.
            -Infelizmente tenho de admitir que não. Já á umas boas semanas que não ocorre nada de interessante. Nada de assaltos, contrabandos… Nada. Desde que as aulas começaram pode-se dizer que não á nada que fazer no posto da policia.
            -Hum, estou a ver. Podemos dizer que a cidade está segura, e não á nada para eu me preocupar. Se assim os dias continuarem, a vida vai ser uma monotonia! – disse Gertrudes.
            -Deixe lá. Vai ver que daqui a pouco já terá alguma coisa com o que se entreter. – Disse o comissário.
            -Pois. Daqui a pouco vou fazer umas compras na mercearia, e depois vou tomar um refresco ali ao café da Ofélia. Actualmente vou tomar todos os dias antes do almoço um refresco lá ao café, e todos os dias está cheio de pessoas! – Disse Gertrudes.
            -É verdade. Enquanto não chega o Outono e o Inverno, o café está sempre a transbordar de gente. Mas todos os anos é assim! Já não é de estranhar.
            -É verdade. – concordou Gertrudes com a afirmação do comissário.
            -Bem, tenho de ir. Obrigado Gertrudes pelo café e pelos croissants. – Agradeceu o comissário depois de ter terminado o pequeno-almoço e se ter levantado da mesa da cozinha de Gertrudes.
            -Adeus comissário. – Despediu-se Gertrudes do comissário Alberto, e depois ele foi no seu carro para a cidade.
            -Bem, agora vou arrumar isto Júnior. Mas que grande apetite tem o comissário, não concordas júnior? – Perguntou Gertrudes, e o cão ladrou em concordância.
Depois de Gertrudes ter arrumado a cozinha, ela juntamente com o júnior, saíram de casa. Gertrudes, podia-se dizer que era o tipo de velha não caseira. Gostava muito de estar pela cidade a passear, em vez de estar em casa a tricotar o dia todo como as velhotas suas contemporâneas. Não, ela não era desse tipo de idosa, ela queria antes ver as vistas e saber coisas. Gostava muito de saber de tudo.
Ela e o júnior, foram á mercearia e compraram alguns legumes, e depois de fazerem as compras e as colocarem no porta bagagens do carro dirigiram-se para a praça do coreto, onde se encontrava o velho café da Ofélia.
            -Hum, que estranho. Não está ninguém na esplanada do café! Será que hoje está fechado? Mas se hoje estivesse fechado a Ofélia teria me dito! Que estranho… - Disse Gertrudes, enquanto ela e o júnior olhavam para o café da Ofélia que hoje não se via viva alma na esplanada. Mas Gertrudes foi ao café na mesma para se certificar se de facto estava mesmo fechado, ou se tinha algum aviso. Quando ela por fim chegou á esplanada do café, reparou que afinal estava aberto.
            -Hum, que estranho… Anda Júnior, vamos lá dentro! – disse Gertrudes e foram para o interior do café. Quando lá entraram, encontrava-se assentada tristemente numa mesa do fundo a Ofélia. E Gertrudes encaminhou-se em direcção a ela.
            -Olá Ofélia. O que é que se passa? – Perguntou Gertrudes.
            -Olá Gertrudes. Eu não sei o que aconteceu. O que sei é que ontem tinha o café a abarrotar de gente, e hoje está as moscas! Não sei o que fazer! Se isto for para continuar vou ter de fechar… - Disse Ofélia tristemente.
            -Mas porque é que hoje não tens clientes? O que se passou? – Perguntou Gertrudes curiosamente.
            -Foi após a abertura do café Rose. Agora toda gente vai para lá, comer um bolo qualquer, que é a especialidade da casa. O que sei é que desde que esse estabelecimento abriu eu deixei de ter um único cliente!
            -Tenho de investigar! Esse bolo tem de se muito bom para deixares de ter os clientes que tinhas! E deve haver mais alguma coisa… - Disse Gertrudes.
            -Obrigada Gertrudes, obrigada. Salva o meu estabelecimento ou  não sei o que será do meu negócio daqui para a frente! – Disse Ofélia esperançada.
            -De nada Ofélia, eu farei o que poder! – Disse Gertrudes, e saiu do café de Ofélia, e dirigiu-se para o carro.
