3º Episódio
"A Feira"
-Então meninos, querem vir comigo às compras? – Questionou Gertrudes enquanto vestia a velha gabardina vermelha.
-Sim vamos! – Disseram as crianças.
-Mas hoje vamos antes a pé. Não vamos de carro porque a distância é curta, e faz sempre bem apanhar ar puro. – Disse Gertrudes para as crianças e elas concordaram, e lá foram todos com a Gertrudes, três rapazes e três raparigas. A casa de Gertrudes encontrava-se nas imediações da pequena cidade de Freibur, e vivia numa zona com menos casas e carros, predominantemente ocupada pelo campo. Enquanto iam pelo caminho que levava á pequena cidade, Gertrudes ia dizendo os nomes de algumas plantas que se encontravam.
-Esta planta aqui é um pequeno pessegueiro. Dentro de alguns anos dará fruto. – Disse Gertrudes, enquanto as crianças observavam e ouviam o que a Gertrudes dizia.
-Avó? Que flores são aquelas? – Perguntou Raquel.
-Aquelas flores Raquel, são margaridas. – Afirmou Gertrudes.
-E aquela arvore ali? – Perguntou Carlos.
-É uma macieira. Aqui na nossa localidade, temos muitas árvores de frutos! – Referiu Gertrudes satisfeita.
-Mas avó, se temos aqui tanta fruta para é que vamos ao supermercado? – Questionou Roberto.
-Porque esta fruta tem de ser tratada antes de ser consumível! E também porque a fruta ainda está pequena de mais para que se possa comer. – Disse Gertrudes.
-Que planta é aquela avó? – Perguntou Jorge, para ver se os outros estavam atentos.
-Mas que pergunta Jorge! Aquilo é uma erva daninha! – Disse Gertrudes impaciente.
-Era para ver se estavas atenta avó! – Admitiu Jorge.
-Está bem. – Disse Gertrudes, que já estava habituada que os seus pequenos amigos a tratassem por avó além de não serem da mesma família, até mesmo os pais das crianças tratam Gertrudes por avó! Pode-se dizer que ela é a avó de Freibur.
-Avó olha aqueles camiões todos no terreno vazio que está na entrada da cidade! O que será? – Questionou Daisy, e depois todos os outros olharam para o sítio que ela apontava com curiosidade.
-Não sei minha querida. Normalmente nesta altura não costumamos ter nada na cidade. Depois descobrimos o que será. – Mas até Gertrudes estava curiosa.
Por fim, depois do pequeno passeio a pé de menos de dez minutos, chegaram ao pequeno mercado da cidade onde Gertrudes ia fazer as compras.
-Então avó? O que vais comprar? – Perguntou Daisy.
-Não vou comprar muito minha querida. É apenas umas coisas. Fruta, legumes, carne e peixe.
-Ah. – Exprimiu Daisy.
E Gertrudes foi fazer as compras. Comprou batatas, alface, cebolas, amoras, farinha, ovos e outros produtos.
-Avó? Vais fazer tarte de amoras? – Perguntou Carlos já com água na boca.
-Sim é verdade. Descobris-te pelos ingredientes que comprei? – Questionou Gertrudes.
-Foi! – Admitiu Carlos, o mais cheiinho do grupo do roberto.
-Que bom. Vamos comer hoje? – Perguntou Raquel.
-Sim, vamos minha querida. Vou faze-la hoje para o lanche. Já estão as compras feitas, vamos pagar! – Referiu Gertrudes depois de efectuar as compras. Foram para a fila e quando chegou a sua vez, colocaram os produtos no tapete rolante, e depois Gertrudes pagou.
Quando chegaram ao exterior do supermercado, Gertrudes perguntou.
-Meninos, querem ir agora tomar um refresco ao café da Ofélia?
-Sim, vamos! – Disseram as crianças e depois seguiram rumo para o café da Ofélia que se encontrava na praça central da cidade, junto ao velho coreto e á frente da casa das irmãs Encanto. Ofélia é uma das velhas amigas de escola da Gertrudes. O café da Ofélia já existe á largos anos e foi fundado pelos seus pais para responder á grande quantidade de turistas que apareciam para conhecer a cidade. Era um café de proporções modestas, mas com um grande espaço exterior com mesas e guarda-sóis que no verão estavam sempre ocupadas.
-Olha avó. Não á nenhuma mesa livre! – Disse roberto.
-Oh, pois é. No verão é sempre assim, a esplanada do café está sempre a abarrotar.
-Olha avó, aquelas pessoas vão sair da mesa. Vamos para aquela. – Apontava Jorge para uma mesa, de onde um grupo de cinco jovens estava a sair. E Gertrudes e as crianças encaminharam-se de seguida para a mesa.
Depois de arranjarem sítio para todos apareceu Ofélia. Ofélia era uma mulher baixa e algo roliça como a glória, uma das irmãs encanto. Vestia um avental sobre uma roupa indicada para a sua idade de cor alaranjada. Tinha cabelo castanho claro, da mesma cor dos seus olhos. Era uma mulher agradável e simpática, da mesma idade que Gertrudes.
-Olá Gertrudes. Olá crianças. O que vai ser hoje? – Perguntou atenciosamente Ofélia.
-É o costume. Refrescos de laranja para todos. Não é crianças? – Questionou Gertrudes.
-Sim. – Disseram as crianças.
-Então está bem, volto já. – Disse a proprietária do café «Chef», e foi buscar os pedidos. Pouco tempo depois ela voltou com uma bandeja na mão e com os sete refrescos de laranja.
-Como sempre, muito eficiente! – Disse Gertrudes.
-Claro! Tem de ser! Já viste a quantidade de clientes que temos nesta altura do verão? – Referiu Ofélia enquanto demonstrava a maneira de como o seu estabelecimento estava a transbordar de gente.
-Sim é verdade! O negócio anda de vento e polpa! E é sempre assim no verão! – Disse Gertrudes recordando-se de verões passados.
-Pois é! De verão o café está assim, mas no inverno já sabes como é! As pessoas não andam assim tanto na rua devido ao frio. Por isso o dinheiro que recebemos no verão, cobre perfeitamente as despesas feitas no inverno. E ainda sobra sempre qualquer coisita para poder comprar para o estabelecimento! – Referiu alegremente a dona Ofélia.
-Ainda bem, e com esta crise! – Admitiu Gertrudes.
-Pois, é verdade. Já sabes que estão a montar uma feira á entrada da cidade? – Disse Ofélia mudando de assunto.
-A sério? Mas a feira não veio cá á um mês atrás como todos os anos acontece? A feira vem todos os anos num dos fim-de-semanas de Julho! – Disse Gertrudes admirada.
-É verdade. Mas esta feira é nova aqui na cidade, nunca cá esteve. É este fim-de-semana que estará cá em freibur. – Disse a dona Ofélia.
-Não sabia. Meninos, aqueles camiões que vimos hoje á entrada da cidade são a feira! – Disse Gertrudes para as crianças.
-Que bom! Vamos á feira! – Disseram as crianças.
-Avó, vais connosco? – Disse roberto.