            -Bom júnior, vamos agora levar as compras a casa, e depois vamos ao novo café para ver que tem esse bolo de especial para que a Ofélia deixe de ter um único cliente. – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para casa onde deixou as compras, e depois seguiu rumo para o novo café. Quando lá chegou, descobriu que era bastante difícil conseguir arranjar lugar para estacionar. Por fim encontrou um lugar. O café encontrava-se num espaço que em tempos fora uma loja de calçado. Por dentro era um longo espaço com muitas mesas, e todas encontravam-se totalmente ocupadas. Era decorado com mobiliário moderno e de boa qualidade. Gertrudes reparou que em todas as mesas havia pelo menos um bolo com muito bom aspecto, era coberto por chocolate, morangos e pequenas cerejas. Então ela com o seu cão meteram-se na fila, á espera que fossem atendidos para poderem comprar o pequeno bolo. Quando chegou a vez deles, Gertrudes pediu o bolo, e saiu da confusão que se encontrava dentro do café e depois repartiu o bolo em três partes.
            -Bem júnior, este pedacinho é para ti, este para mim, e este é para tomar averiguações! – Disse Gertrudes, e colocou o último pedacinho de bolo dentro de um saco plástico.
Quando Gertrudes comeu o pequeno pedaço que convinha a ela, ela gostou, e até queria comer mais.
            -Bem, este bolo é mesmo bom! É melhor do que as minhas receitas. Tenho de me conter ou senão acabo como aqueles. Viciados em bolos. – Apontou Gertrudes para as pessoas que se encontravam no café. E em seguida, ela e o júnior encaminharam-se novamente para o carro.
            -Olha para as horas júnior! As crianças já vão sair da escola. Vamos busca-las para depois irmos almoçar.
E encaminharam-se para a escola, e lá já se encontravam as crianças.
            -Olá avó! – Disseram as crianças.
            -Olá meninos! Entrem! – Disse Gertrudes, e as crianças entraram logo para o carro.
            -Avó, posso comer este pedaço de bolo? Parece bom! – Disse Carlos, o mais guloso.
            -Não! Esse pedaço de bolo é para a nossa investigação! – Disse Gertrudes.
            -Avó, já á mais investigações? – Perguntou a Raquel.
            -Já minha querida.
            -E o que é? – Perguntou Roberto.
            -O novo café retirou todos os clientes ao café da Ofélia, e aos outros cafés da cidade, então eu fui lá e reparei que as pessoas estão viciadas a comer esse bolo. Então essa é a nossa prova para investigar!
            -Mas falta o resto do bolo! – Disse Carlos.
            -Pois falta. Fui eu e o júnior que comemos, e esse bolo é extremamente bom, dá vontade de comer mais e mais! Ou seja, ficasse completamente viciado! Agora vamos almoçar á minha casa, e esta tarde iniciaremos a nossa investigação! – Disse Gertrudes.
            -Viva! – Gritaram as crianças.
Quando Gertrudes chegou a casa com as crianças, ela preparou o almoço, e todos comeram. Depois foram novamente para o velho Volkswagen carocha, e dirigiram-se para a cidade para iniciarem a investigação.
            -Avó? Onde vamos primeiro?  - Perguntou a pequena Daisy.
            -Agora vamos ali á farmácia!
            -Á farmácia? O que é que a farmácia tem a haver com a nossa investigação? – Perguntou Roberto.
            -Pode parecer estranho, mas penso que a farmácia possa nos fornecer uma pista essencial. – Disse Gertrudes.
            -Hum. – Exprimiram as crianças.
Quando chegaram á farmácia, Gertrudes estacionou o carro e disse.
            -Meninos, eu vou ali levar esta fatia de bolo, ali ao farmacêutico e já venho.
            -Avó, vais dar o bolo para o farmacêutico comer? – Perguntou Carlos.
            -Não! É para fazer analises. Eu já venho, esperem um pouco que já volto. - E Gertrudes foi para a farmácia, e pouco tempo depois voltou sem o bolo.
            -E agora avó, onde vamos? – Perguntou a Joana.
            -Agora vamos ao café Rose! – Disse Gertrudes.
            -Mas esse não é o novo café que abriu? – Perguntou Roberto.
            -Exactamente! É por isso que vamos lá, é o inicio da nossa investigação. – Disse Gertrudes, e depois seguiram rumo para o novo e muito procurado café Rose. Era extremamente difícil conseguir arranjar lugar para estacionar no largo parque do estabelecimento. Mas ao fim de uns longos minutos, Gertrudes conseguiu arranjar um lugar para estacionar o seu pequeno carocha.