-Claro que sim. Posso ser velha mas ainda gosto de me divertir. – Admitiu Gertrudes.
-Vamos andar nos carrosséis e isso tudo! – Disse a Daisy.
-Sim minha querida. Vamos andar nisso tudo. Mas agora vamos embora para levar as compras para casa. E ainda quero fazer um bolo de amoras, ou faço uma tarte? – Disse Gertrudes.
-Avó faz antes um bolo! – Disse Carlos.
-Sim, está bem. Quem me ajuda com as compras? – Questionou Gertrudes.
-Eu! – Disseram as crianças, e cada uma pegou num saco.
-Obrigada Ofélia, até logo! – Despediu-se Gertrudes da Ofélia, e pagou a conta dos sumos.
-Adeus Gertrudes, adeus meninos. – Disse Ofélia.
-Adeus! – Disseram as crianças.
Depois seguiram rumo pelo caminho que á pouco percorreram, e repararam que na zona onde se encontravam os camiões de manha cedo, já começavam a aparecer algumas coisas.
-Olha avó! Já estão a montar os carrosséis e a tenda dos espectáculos! – Disse roberto.
-Sim. É verdade meu querido. Amanha á noite a feira já abre ao público! Tem de se mexer! – Disse Gertrudes, e continuaram o caminho para casa. Quando lá chegaram, júnior o pequeno cão de Gertrudes, encontrava-se junto á porta á espera que ela e as crianças chegassem.
-Olá júnior! Estavas á nossa espera? – Perguntou Gertrudes, e o pequeno cão branco ladrou.
-Agora meninos, vamos arrumar as compras para a seguir preparar o almoço e depois fazer o bolo para o lanche!
Todos ajudaram a arrumar todas as compras, e depois as crianças ajudaram Gertrudes a preparar o almoço, e comeram a refeição do meio-dia.
-Meninos, agora vamos preparar o bolo.
-Vamos! – Disseram as crianças.
-Avó, diz os ingredientes que precisas e nós vamos busca-los! – Disse Raquel.
-Está bem. Daisy vais buscar os ovos, Jorge tu vais buscar a farinha, o roberto vai buscar a manteiga, Joana vais buscar o açúcar, Carlos tu vais buscar a forma para os bolos, e Raquel tu vais buscar o ingrediente principal, as amoras. Vamos então preparar esse bolo meninos! – Disse Gertrudes.
E em seguida foram buscar os ingredientes que Gertrudes pediu a cada um e colocaram na mesa da pequena cozinha onde Gertrudes preparava tudo para a confecção do bolo.
-Pronto meninos. Vou começar a cozinhar! Então cá vai, quatro ovos, agora um pouco de farinha e açúcar, depois uma colher de manteiga, espremer umas amoras para retirar o sabor, colocar umas inteira para ficar o bolo maior, mexer tudo, colocar amoras inteiras no fundo da forma, deitar o preparado dentro da forma e colocar no forno durante vinte minutos! Já está meninos! Daqui a pouco tiro o bolo! – Disse eficientemente Gertrudes.
-Que rápida que és a fazer bolos! – Disse Roberto.
-Pois é! Pareces uma máquina! – Disse a Joana.
-Não é nada meninos. Eu é que já estou habituada a isto! É por isso que sou tão rápida… - Admitiu Gertrudes.
-Pois és! – Disse Jorge.
-Meninos, vamos jogar ás cartas enquanto o bolo não sai do forno? – Perguntou Gertrudes.
-Sim, vamos! – Disse roberto.
-Vamos jogar á pesca? – Questionou Daisy.
-Sim, podemos jogar á pesca! – Disse alegremente Gertrudes.
E depois foram todos para a sala de Gertrudes para a mesa de jantar para jogarem às cartas. Jogavam animadamente, até que o temporizador começou a tocar de forma estridente.
-Meninos, já venho! Vou tirar o bolo do forno! – E Gertrudes saiu do seu lugar e encaminhou-se apressadamente para a cozinha e tirou o bolo o forno, depois retirou-o da forma e colocou á janela para arrefecer. – O bolo tem um aspecto óptimo como sempre! – Disse Gertrudes para si mesma enquanto olhava para o bolo e depois voltou para a sala, e continuaram a jogar ás cartas.
-Então avó? Ainda falta muito para comermos o bolo? – Perguntou Carlos já a pensar no bolo.
-Não meu querido. Daqui a pouco vamos poder come-lo! – Disse Gertrudes.
-Então? Jogam ou não? – Disse Roberto enquanto esperava que Gertrudes e Carlos jogassem.
-Calma Roberto! – Já jogamos! – Disse Carlos, e em seguida Gertrudes e Carlos fizeram as suas jogadas.
E continuaram normalmente o jogo das cartas até que outra campainha voltou a suar.
-Avó, outra vez o temporizador? – Perguntou Raquel.
-Não. Desta vez foi a campainha da porta! Vou ver quem é. Já volto meninos! – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para a porta de entrada, abriu-a e lá estava o comissário Alberto. Era um homem de estatura baixa e algo roliço. Tinha um pequeno bigode que lhe ornamentava a cara.
-Olá Gertrudes, eu estava a passar por aqui e…
-E cheirou-lhe aos meus bolos! – Concluiu Gertrudes a frase do comissário Alberto.
-Sim. Fui ver como estavam as coisas a andar na feira, e depois ao passar por aqui cheirou-me aos seus bolos. Penso que esteve a cozinhar! Cheirar não é nenhum crime! – Disse o comissário.
-Mas a gula é um crime! Entre que eu já ia retirar o bolo para o lanche! – Disse Gertrudes a rir-se, imaginando o comissário a farejar os seus bolos. Se um bolo de Gertrudes fosse roubado, o comissário daria um bom cão de busca! – Pensou ela.
-Obrigado Gertrudes. – Disse o comissário e entrou para a casa de Gertrudes.
-Olá comissário Alberto! – Disseram as crianças que estavam a jogar as cartas.
-Olá meninos! – Respondeu o comissário.
-Cheirou-lhe aos bolos da avó Gertrudes? – Perguntou Roberto.
-Bem… - disse o comissário e as crianças começaram a rir-se impedindo o comissário de concluir a explicação, além de essa não existir.
-Vou então buscar o bolo. – Disse Gertrudes e encaminhou-se para a cozinha, e poucos segundos depois voltou a aparecer com o bolo em cima de um prato de vidro e com uma faca.
-Como sempre um bolo muitíssimo bem apresentável! – Disse o comissário.
-Os meus bolos são sempre apresentáveis por fora e por dentro! É por isso que o comissário gosta tanto dos meus bolos! - Disse Gertrudes, e as crianças começaram a rir-se.
-Posso dizer que é verdade. – Admitiu o comissário, e serviu-se de uma fatia do bolo de amoras.
E depois as crianças também se serviram de uma fatia, incluindo Gertrudes.
-Gertrudes, como sempre divinal! – Disse o comissário enquanto já se servia da segunda fatia.
-Estou a ver que sim! Está sempre divinal para o comissário! – Riu-se Gertrudes. E depois também as crianças.
-Bem, tenho de ir andando, o dever espera-me! – Disse o comissário com um ar muito sério.