            -Até quem fim! – Disse Gertrudes exausta.
            -Avó, é difícil estacionar nesse café! – Disse Raquel.
            -A quem o dizes! Já é a segunda vez que venho aqui hoje! Primeiro vim de manha para ver o que se passava aqui. Agora estou aqui para saber quem anda por traz disto! – Disse Gertrudes.
            -Queres saber quem é o dono avó? – Perguntou Jorge.
            -Sim, quero. Quero saber quem é que está por traz de tudo isto. Vamos meninos! – Disse Gertrudes, e ela e as crianças saíram do carro e foram para a confusão do café.
            -Eí avo! Tanta gente que está aqui! – Disseram as crianças.
            -É verdade. Vamos ali falar com aquela senhora! Talvez ela nos possa fornecer alguma informação útil.
            -Vamos. – Concordaram as crianças.
E seguiram rumo para uma mulher que aparentava estar entre os vinte e os trinta e cinco anos. Tinha uma pequena tabuleta que dizia o seu nome, chamava-se Mary. Era de estatura média e tinha uma bela cabeleira loira.
            -Olá boa tarde. – Disse Gertrudes para a mulher.
            -Olá, boa tarde. Em que posso ajuda-los? – disse a mulher enquanto olhava para a Gertrudes e para as crianças que a acompanhavam. Só faltava o júnior, o cão que ficou em casa a dormir.
            -Era apenas uma informação… não tem a morada do seu patrão para que me possa dar? – Perguntou Gertrudes.
            -Para que? – A expressão da mulher endureceu, da mesma maneira que a sua voz.
            -É que estou interessada em fazer umas encomendas diárias de grandes quantidades de bolos para um pequeno estabelecimento que tenho do outro lado da cidade. Penso que a minha oferta o possa interessar.
O rosto da mulher humedeceu, e a voz em vez de sair como vinagre, saiu mais como mel, suave mas doce de mais.
            -Ah, sim, com certeza. Vou ali dentro buscar um papel e escrevo-lhe a morada. Não demoro nada! – Disse a mulher, e em poucos momentos voltou ela com uma folha de papel na mão.
            -Está aqui a morada. Penso que ele agora estará em casa. – Disse a mulher.
            -Quem? O seu patrão? – Perguntou Gertrudes.
            -Sim, quem mais poderia ser? – Disse a mulher com um tom de voz que já estava a demonstrar impaciência com esta senhora idosa.
            -Hum, está bem. Também esta morada não é muito longe daqui. Muito obrigada. – Disse Gertrudes.
            -De nada. Não quer nenhum dos nossos bolos? – Perguntou a mulher.
            -Hum, está bem. Podem ser três. – Disse Gertrudes.
            -Três? Não quer mais? – Disse a mulher enquanto olhava para as seis crianças.
            -Não obrigada. Três chegam perfeitamente. – E Gertrudes pagou, e despediu-se da mulher.
            -Adeus. – Disse a Gertrudes.
            -Adeus, volte sempre! – Disse a mulher que em seguida atendeu outro cliente.
            -Venham meninos. – Disse Gertrudes, e ela e as crianças foram para a tranquilidade do exterior.
            -Avó, os bolos são para nós? – Perguntou Carlos.
            -Não. São para o lixo. Só os trouxe para não parecer que fui ao café e vim com as mãos a abanar.
            -Para o lixo? Mas porque? – Perguntou Carlos novamente.
            -Porque temo que não sejam seguros para a saúde. – Admitiu Gertrudes, e em seguida colocou os bolos no lixo sem ninguém ver.
            -Venham meninos! Para o carro! – Disse Gertrudes, e em seguida ela e as crianças já estavam no carro a caminho da morada que a mulher deu.
            -A avó está a ficar com ideias? Disse que os bolos não eram saudáveis! – Disse Roberto.
            -Sim é verdade. Penso que este possa a ser um caso muito bem pensado. E extremamente estranho. - Disse Gertrudes.
            -E a avó disse que tinha um estabelecimento e que ia encomendar grandes quantidades de bolos, mas isso não é verdade! – Disse a Joana.
            -Pois não é verdade! Mas tive de inventar alguma coisa para que a mulher nos fornecesse a morada do proprietário do café.
            -Vamos para a morada que nos foi dada? – Perguntou a Daisy.
            -Sim vamos. Penso que pode resolver muita coisa. – disse Gertrudes, e em pouco tempo estavam do outro lado da cidade, junto a uma casa recém construída, e tocaram á campainha.
            -Quem é? – perguntou uma voz, que denotava ser de uma pessoa já de certa idade.
            -É a Gertrudes. Gostava de falar com o proprietário á cerca de umas encomendas.
            -Mais encomendas? Entre. – Disse a voz do intercomunicador, e o grande portão abriu automaticamente, e Gertrudes e as crianças entraram e seguiram por um curto caminho que os levava para a porta da grande mansão moderna. Há porta esperava um senhor idoso que era capaz de ter a idade de Gertrudes, e tinha uns traços físicos bastante parecidos com uma pessoa que Gertrudes muito bem conhecia.
            -Olá, boa tarde. É o proprietário do café Rose? – Perguntou Gertrudes para o cavalheiro idoso que se encontrava na porta.
            -Sim, sou. Entrem. – Disse o senhor atenciosamente, e Gertrudes e as crianças entraram na grande casa moderna. Encontravam-se numa grande sala de estar decorada com uma mobília do mais moderna que á e da melhor qualidade.
            -Tem uma casa muito confortável!  - Disse Gertrudes.
            -Obrigado. Quer se assentar? Não é muito bom para as pessoas de idade estarem de pé. E depois com as doenças reumáticas ainda é pior! – Disse o senhor.
            -Pois é verdade! Tem um café muito agradável! De boa mobília, além de ser extremamente frequentado, o que faz que a acústica não seja assim lá muito boa. – Disse Gertrudes e assentou-se.
            -Pois, lá isso é verdade! Não percebo porque é que tenho tantos clientes no meu café. Antes de mais eu chamo-me Alfredo. – Disse o velho.
            -Muito prazer, eu sou a Gertrudes. Tem uma casa muito bonita. – Disse Gertrudes.
            -Num acaso é. Eu ao longo da minha vida de trabalho, posso dizer que amontoei uma vasta fortuna devido ao meu salário, e a algumas heranças que fui recebendo ao longo da vida, posso dizer que amontoei imenso dinheiro e não sabia o que fazer a ele. Eu trabalhava no estrangeiro, ao inicio como empregado de limpezas, depois trolha, e cheguei a ser médico. E quando cheguei á reforma, com uma grande fortuna, voltei para aqui para a minha cidade natal, e já que estou velho decidi dar uso ao dinheiro e abrir um café. Tinha como base desse café uma antiga receita de um bolo que pertencia á minha avó e que foi passado a mim. A receita do bolo que deve ser o mais comercializado neste momento.
            -Mas não deita nenhum ingrediente especial? – Perguntou Gertrudes curiosa.
            -Não. Só uso ingredientes naturais. – Disse Alfredo.
Trim, trim, trim… - Soou uma campainha de fogão.
            -Ai desculpe. Tenho uns bolos no forno. Já volto. – Disse o velho, e em momentos voltou com um tabuleiro cheio de bolos.
            -Voltei. Não quer um bolo acabado de fazer? – Perguntou o velhote.
            -Hum pode ser. – Disse Gertrudes.
            -Está aqui. Feito segundo a antiga receita da minha avó. – E Alfredo entregou um pequeno bolo a Gertrudes, e esta comeu.
            -Espere. Este bolo não é igual aos que fabrica no café! – Disse Gertrudes.
            -Mas é! É esta receita de onde são feitos os bolos para o café. – Disse Alfredo.
            -Não, não é! Estes bolos são bons, mas não são viciosos como os do café. Os do café come-se um, e tem-se vontade de comer mais uns vinte seguidos! – Disse Gertrudes.
            -Como? A receita é a mesma! – Disse o velho.
            -É o senhor que faz os bolos para o café? – Perguntou Gertrudes.
            -Não. Os bolos que são comercializados no café são feitos no café, na zona da pastelaria. São feitos pelo meu sócio. Um cozinheiro altamente qualificado! – Disse Alfredo.
            -Mas o sabor é diferente. – Disse Gertrudes.
            -E quanto ás encomendas, você é a terceira pessoa a fazer-me encomendas dos bolos para fora num espaço de duas horas! – Disse Alfredo.
            -Na verdade não estamos aqui para  fazer encomendas. Achamos que possa passar algo de estranho no seu café. Todos os outros cafés da cidade ficaram sem todos os clientes, e estão em risco de fechar. Incluindo o café Chef. – Disse Gertrudes, como o ribombar de um sino.