-Claro que sim! Não quer levar uma fatia consigo para o caso de ter fome durante o trabalho? – Perguntou Gertrudes.
-Se a Gertrudes insiste eu não nego a oferta. – Admitiu o comissário.
-Com certeza. E aqui está! – Entregou Gertrudes uma fatia do seu bolo embrulhado num guardanapo.
-Obrigado Gertrudes. Então vou indo. Adeus crianças, adeus Gertrudes! – Disse o comissário.
-Adeus comissário! – Disseram as crianças.
-Adeus comissário! – Disse Gertrudes.
E lá foi o comissário continuar os seus afazeres.
-Que guloso que é o comissário! – Disse roberto.
-É verdade. Se o comissário fosse viciado em álcool como é viciado nos meus bolos, ele seria um grande alcoólico anónimo! – Disse Gertrudes fazendo uma comparação.
-Lá isso é verdade! – Concordaram as crianças a rir-se.
-Penso que o comissário faz anos depois de amanha não é? Vou-lhe fazer um bolo especial de aniversário!
-Avó, mas é melhor fazer dois! Um para o comissário e outro para os convidados! – Disse roberto, e depois todos começaram a rir-se.
-Ai meninos! Não sejam maus! O comissário não tem culpa. – Disse Gertrudes.
-Sim. Vamos agora lá para fora brincar? – Perguntou Raquel.
-Vamos! – Disse Raquel.
-Ide meninos que eu vou arrumar a casa, como amanha é o fim-de-semana e vamos á feira não irei ter muito tempo para fazer as arrumações. – Disse Gertrudes.
-Avó, não precisas de ajuda? – Perguntou a pequena Daisy.
-Não minha querida, obrigada na mesma. A minha casa é pequena a e eu arrumo-a bem sozinha. – Disse Gertrudes.
-Então todos lá para fora! – Disse Roberto, e os outros concordaram. Roberto era o mais alto do grupo e andava sempre de boné.
-Pronto Gertrudes, toca a arrumar! – Disse Gertrudes para si própria.
E Gertrudes começou a arrumar a casa. Começou pela cozinha, depois passou para a pequena sala, e em seguida foi limpar o quarto e a casa de banho. E a casa ficou limpa e arrumada em menos de duas horas.
-Ter uma casa pequena tem as suas vantagens. Sem duvida que se arruma tudo num estante! – Disse Gertrudes para si própria.
E depois encaminhou-se para o exterior de casa, para ver onde andavam as crianças. E avistou-as a brincar junto ao pequeno parque perto da casa de gertrudes, e ela dirigiu-se até lá.
-Olá meninos. – Disse Gertrudes.
-Olá avó. Já arrumaste a casa? – Perguntou Raquel.
-Já minha querida. A minha casa é pequena, por isso não demoro assim muito tempo! – Afirmou Gertrudes.
-Queres vir brincar connosco avó? – Perguntou Daisy.
-Obrigada minha querida. Mas não. Vou-me assentar aqui um pouco e descansar.
-Está bem. – Disse a Daisy, e foi continuar a brincar com os outros.
E brincaram até ao fim da tarde, e Gertrudes afirmou.
-Meninos, já está na hora de ir embora, já se faz tarde, os vossos pais já devem estar á espera. – Disse Gertrudes.
-Oh! – Disseram as crianças.
-Vamos! A avó Gertrudes tem razão. Já está na hora de irmos. Até amanha avó. – Disse Roberto.
-Até amanha avó… - Disseram as outras crianças.
-Até amanha meus queridos. – Disse Gertrudes, e as crianças encaminharam-se para casa, tal como Gertrudes.
Quando Gertrudes chegou a casa, o seu cão ainda se encontrava a dormir tal e qual como quando tinha saído de casa á pouco. Então ela encaminhou-se para a cozinha, e fez uma refeição leve, de um bom cozido de peixe. E depois apareceu o pequeno cão branco.
-Olá júnior. Estou a ver que também já acordas-te! Queres também jantar?
-Au! – Afirmou o cão.
-Está bem júnior. Vou buscar a tua comida! – E Gertrudes foi ao armário e retirou de lá um saco de comida para cão, e despejou no comedor que se encontrava ao lado da porta da cozinha.
-Prontos. Já está a tua comida, agora vou eu comer. – Disse Gertrudes, e assentou-se num banco na mesa da cozinha e jantou. No fim de comer, arrumou a cozinha e encaminhou-se para a sua cadeira de embalar na sala, junto com o seu cão.
-Então júnior, vamos ouvir um pouco de rádio?
-Au! – Ladrou o cão.
-Então está bem. E Gertrudes ligou o rádio, além de possuir um televisor na sala prefere antes ouvir um serão no rádio como antigamente, sendo a sua companhia depois do jantar quando as crianças já se encontram em casa.
-Júnior, já vai dar as notícias. Vamos ver se essa onde de assaltos que andam por ai continuam. E começaram as notícias, «roubo em French continua por se explicar tal como os outros roubos que andam a se realizar por todo o país, os ladroes não deixam pistas o que dificulta as investigações.».
-Estes roubos são muito estranhos, não achas júnior? Os assaltos ocorrem sempre quando não se encontra ninguém em casa! – Disse Gertrudes e o cão escutava-a.
-Ainda bem que não acontece nada destes assaltos por aqui. E todas as localidades que foram assaltadas encontram-se a milhares de quilómetros daqui de freibur. – Disse Gertrudes, e continuou a ouvir as notícias. Depois seguiu-se a música na rádio e esteve a ouvir até um pouco mais tarde do que é vulgar porque no dia seguinte já era o fim-de-semana.
II
-No dia seguinte, Gertrudes despertou um pouco mais tarde do que o vulgar. Acordou, tomou um duche e de seguida vestiu a roupa do dia, e foi buscar o jornal. Enquanto tomava o pequeno-almoço, juntamente com o seu cão júnior, Gertrudes pegou no jornal e leu o título de primeira página. «Roubos inexplicáveis continuam.»
-Agora só á esta notícia! Sim, as pessoas já sabem que anda uma onda de roubos inexplicável! Não é júnior? – Questionou Gertrudes.
-Au! – Concordou o cão.
E Gertrudes leu o jornal, e ficou um pouco indignada no fim de o ler, porque o jornal ao fim de contas não tinha nenhuma notícia interessante de que Gertrudes já não tivesse conhecimento.
-Sabes júnior, antes o jornal era uma coisa magnífica! Todos os dias tinha notícias escaldantes! Não é como agora, a mesma noticia é capa de revista durante dias! Pode-se comparar o jornal de agora a um disco riscado! - Disse Gertrudes com saudade da época em que os jornais ofereciam notícias de jeito, e principalmente frescas! Agora já não á tanto a noticia do dia.
E Gertrudes acabou de tomar o pequeno-almoço, e enquanto arrumava foi interrompida pela campainha da casa.
-Quem é? – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para a porta. Do outro lado da porta encontrava-se Rogério, o adjunto do comissário.