            -Não… - disse o velho transtornado.
            -A Ofélia é sua irmã, não é? – Disse Gertrudes, enquanto as crianças olhavam atentamente para tudo o que se estava a passar.
            -Sim , é verdade. Na verdade somos irmãos gémeos.
            -As semelhanças entre os dois são imensas. A sua irmã sabe que já voltou do estrangeiro? – perguntou Gertrudes.
            -Não, eu hoje ia visita-la, mas se calhar é melhor não. – disse Alfredo.
            -Temos de descobrir o que andam a fazer no seu café. Você herdou a receita do bolo, e uma herança monetária, e a sua irmã herdou o café e a receita do refresco de laranja não foi? – perguntou Gertrudes.
            -Sim é verdade. As duas receitas juntas dão uma excelente conjunção. É um excelente lanche. Mas eu não posso aparecer assim no estabelecimento dela, ela ainda pensa que eu estou a fazer isto de propósito. Mas não estou! Não sei o que se anda a passar.
            -Venha comigo. Eu levei um pequeno pedaço do bolo que está a ser comercializado no seu estabelecimento para analise. – Disse Gertrudes.
            -Pensa que esteja algo de errado por detrás dos bolos? – Perguntou alarmado o Alfredo.
            -Eu não penso nada. Irei pensar quando tiver conclusões lógicas. Vamos, não á tempo a perder! – Disse Gertrudes.
            -Vamos para onde? – Perguntou Alfredo.
            -Vamos á farmácia. Venham meninos! – Disse Gertrudes para as crianças que estavam a brincar á apanhada na grande sala de estar.
            -Já? – Perguntou a Daisy.
            -Sim, temos muito de descobrir. – Disse Gertrudes, e ela e as crianças seguiram para o velho carocha, enquanto o Alfredo foi no se carro moderno. Em menos de dez minutos já estavam á porta da farmácia, na rua que leva á torre do relógio.
            -Meninos, eu e o senhor Alfredo já vimos. Esperem no carro um pouco.
            -Oh, está bem avó. – Disseram as crianças.
E Gertrudes e Alfredo foram á farmácia.
            -Olá doutor Armarclista. Já tem os resultados do pedaço de bolo que trouxe hoje de manha? – Perguntou Gertrudes.
            -Ah sim. Já tenho aqui os resultados. E tem razão, á algo aqui que não deve haver num bolo normal.
            -O que é? – perguntou Alfredo preocupado.
            -A composição do bolo é de frutos, farinha, e outros ingrediente normais. Mas tem aqui uma espécie de droga viciante, que leva á pessoa a comer o bolo, e a querer mais e mais! – Disse o farmacêutico.
            -Os meus bolos estão alterados! Andam a drogar os clientes? Mas quem é que está a fazer isto? – Perguntou Alfredo.
            -Não sei. Mas vamos descobrir. Há isso é que vamos. – Disse Gertrudes.
            -Eu cria apenas criar um café, um café normal, que tinha como principal ponto de referência o bolo a la Rose, apenas isso. Não queria que andassem a colocar substancias viciantes nos bolos para que aumentasse as receitas. Vamos ao banco! Quero ver a conta bancária. - Disse Alberto.
            -Com certeza. Vamos. Obrigada doutor Armarclista. – Disse Gertrudes, e em seguida ela e o Alfredo saíram da farmácia e seguiram rumo para o banco que se encontrava na mesma rua.
            -Olá, boa tarde. Em que posso ajudar-vos? – Perguntou um dos funcionários do banco.
            -Olá boa tarde. Queria conferir o saldo bancário. Sabe é que não sei trabalhar com essas novas maquinarias. Isso do multibanco é muito estranho para mim. – Disse Alfredo.
            -Com certeza. Tem ai o seu cartão? – Perguntou o funcionário, e depois colocou na ranhura. – Agora coloque o seu código. – Disse o funcionário, e Alfredo colocou o código bancário.
Depois o funcionário fez umas operações, e a máquina retirou um papel que o funcionário entregou ao Alfredo.
            -Este papel diz o seu saldo. – Disse o funcionário, e Alfredo pegou.
            -Como? Tenho a conta bancária a zero! – Disse Alfredo.
            -Quem mais tem acesso á sua conta além de si? – Perguntou Gertrudes.