-Olá Rogério, o que te traz por cá? – Rogério tinha mais ou menos a idade de Gertrudes, tinha idade para estar na reforma mas gostava demais do seu trabalho do que estar reformado. Era um homem que em tempos foi alto e muito bem proporcionado, mas que agora perdera um pouco das suas qualidades físicas devido á idade.
-Olá Gertrudes! Vim te perguntar se logo não queres vir comigo á feira. – Perguntou Rogério embaraçado.
-É um convite? – Perguntou Gertrudes.
-Sim. – Disse Rogério.
-Agradeço o convite, mas logo eu já tinha combinado com as crianças. Só se quiseres vir connosco? – Perguntou Gertrudes.
-Está bem! – Assentiu Rogério.
-Então está combinado! Logo vens aqui ter á minha casa. – Disse Gertrudes.
-Está bem. Até logo. – Disse Rogério.
-Estão até logo! – Disse Gertrudes. E Rogério despediu-se de Gertrudes, e continuou os seus afazeres.
-Já viste júnior? O Rogério veio-me convidar para a feira! – Disse Gertrudes já dentro de casa a falar para o seu cão.
-Au, au! – Ladrou o cão.
-Nesta idade a receber convites! – Pensou Gertrudes.
E depois preparou o almoço, e depois de ela e o seu cão almoçar foram dar um passeio á cidade.
-Olá Ofélia! É o costume, um refresco. – Disse Gertrudes quando Ofélia se dirigiu a Gertrudes quando esta se assentou na esplanada do café.
-Com certeza. – E Ofélia foi buscar prontamente o refresco.
-Então Ofélia, logo também vais á feira? – Perguntou Gertrudes.
-Claro que vou! A vida não é só trabalho, na nossa idade também gostamos de nos divertir. – Admitiu Ofélia.
-Claro. Eu logo vou com as crianças e o Rogério. – Disse Gertrudes.
-Fazes bem. – Referiu Ofélia.
-Vou indo, até logo Ofélia. – Disse Gertrudes depois de acabar de beber o refresco.
-Está bem. Vemos logo na feira! – Disse Ofélia.
E depois Gertrudes foi novamente ao supermercado para comprar os enfeites para colocar no bolo de aniversário do comissário que Gertrudes ia fazer. Comprou chocolate e coco ralado. Depois das compras foi para casa, e foi almoçar, junto com o seu cão júnior.
Depois do almoço arrumou tudo, e assentou-se na sua cadeira de baloiçar a fazer tricô. Fazia um xaile para coloca nas costas para os dias frios de inverno. Quando estava a acabar o trabalho, tocaram novamente na enérgica campainha.
-Já vou! Já vou. – Disse Gertrudes e foi á porta.
-Olá avó, não queres vir agora brincar connosco para o parque? – Perguntou Roberto.
-Está bem meninos. Eu vou. – E Gertrudes fechou a porta de casa, e foi com as crianças até ao parque.
Estiveram a jogar á bola, nos baloiços, e Gertrudes esteve assentada num banco de jardim porque estas brincadeiras já não eram para a sua idade. Quando se aproximava a hora de jantar, Gertrudes disse.
-Meninos, está na hora de irem. Os vossos pais já devem estar á vossa espera para o jantar!
-Oh! – Disseram as crianças.
-Logo já nos vemos na feira. – Disse Gertrudes.
-Está bem avó. – Disse roberto.
-Até logo avó! – Disseram as crianças.
-Até logo meninos! – Disse Gertrudes, e ela e as crianças dirigiram-se cada qual para a sua casa. Quando Gertrudes chegou, o júnior encontrava-se na porta a ladrar.
-Olá júnior! Estavas á minha espera? Tens fome? Num acaso já é hora de jantar! – Disse Gertrudes.
-Au! – Ladrou o cão.
-Bem me parecia. Até eu já estou com fome! – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para a cozinha, preparou o jantar e deu a comida ao júnior. Depois do jantar e da cozinha arrumada, Gertrudes encaminhou-se para a sua cadeira de baloiçar, junto com o seu pequeno cão branco, a acabar de tricotar o seu novo xaile para o Inverno. Pouco tempo depois de acabar o xaile, a campainha da casa tocou. E Gertrudes encaminhou-se para a porta sabendo já quem seria. Ela abriu a porta e disse.
-Olá Rogério. Já estava á tua espera. – Disse Gertrudes algo envergonhada.
-Sim? Mas foi a esta hora que foi combinado. – Disse roberto.
-Sim, foi. Mas vamos? – Disse Gertrudes prontamente.
-Vamos! – Disse Rogério, e Gertrudes fechou a porta e ambos encaminharam-se para a feira.
Seguiram ambos lado a lado a recordarem-se de como era a feira na época em que eram crianças. Esta conversa seguiu-se na curta distância entre a casa de Gertrudes e o local onde a feira foi montada.
-Chegamos. – Disse Rogério.
-Pois. Chegamos. Oh, estão ali as crianças, vamos! – Disse Gertrudes quando avistou as crianças, e ela e Rogério encaminharam-se para lá.
-Olá meninos. Já estão cá á muito tempo? – Perguntou Gertrudes.
-Não. Chegamos mesmo á pouco. – Responderam as crianças.
-Então vamos nos divertir ou não? – Disse Rogério cheio de genica. Podia ser velho, mas ainda tinha força de vontade.
-Vamos então! – Disse Gertrudes, e seguiram rumo pelo amplo espaço onde a feira estava ocupada, e caminharam entre os carrosséis, barracas de algodão doce, palhaços e as barraquinhas dos prémios.
-Eu acho que conheço aqueles palhaços! – Pensou Gertrudes para si própria enquanto olhava para um par de palhaços.
-Vamos para os carrosséis! – Disse o Roberto.
-Vamos! – Concordaram as outras crianças.
-Avó, não vens? – Perguntou Raquel.
-Não minha querida, eu e o Rogério já estamos velhos para andarmos de carrosséis! Vamos estar aqui a passear e a ver a feira, daqui a pouco vamos para a tenda grande para irmos ver o espectáculo! – Disse Gertrudes.
-Está bem avó, onde nos encontramos? – Perguntou Jorge.
-Encontramo-nos dentro de uma hora junto á entrada da tenda grande onde se vão dar os espectáculos. – Disse Gertrudes.
-Está bem. – Disseram as crianças.
-Portem-se bem, e divirtam-se! – Disse Gertrudes.
-Então Gertrudes, vamos ver a feira. – Disse Rogério, e ambos os idosos caminharam pela feira, no meio de uma imensidão de povo. O mais provável é que toda a população da cidade encontrava-se ali. Rogério falava com algumas pessoas por quem passava e conhecia, tal como Gertrudes. Eles iam a andar, e embateram levemente numa pessoa que Gertrudes tão bem conhecia.
-Olá Gertrudes! – Disse Ofélia, a proprietária do café.
-Olá Ofélia! Já viste que imensidão de gente que está? Deve estar a cidade toda! – Disse Gertrudes.
-Pois deve minha cara Gertrudes! Se agora estivesse com o café aberto não teria clientes! Porque as pessoas hoje estão todas aqui! - Disse Ofélia, tentando falar no meio daquela barulheira.