            -A unida pessoas que tem acesso além de mim é o meu sócio. O cozinheiro. Está a dizer que foi…
            -Sim, estou a dizer que o seu cozinheiro está a fazer transacções monetárias para a conta dele, a drogar os clientes, e sabe-se que mais é que ele anda a planear! – Disse Gertrudes.
            -Vamos imediatamente para o café! – Disse Alfredo.
            -Espere! Não podemos ir assim. – disse Gertrudes.
            -Então como vai ser? – Perguntou Alfredo.
            -Eu tenho um plano… - Concluiu Gertrudes.


III


            -Meninos, eu e o Alfredo vamos falar com o comissário e dizer o que se passa. Vocês já podem ir embora, é  o mais prudente. – Disse Gertrudes.
            -Mas nós já somos crescidos! E não queremos ir embora! – Disseram as crianças.
            -Não, mas isso não é seguro. Quero que vocês estejam em casa em segurança. Não sabemos com que tipo de pessoa é que estamos a lidar. – Disse Gertrudes.
            -Oh, está bem avó. – Disseram as crianças.
            -Ainda bem. É a atitude mais sensata. Vemo-nos amanha! – Disse Gertrudes.
            -Até amanha avó! – Disseram as crianças.
            -Até amanha meninos. – Disse Gertrudes, e as crianças foram.
            -Então que faremos agora? – Perguntou Alfredo.
            -Venha comigo falar com o comissário e com o Rogério. Vamos fazer os possíveis para que tudo corra bem. – Disse Gertrudes, e ela e Alfredo foram para a delegacia, onde se encontrava o comissário Alberto e o seu adjunto, o Rogério.
            -Olá Gertrudes! O que a traz por cá? – Perguntou o comissário.
            -Lembra-se de ter dito que ao tempo que não havia nada que passa-se cá pela zona? – Disse Gertrudes.
            -Sim lembro. Porque?
            -Temos um suposto criminoso em mãos. Vamos fazer assim, eu o Alberto e o Rogério vamos falar com o homem e tentaremos detê-lo. Se vir que estamos a demorar muito, o comissário e os seus homens avançam…
            -Sim, isso tudo. Mas ainda não me disse o que se passa! – Disse o comissário.
            -Este homem é o proprietário do café Rose. Como sabe o estabelecimento teve um enorme número de clientes apenas na abertura, e todos queriam comer mais e mais bolos da famosa receita Rose. – Disse Gertrudes.
            -Sim. Eu próprio já comi alguns bolos. São formidáveis. Tenho ali perto de dez bolos…
            -Deite-os fora! – Ordenou Gertrudes antes do comissário terminar a frase.
            -Mas porque? São tão bons! – Disse o comissário.
            -Os bolos contem droga que permite que quem coma um bolo tenha vontade de comer mais uns vinte. Ou seja, a pessoa fica viciada.
            -Oh. Mas como sabe disso? – Perguntou o comissário.
            -Eu na verdade também comi um bolo. E reparei que tinha um sabor peculiar para me dar vontade de comer muitos mais. Então resisti á tentação e guardei um pouco que levei á farmácia para fazer analises. E foi descoberto droga no bolo. Droga que viciaria as pessoas a comerem mais e mais. – Disse Gertrudes.
            -Oh. – Exprimiu o comissário perplexo.
            -Mas ainda á mais. Este senhor tinha uma soma bastante avultada no banco. E não costuma se interessar com a sua conta bancária. Mas eu hoje disse-lhe para ir conferir a conta, e descobrimos que tem a conta a zero! O dinheiro foi todo transferido! – Disse Gertrudes.
            -Como sempre Gertrudes, pensaste em tudo! – Disse Rogério.
            -Tem de ser! – Disse Gertrudes.
            -Está bem. Faremos o que pedes. Quando se vai começar? – Perguntou o comissário.
            -Agora! – Exclamou Gertrudes.
            -Já? – Perguntou o comissário apanhado de surpresa.
            -Sim, temos de descobrir a verdade antes que quem anda por traz de tudo isto fuja! – Admitiu Gertrudes.
            -Sim. Mas espere, esse homem é parecido com a… - Disse Rogério.
            -Sim, é parecido com a Ofélia. Na verdade são irmãos. – Concluiu apressadamente Gertrudes.
            -Mas como? – perguntou Rogério.
            -Eu explico tudo pelo caminho. Venham! – Ordenou Gertrudes, e todos seguiram rumo para o café Rose. Durante o caminho, Gertrudes foi explicando tudo tintim por tintim sobre a familiaridade entre o Alfredo e a Ofélia, até que ela começou a fazer interrogações de informações que desconhecia.