-Então vais ver o espectáculo daqui a pouco? – Perguntou Gertrudes.
-Claro que vou minha querida! Temos de aliviar um pouco a cabeça! Não pode ser só trabalho! Mas temos de nos mexer depois para arranjar lugar, porque senão ficamos de pé e isso não é nada bom para os nossos reumatismos! – Disse Ofélia.
-É verdade minha querida, é verdade! Vou continuar a passear pela feira. Até já, vemo-nos no espectáculo! – Disse Gertrudes.
-Até já Gertrudes! – Disse Ofélia.
-Vamos Rogério? - Disse Gertrudes para Rogério que se encontrava a falar com o marido da Ofélia.
-Sim vamos. – Disse Rogério para a Gertrudes. – Até já Alfredo, vemo-nos no espectáculo! – Disse Rogério para o marido da proprietária do café.
E continuaram o passeio entre a imensidão de gente, iluminada pelas luzes e os holofotes dos carrosséis. Uma noite muito festiva, como era sempre quando vinha a feira. Enquanto iam a andar chocaram contra três velhotas, uma de estatura alta e elegante, uma de estatura média e uma mais baixa e roliça. Quando olharam para elas reconheceram-nas imediatamente.
-Irmãs Encanto! Por aqui? – Disse Gertrudes.
-Olá Gertrudes! Não achas que já estás velha de mais para andar a correr atrás dum par de calças? – Disse Glória, a mais roliça das irmãs enquanto olhava para Rogério.
-O Rogério? Não, ele convidou-me para vir com ele á feira e as crianças. Não ando a correr atrás de ninguém. – Respondeu Gertrudes as três irmãs.
-Hum. Não trouxeste o teu horrível animal para o espectáculo? Ele era perfeito para o circo! – Disse glória ironicamente.
-O Júnior? Não, não o trouxe. A esta hora estará a dormir. E também os locais com muitas multidões não dão para ele. Especialmente se estiverem víboras por perto! Adeus irmãs, vemo-nos no espectáculo. – Disse Gertrudes.
-Oh! Sua... – disse Glória e as outras duas irmãs irritadas enquanto Gertrudes e Rogério viraram as costas e seguiram rumo para a tenda grande onde se realizaria o espectáculo.
-Oh Gertrudes, tu foste formidável! Puseste as irmãs encanto num estado de nervos! – Disse Rogério a rir-se.
-Elas estavam a pedi-las! E ninguém critica o meu júnior! – Disse Gertrudes patrioticamente.
-Muito bem Gertrudes! – Aplaudiu Rogério.
E finalmente chegaram á entrada da tenda onde se realizaria o espectáculo.
-Que estranho, as crianças ainda não chegaram. Vamos esperar por elas. – Disse Gertrudes.
Dois minutos depois apareceram as crianças.
-Então meninos? Divertiam-se? – Perguntou Gertrudes.
-Divertimo-nos muito avó! Andamos nos carrosséis e tudo! – Disse a Daisy.
-Ainda bem que se divertiram. – Disse Gertrudes.
-E a avó divertiu-se? – Perguntou roberto.
-Nem sabes o quanto nos divertimos! A Gertrudes respondeu bem às irmãs encanto! – Disse Rogério.
-O que aconteceu Rogério? – Perguntaram as crianças. E Rogério contou o que se passou, enquanto as crianças se riam.
-A avó respondeu-lhe das boas! – Disse Jorge enquanto se riam.
-Não foi nada! Apenas elas me irritaram e eu retribui-lhes da mesma moeda! – Disse Gertrudes enquanto se ria do que tinha dito. E as irmãs encanto passaram por eles com um ar de superioridade. E todos começaram a rir-se mais.
-Ai estas irmãs! Não sei o que seria da nossa cidade sem elas! Vamos entrar? – Perguntou Gertrudes, e depois todos encaminharam-se para para dentro da tenda, e assentaram-se junto a uns lugares que se encontravam livres e que estavam a ser guardados pela Ofélia.
-Oh Ofélia! Guardaste-nos os lugares! – Disse Gertrudes.
-Claro! As irmãs Encanto ficaram com os últimos três lugares, e eu guardei esta zona para ti, para o Rogério e as crianças! – Disse Ofélia.
-Obrigada. – Disse Gertrudes, e todos assentaram-se nos lugares. E Gertrudes acenava a alguns conhecidos, como os pais das crianças e outros amigos que ela tinha, como o comissário que se encontrava na primeira fila.
-Olha o comissário, está na primeira fila! Deve estar ali ao tempo para ter conseguido esse lugar! – Disse Gertrudes.
-O comissário já se encontrava ali antes de eu ter chegado. – Disse Ofélia.
-Avó, já vai começar o espectáculo! – Disse Roberto. E em seguida as luzes apagaram-se. E começou o espectáculo, apareceu o apresentador, e depois apareceram os artistas. Depois de todas as apresentações iniciou-se o espectáculo. Iniciou-se com os trapezistas, depois foram os palhaços, em seguida os equilibristas, os mágicos, os leões, os cavalos, o encantador de serpentes e o ilusionista. Gertrudes estava tão contente como as crianças.
-Magnifico! – Dizia Gertrudes e as crianças aplaudiam energeticamente juntamente com o Rogério.
Mas tudo que é bom também tem um fim, e o espectáculo acabou, e toda a cidade que se encontrava dentro daquela tenda começou a ir-se embora porque já era tarde e também amanha era um novo dia.
-Até amanha meninos! – Disse Gertrudes às crianças que já se iam embora com os seus pais.
-Então Gertrudes, gostaste do espectáculo? – Perguntou Rogério.
-Sim gostei muito! Foi muito divertido. – Disse Gertrudes.
-Queres que te acompanhe a casa? – Disse Rogério.
-Não é necessário. Mas obrigada. Vai para casa descansar que eu moro já ali ao fundo da rua.
-Então está bem. Até amanha Gertrudes. – Disse Rogério, o adjunto do comissário.
-Até amanha Rogério. – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para casa.
Quando chegou a casa, Júnior encontrava-se a dormir profundamente. Também já era tardíssimo. Gertrudes vestiu a sua camisa de dormir e depois preparou um chá para beber antes de se deitar. Quando se ia preparar para se deitar, o telefone começou a tocar, e Gertrudes sobressaltou-se. – Quem será a estas horas? – Perguntou ela, e apreçou-se para atender o telefone.
-Estou? – Disse ela.
-Sim Gertrudes, desculpe estar a ligar-lhe a estas horas da noite, mas é que aconteceu algo de grande importância.
-Sim? – Questionou Gertrudes, para o homem que falava do outro lado, que reconheceu de imediato ser a voz do comissário Alberto.
-Três casas foram assaltadas hoje á noite. Não estava ninguém em casa porque hoje todas as pessoas estavam na feira. – Disse o comissário.
-E o que roubaram? – Perguntou Gertrudes impacientemente.
-Roubaram ouro, jóias e dinheiro. – Disse o comissário.
-E ligou-me para investigar o caso? – Perguntou Gertrudes.
-Hum, sim…
-Vou fazer o que puder.
-Amanha de manha passarei por ai para lhe dar conhecimento dos factos dos roubos em questão. – Disse o comissário.