            -Mas Alfredo, como é que conheceu esse seu sócio, o cozinheiro? – Perguntou curiosamente Gertrudes.
            -Eu conheço-o á algum tempo, já fomos companheiros de trabalho nas obras, e ambos gostamos imenso de cozinhar. A vida foi correndo e depois eu segui para medicina, e ele foi para cozinheiro. Vinte anos depois voltamos a reencontrar-mos num restaurante no estrangeiro, e decidimos em abrir um negócio que fosse nosso. E foi isso que fizemos. Ele é bastantes anos mais novo do que eu. Deve ter perto de trinta anos. Não esperava que ele tinha este tipo de planos em mente, porque se soubesse nunca teria aberto o restaurante. – Admitiu o idoso.
            -Hum, estou a ver. Você foi enganado! Mas vai ver que tudo ficará bem! – Tranquilizou Gertrudes.
            -Espero bem que sim. – Disse Alfredo.
            -Chegamos. Todos sabem o que fazer? – Perguntou Gertrudes, e os outros três homens acenaram a dizer que sim.
            -A esta hora o café já fechou, mas os funcionários ainda não saíram. – Disse Alfredo.
            -Vamos relembrar, o Alfredo vai á frente e irá confrontar o seu sócio, enquanto que eu e o Rogério iremos a traz e se virmos que as coisas derem para o torto eu e o Rogério avançaremos. – Disse Gertrudes.
            -Está bem. Vamos! – Disse o Alfredo, e seguiram para dentro do café á socapa, e dirigiram-se para a cozinha do café onde estava o cozinheiro e a empregada.
            -Olá Alfredo, por aqui? – Perguntou o cozinheiro.
            -John, posso saber o que andas a fazer? – Perguntou Alfredo.
            -Eu? Eu estou a fazer os bolos. – Disse John o cozinheiro.
            -Porque é que a minha conta bancária está a zero? Posso saber? Pensava que éramos amigos e aliados neste projecto. – Disse tristemente Alfredo.
            -Amigos? Aliados? Achas que eu contentava-me apenas com a mísera metade que tu me deste seu velho miserável. Mais uns tempos e estás na cova! – Disse cruelmente John.
            -Mas porque é que andaste a drogar os clientes? – Perguntou Alfredo, enquanto Gertrudes e o Rogério permaneciam escondidos a ver tudo.
            -Porque? Queres saber? Se os clientes ficarem viciados nos bolos, imagina a quantidade de lucro que se iria conseguir. Por dia entrariam milhares de euros de pessoas necessitadas pelo bolo da tua velha receita familiar, mas um pouco alterada… E também eu e a Mary vamos casar, e caso tu morreres ficaremos com o negócio e com tudo! Mais dia, menos dia irias aparecer morto em casa, e pensariam que morreste de causa natural, além de na verdade ter sido devido a um forte soporífero entranhado num bolo, ou numa chávena de chá!
            -Tu és desumano! – Disse assustado o velho Alfredo.
            -Eu? Eu não! Eu tenho tudo muito bem planeado e bem organizado, não é Mary? – Disse o cozinheiro para a jovem funcionária que tinha atendido Gertrudes nesse mesmo dia e que lhe forneceu a morada.
            -Tu também estás metida nisto? – Disse Alfredo.
            -Eu? Claro! Vamos casar e seremos ricos! Tudo devido á tua fortuna e ao negocio dos bolos! Tudo muito prático! E John? Porque é que não acabamos já com o velho? Ele é apenas um velhote indefeso e nós somos dois jovens! E além de mais ele já não tem nada! Já alteramos os contratos, e o saldo bancário é apenas para nós. Estamos ricos!
            -Muito bem pensado! Vamos nos livrar da velha carcaça. – Disse John, e ele e a Mary, seguiram para o pequeno velho indefeso.
            -Parem! – Gritou Gertrudes e o Rogério que surgiram de traz de um balcão.
            -Olha Mary! O velhote trouxe os seus amiguinhos da terceira idade do lar de idosos! Parece que hoje vão ser menos três! – Disse John e pegou numa arma que tinha escondida num dos armários de cozinha.
            -Quais são as ultimas palavras seus velhos loucos?  - Perguntou ironicamente Mary.
            -Alfredo, parece que as coisas não correram conforme o plano. – Admitiu Gertrudes.