-Está bem. – Disse Gertrudes.
-Obrigado Gertrudes. Até amanha. – Disse o comissário e depois desligou.
-Afinal a vaga de assaltos chegou á nossa região. – Disse Gertrudes para si própria enquanto tomava o chá. Quando acabou foi para o seu quarto.
-Afinal já tenho muito trabalho para amanha! Tenho de fazer o bolo de aniversário do comissário, e tenho uma investigação em mãos. Vou dormir que amanha tenho de acordar cedo. – Disse Gertrudes para si própria e adormeceu preparando-se para o que o dia seguinte lhe esperava.
III
Eram sete da manha e Gertrudes acordou. Despertou tão cedo como o sol, porque hoje não havia tempo a perder. Gertrudes tomou o banho matinal, vestiu-se e tomou o pequeno-almoço. Depois começou a confecção do bolo para o comissário. Era um bolo de maça e amoras, coberto com chocolate, coco ralado e alguns morangos a ornamenta-lo. Quando acabou a preparação do bolo já eram nove horas, e dentro de momentos o comissário iria aparecer. Então ela escondeu rapidamente o bolo no quarto, para que o comissário não desconfiasse da sua surpresa.
Depois de tudo feito, Gertrudes assentou-se ao lado do júnior na cadeira de baloiçar a ler um romance policial. Pouco tempo depois a campainha tocou, e Gertrudes foi á porta.
-Olá comissário. Já estava á sua espera! – Disse Gertrudes.
-Olá Gertrudes. Já leu o jornal hoje? – Perguntou o comissário.
-Não, ainda não. – Admitiu Gertrudes.
-Então leia o título da primeira página. – Disse o comissário, e entregou a Gertrudes o jornal. Na primeira capa, em letras garrafais dizia «Onda de assaltos chega a Freibur. Será coincidência com os outros assaltos?»
-O titulo dá que pensar. Também já me perguntei se esta vaga de assaltos tem alguma ligação. Mas entre comissário! – Disse Gertrudes imediatamente.
-Hum, que cheiro! Andou a cozinhar? – Perguntou o comissário.
-Não, não! Deve ser das tartes de ontem. Conte-me então os pormenores do assalto. – Disse Gertrudes mudando de assunto para que o comissário não desconfiasse que ela tivesse feito um bolo.
-Ah sim. Os roubos! Foi assim, ontem á noite o assaltante aproveitou-se do facto da cidade se encontrar completamente vazia devido ao facto das pessoas estarem na feira e assaltou três casas. As três encontravam-se na mesma rua. – Disse o comissário.
-Mas quando as pessoas deram pelo roubo? – Perguntou Gertrudes.
-Quando as pessoas chegaram a casa deram com a casa toda desarrumada e a fechadura da porta forçada.
-Hum. E o que roubaram? – Perguntou Gertrudes.
-Nas três casa foram roubadas jóias, ouro e dinheiro. Foi um assalto que não foram deixadas pistas, nem marcas digitais nem nada! Pensa-se que o assaltante usava luvas.
-É um assalto que num dia qualquer se dava por ela devido ao barulho que deve ter ocorrido. Mas o nosso assaltante planeou tudo muito bem! Escolheu um dia em que a cidade estivesse deserta. – Referiu Gertrudes.
-Tem toda a razão. Foi um assalto que decorreu num determinado tempo, de modo a que não houvesse pistas. – Admitiu o comissário.
-Tenho de ver se á alguma pista. – Disse Gertrudes.
E tocou a campainha, e Gertrudes encaminhou-se novamente á porta.
-Bom dia avó! – Disseram as crianças.
-Bom dia meninos! – Disse Gertrudes.
-Avó, que vamos fazer hoje? – Perguntou Roberto.
-Vamos agora á cidade para as casa onde decorreram os assaltos. – Disse Gertrudes.
-Vamos investigar avó? – Perguntou Raquel.
-Vamos tirar conclusões, e procurar algo que tenha escapado á policia. Ide chamar o Rogério para ir lá ter. Quantos mais melhor na caça as pistas! – Disse Gertrudes.
-Está bem avó. – Disseram as crianças e encaminharam-se rumo ao Rogério.
-Está bem meninos, vemo-nos já! – Disse Gertrudes e encostou a porta.
-Vamos comissário, para a cidade! Comissário, o que está a fazer no meu forno? – Perguntou Gertrudes ao comissário que se encontrava a cheirar o forno de Gertrudes.
-Ah nada. Só estava a… hum… nada. – Disse o comissário atrapalhado por ser apanhado em flagrante, e ambos saíram da casa e encaminharam-se para o Volkswagen carocha da Gertrudes.
E seguiram rumo para a cidade. Quando chegaram a rua das casas onde ocorreu o assalto, estacionaram o carro e encaminharam-se a pé pelo passeio para a porta de uma casa que foi assaltada.
-O ladrão foi logo escolher a rua das famílias mais ricas da nossa cidade! – Disse Gertrudes.
-É verdade. Escolheu em cheio! – Disse o comissário. E pouco depois chegaram as crianças com o Rogério.
-Bom dia Gertrudes. – Disse o Rogério.
-Bom dia Rogério. Está na hora de procurar! – Disse Gertrudes.
-Palavra de Rogério, quando se quer encontrar encontra-se! Mas do que estamos á procura afinal? – perguntou Rogério um pouco confuso.
-Pistas que nos indiquem quem é que fez isto. – Disse Gertrudes e apontou para as três casa que estavam a ser arranjadas depois do assalto que tiveram.
-Hum, está bem. – E Rogério começou a procurar, sem saber do quê.
-A entrada desta casa está toda suja! – Disse o Jorge, e Gertrudes olhou para o sítio que a Jorge apontava.
-Espera Jorge! Isso ai sujo parece que foi deixado por um sapato! Pode ser a nossa pista! O comissário tem aí uma câmara? – Perguntou Gertrudes.
-Sim tenho! – E entregou-a a Gertrudes.
-Obrigada. – Disse Gertrudes, pegou na câmara que o comissário lhe entregou e tirou uma foto á pegada de terra.
-Vamos chamar os habitantes desta casa para ver se esta pegada não pertence a nenhum deles. – Disse Gertrudes, e em seguida o comissário tocou á campainha e apareceu o dono da casa, e depois de o comissário ter explicado o sucedido, o homem chamou a sua esposa e o filho, que eram os únicos habitantes da casa. Um a um colocou o pé ao lado da pegada que se encontrava no chão, e nenhum tinha o pé tão grande como o da pegada, o que queria dizer que aquela pegada pertencia ao ladrão!
-Esta pegada é sem dúvida a nossa pista! Meninos, missão pés grandes! Autorização para meterem o nariz em tudo! Temos de descobrir a quem é que pertence esta pegada. Eu vou ali á redacção do jornal para tirar umas averiguações! Encontramo-nos daqui a três horas no café da Ofélia. – Disse Gertrudes.
-Ás suas ordens! – Disseram as crianças.
-O que estás a pensar Gertrudes? – Perguntou Rogério aflito.
-São apenas sugestões. Essa pegada é muito sugestiva. – Disse Gertrudes.
E encaminhou-se para a redacção do jornal enquanto as crianças se encaminharam na busca que tinham em mãos.
Do outro lado da rua, a espiar encontravam-se três velhotas que vieram saber mais sobre o assalto que ocorreu e que ouviram todo a conversa que Gertrudes teve.
-Ouviram meninas? Este é um caso para nós resolvermos! É desta que seremos as detectives do comissário. – Disse Glória, a irmã mais roliça das três irmãs Encanto.
-Vamos atrás da Gertrudes! – Disse a Gracinda.
-Vamos ver o que ela anda a conspirar! – Disse a Graça.
É desta manas que seremos notícia de primeira página! – Disse Gloria, e depois as três irmãs encaminharam-se á socapa atrás da Gertrudes.
As crianças procuraram por todos os lugares possíveis. O roberto foi ver o tamanho dos sapatos do banqueiro, o Carlos viu os do farmacêutico, a Daisy viu do padre, o Jorge viu do mecânico, a Raquel viu do merceeiro, e a Joana até viu os do pastor. Vasculharam os sapatos de todas as pessoas da cidade, até foram ver os pés da estátua, mas nenhum tinha o tamanho do sapato. Desiludidas as crianças foram para o ponto de encontro. Quando lá chegaram já Gertrudes, o comissário e o Rogério se encontravam na esplanada do café. Ao lado da mesa onde se encontravam estavam três velhotas de costas, com um xaile na cabeça, que não permitia que elas fossem reconhecidas.
-Então meninos descobriram alguma coisa? – Perguntou Gertrudes.
-Infelizmente não avó. – Falou roberto.
-Bom, a investigação está a fazer progressos!
-Como avó? Nos não descobrimos nada! – Disseram as crianças.
-Ai é que se enganam meninos! Vocês completaram uma teoria que elimina muitas pessoas. – Disse Gertrudes.
-No que andas a pensar Gertrudes? – Perguntou Rogério.
-Teorias! Apenas teorias! Meninos, já podem ir brincar. Obrigada, contribuíram muito. – Disse Gertrudes.
-Esta bem avó! – Disseram as crianças e foram. Mas ficaram escondidas na esquina do café para ver o que Gertrudes dizia para eles a poderem ajudar se fosse preciso.
-No que pensas Gertrudes? – Perguntou Rogério.
-A pegada que descobrimos não é de calçado normal. É um calçado estranho, diria que é um calçado feito para artistas de animação. As crianças procuraram por toda a cidade e não á ninguém que tenha calçado que faça uma pegada tão grande. E penso que já sabem de onde vem a pegada? - Perguntou Gertrudes.
-Estás a dizer que o nosso ladrão é um artista da feira? – Disse o Rogério enquanto o comissário escutava atentamente.
-Sim! E tenho mais provas! Eu fui como sabem á redacção do jornal, e fui lá saber os locais todos onde ocorreram esses assaltos. Depois de ter essa lista eu encaminhei-me para a feira e fui falar como o proprietário da feira e perguntei-lhe do trajecto da mesma, e penso que já estão a ver a resolução? – Disse Gertrudes.
-O percurso da feira corresponde ao percurso por onde decorreram os assaltos? – Disse o comissário.
-Exactamente! E ainda á mais! Todos os assaltos decorreram do mesmo modo que ocorreu aqui em Freibur! Na noite da feira, enquanto a cidade se encontrava vazia devido ao facto das pessoas estarem no espectáculo ocorriam os assaltos do mesmo modo que aconteceu aqui! – Disse Gertrudes.
-O assaltante é um artista do circo! – Disse Rogério.
-Nem mais! Agora o que falta saber é quem é! – Disse Gertrudes.
-Vou mandar os meus homens para a feira já para vasculharem tudo e descobrirem quem é o ladrão.
-Não faça isso! É pouco prudente, e o mais provável era que o ladrão conseguisse escapar. Temos de planear tudo! – Disse Gertrudes.
-Eu agora tenho de ir. Adeus. Quando souberem o que fazer digam-me! – Disse o comissário e foi-se embora.
-Rogério, eu tenho um plano! – Disse Gertrudes quando o comissário foi-se embora.
-Já temia que dissesses isso! – Disse o Rogério.
-Logo vamos á feira.
-Mas a feira está fechada! – Disse Rogério.
-Exactamente! Por isso mesmo é que vamos entrar á socapa, e procurar o ladrão! Penso que os sapatos utilizados no roubo, eram sapatos de palhaço. – Disse Gertrudes.
-Então é por isso que a pegada é tão grande! – Disse Rogério.
-Exactamente. Logo vai ter á minha casa às sete horas! Não te atrases! – Disse Gertrudes e saiu da mesa, e encaminhou-se para o seu carocha rumo a casa. Em seguida Rogério fez o mesmo.
Na esquina do café ainda encontravam-se as crianças que estiveram a escutar a conversa.
-Ouviram! A avó Gertrudes vai precisar de nós! – Disse Roberto.
-Mas ela não nos pediu ajuda! – Disse Daisy.
-Sim, mas nós estaremos por perto caso corra mal! Agora vamos. – Disse Roberto. E as crianças foram preparar-se para ajudarem Gertrudes, e também foram fazer o bolo surpresa para o comissário.
Na mesa ao lado onde Gertrudes e os outros encontravam-se, começaram a falar entre si as três velhotas.
-Ouviram tudo manas? O ladrão é um dos artistas do circo! – Disse Glória.
-Temos de ser as primeiras a encontra-lo! – Disse a Graça.
-Meninas, hoje temos de chegar primeiro á feira do que a Gertrudes! Vamos antes da hora do jantar! Enquanto estiverem a jantar nos lançamos a investigação! – Disse a Gloria.
-Sim. – Disse a graça.
-É desta manas! É desta que venceremos a Gertrudes! Vamos para a casa para nos preparamos para logo e para fazer o bolo do comissário! – Disse Glória, e em seguida as três irmãs seguiram rumo para a sua casa que se encontrava ao lado do café.
Em casa, Gertrudes guardava o bolo dentro de uma caixa própria de bolos, e depois preparou umas sandes e uma salada para jantar. Não apetecia comer uma comida pesada antes das investigações. Gertrudes jantou e no fim arrumou tudo, colocou o bolo dentro do carro e foi para casa esperar pelo Rogério. Gertrudes estava ao lado do seu cão júnior que se encontrava a dormir. Estava a ler um livro quando a campainha tocou.
-Olá Rogério! Está na hora! – Disse Gertrudes.
-Tens a certeza do que vais fazer? – Perguntou Rogério.
-Tenho! Anda, vamos! – E foram para o carro de Gertrudes e seguiram rumo para a feira.
Já na feira, encontravam-se as irmãs Encanto a entrarem á socapa para realizar as suas averiguações.
-Vamos meninas! Mexam-se! – Disse a Gloria.
-Espera gloria! Estamos cansadas! – Disse a Gracinda que segurava a caixa que tinha o bolo do comissário.
-Meninas, a glória ultrapassa qualquer cansaço! Imaginem a Gertrudes a ter de admitir que nós somos melhores do que ela! – Disse Gloria.