            -Pare John! Não queremos que ninguém se magoe! – Disse Rogério.
            -Mas parece que alguém se vai magoar. E muito! – Disse malevolamente John.
            -Um, dois… Ao ataque! – Gritaram as crianças e atiraram pratos e legumes contra John e a Mary, a arma acabou por cair ao chão e Gertrudes num movimento rápido apoderou-se imediatamente dela.
            -Que pequenos imprudentes! – Disse Gertrudes para as crianças.
            -Anda Mary, vamos deixar os velhos. Já não nos servem de nada… - Disse John, e ele e Mary saíram da cozinha e ouviu-se.
            -Mãos ao ar! Acabou a festa! – Todos reconheceram a voz do comissário Alberto, enquanto os homens dele algemavam o John e a Mary.
            -Muito bem comissário! Apareceu no momento certo, como sempre! – Disse Gertrudes e entregou a arma ao comissário.
            -Obrigado Gertrudes. Se não fosse você eu dentro dias estaria debaixo de uma lápide, se entende o que quero dizer…
            -Sim, com certeza. Ainda bem que tudo acabou bem. – Disse Gertrudes satisfeita.
            -Que caso! – Disse o comissário, depois de ele e os seus homens terem prendido os dois bandidos.
            -Está a ver comissário? E dizia que não ocorria nada de interessante! Num dia tivemos um caso e peras! E tudo começou com um bolo… - disse Rogério.
            -Pois é meninos. Como é que vieram aqui ter? – Perguntou Gertrudes para as crianças que se divertiam.
            -A avó mandou-nos embora, mas nós não fomos! Estivemos sempre atrás da avó e do Rogério e vocês nem desconfiaram de nada! – Disse Roberto.
            -Pois foi, e graças a vocês estes bandidos foram presos! – Disse Gertrudes, e as crianças festejaram, enquanto apareciam curiosos nas ruas para saber a razão do alarido.
            -Gertrudes, mais um caso resolvido! – Disse o comissário alegremente.


IV


            -Alguns dias depois, na praça do palanque decorria o concurso anual de especialidades gastronómicas dos cafés de Freibur, e continha um café recém organizado na inscrição. O café Chef and Rose. A parceria dos dois irmãos recém encontrados era o novo sucesso de Freibur, desde a união do refresco de laranja com o bolo á la Rose. Foi logo no dia a seguir á prisão dos dois impostores que Alfredo decidiu ir visitar a sua irmã. E que grande festa foi quando se reencontraram, até porque também nesse mesmo dia o velho café Chef voltou a recuperar a sua grande popularidade.
            -E este ano o prémio gastronómico dos cafés vai para … O recém organizado café Chef and Rose! Com o magnifico refresco de laranja e o delicioso bolo á la Rose a acompanhar! – Disse o presidente municipal.
            -Viva! Irmã ganhamos! – Gritou Alfredo, e abrasou-se á sua velha irmã Ofélia. Ambos festejaram o prémio bastante disputado por todos os cafés. Todos queriam ganhar, mas só o melhor petisco é que era digno de mérito.
            -Parabéns Ofélia. Parabéns Alfredo. Foi bem merecido o prémio! – Disse Gertrudes e felicitou os vencedores.
            -Obrigada Gertrudes! Mas para o próximo mês realizar-se-á o magnifico concurso da melhor tarte de Outono! A jóia da nossa gastronomia! Vê lá se voltas a ganhar o prémio Gertrudes! – Disse Ofélia.
            -Oh, ainda falta muito. Até lá ainda muito pode acontecer. Mas o que importa é que está tudo bem, e que vocês os dois se reencontraram e criaram os dois melhores estabelecimentos da nossa cidade! Isso é que é uma boa recompensa! – Disse alegremente Gertrudes.
            -Avó? Vens brincar connosco? – Perguntaram as crianças que andavam a divertir-se pela praça.
            -Vou já meninos, só estou a felicitar os vencedores. Vou já ter com vocês. – Disse Gertrudes e as crianças continuaram a brincar na longa praça toda decorada para o concurso. Toda a população andava em festa.
            -Ainda nem acredito no que o John queria me fazer! – Disse o velho Alfredo ainda a pensar no sucedido.
            -Esquece isso Alfredo, isso não importa! – Disse Ofélia.
            -Concordo com o que a Ofélia disse, pois o que importa não é o passado, mas sim o futuro! - Concluiu Gertrudes.

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