-Tens razão. – Disse a Graça.
-Claro que tenho manas! Eu tenho sempre razão! – Disse Gloria e as três começaram a investigar.
-Escondam-se! Vem aí alguém! – Disse Gloria para as três irmãs quando se encontravam a contornar uma das caravanas da feira. E passou um homem que supostamente se dirigia para o refeitório, e as irmãs deram voltas e voltas á feira e não descobriram nada de interessante.
-A Gertrudes já deve andar para ai a vasculhar! – Disse Graça olhando para o relógio de pulso que marcava já sete e dez.
-Pois deve. Vamos então procurar a Gertrudes e depois seguimo-la! Depois apanhamos o ladrão e ficamos com os louros! Um plano brilhante! – Disse a Gloria.
-Sim! – Disseram as outras duas irmãs.
As três irmãs encaminharam-se novamente para a zona das caravanas, e lá avistaram a Gertrudes e o Rogério.
-Olhem manas! Aqueles dois juntos! Quando a cidade souber disto! – Disse Gloria.
Gertrudes estava a olhar para uma auto caravana em especial, e Rogério reparou no ar de curiosidade que Gertrudes irradiava.
-Em que pensas Gertrudes? – Sussurrou Rogério.
-Penso que esta possa ser a caravana do nosso ladrão! E possivelmente onde se encontra os bens roubados. – Disse Gertrudes.
-A caravana dos palhaços? – Questionou Rogério.
-Sim, anda! Está com a porta aberta! – Sussurrou Gertrudes.
-Mas não achas arriscado? Não estará ninguém? – Perguntou Rogério com preocupação.
-Não. A esta hora estarão todos a jantar! Temos o caminho livre. Já reparaste que esta terra também corresponde á que nós encontramos na zona das casa roubadas? A da pegada! – Disse Gertrudes.
-Não. Mas visto bem, sem duvida que a nossa pegada misteriosa saiu desta zona! – Disse o Rogério.
E em seguida os dois entraram na caravana. Lá dentro tinha duas camas, uma pequena mesa, um armário e roupas de palhaço. Gertrudes pegou num par de sapatos de palhaço que estavam lamacentos.
-Está aqui a nossa pegada! É deste sapato que foi deixada a pegada misteriosa. O nosso ladrão é desta caravana, ou esteve nesta caravana! – Disse Gertrudes.
-Sim concordo. – Disse Rogério.
-Vamos procurar agora nesta caravana se estão aqui os bens roubados. Penso que podem estar aqui nalgum lado. – Disse Gertrudes, e começaram a procurar. Procuraram debaixo das camas, dentro das gavetas, em todos os sítios possíveis.
-Gertrudes aqui não está nada! – Disse Rogério.
-Os ladroes esconderam bem esse tesouro! Mas espera, ali atrás da porta! Tem uma fenda! – Disse Gertrudes quando reparou num pequeno espaço junto á porta da caravana.
-Anda Gertrudes. Vamos ver o que está aqui! – disse Rogério. Quando viram bem a zona onde estava o orifício repararam que aquilo era um pedaço da parede que era falso. Então eles abriram aquele alçapão falso na parede e o que lá se encontrava era uma grande quantidade de jóias e imenso dinheiro.
-Gertrudes tens razão! O nosso ladrão deve viver nesta caravana!
No lado de fora as três irmãs observavam tudo de longe, e viram dois homens a encaminharem-se para a caravana onde Gertrudes e o Rogério se encontravam.
-Olhem manas! Aqueles dois homens! A Gertrudes e o Rogério vão ser apanhados! – Disse Gloria.
-O que fazemos? – Perguntou a Gracinda.
-Não fazemos nada! Ficamos aqui a ver! – Disse Gloria, e as outras duas irmãs não se mexeram.
No interior da caravana, Gertrudes e Rogério estavam a por todo o recheio que se encontrava na parede falsa dentro de sacos. Quando terminaram Gertrudes disse.
-Rogério vamos sair daqui e ficamos lá fora escondidos de vigia, para ver quem entra nesta caravana, e depois descobrimos o ladrão. – Disse Gertrudes, e no preciso momento a porta abriu, e Rogério disse.
-Gertrudes, acho que não temos de encontrar o ladrão. Foi o ladrão que nos encontrou a nós! – Disse Rogério.
-O que fazem aqui seus velhos curiosos! – Perguntou o homem baixo e bastante corpulento.
-Nós sabemos que foram vocês que fizeram os assaltos! – Disse Gertrudes.
-Ai sim? Então chefe o que fazemos? – Disse o outro homem que era alto e esguio.
-Este par de velhos sabe de mais! Temos de os silenciar. Agarra-los! – Mandou o outro homem.
-Largue-nos! Largue-nos! – Gritou Gertrudes.
-Não vale a pena gritar! Os outros não saem do refeitório tão cedo. Jhin leva-os para as diversões! – Ordenou o outro homem.
-Já sei quem vocês são! São o Jhin e Clin, um par de assaltantes que á três anos fugiu da cadeia! Foi um dos casos que resolvi! Nessa altura vocês dedicavam-se a assaltar ourivesarias! – Disse Gertrudes como um relâmpago, enquanto ela e Rogério eram amarrados.
-Estou a ver que esta é uma velha muito astuta. E agora vamos vingar-nos de si por se ter metido na nossa vida novamente! Anda Jhin, traz esse par de velhos coscuvilheiros que não saíram daqui vivos para contar o que sabem. – Disse Clin.
-Está bem Clin. – Disse Jhin e empurrou os dois idosos indefesos até ao sitio das diversões onde se encontravam as cadeirinhas.
-Rogério, parece que esta será a ultima vez que andaremos num carrossel. – Desculpou-se Gertrudes.
-Parece que sim. – Disse Rogério sem esperança.
Quando o Jhin se encontrava a amarrar Gertrudes e Rogério a um lugar nas cadeirinhas, surgiram três velhotas.
-Parem bandidos! – Soltou Gloria a voz pela feira.
-Mas que é isto? Isto é uma feira ou um asilo de velhos? – Disse Clin.
-Malandro. – Disse a Graça.
-Ordinário! – Disse a Gracinda.
-Mal criado! – Disse a Gloria.
-Amarra-me esses velhos loucos! – disse Clin.
-Como queira chefe. – Disse Jhin.
-Parece que esta será a vossa ultima viagem velhotes! Este carrossel foi programado para que acelere substancialmente até uma velocidade que como eí de dizer… Perigosa! Quando este carrossel atingir a velocidade máxima vocês, seu bando de velhos coscuvilheiros, irão pelos ares a trezentos e sessenta quilómetros por hora! Irão ficar espezinhados como moscas! – Disse Clin.
-Oh! – Exprimiram as irmãs encanto assustadas.
-Acha que vai levar a sua avante? – Perguntou Rogério.
- Acho? Claro que tenho a certeza! Mais alguma pergunta antes de irem para os anjinhos? – Perguntou ironicamente.
-Eu tenho! Como é que foram aceites como artistas da feira? Vocês são ladrões conhecidíssimos! – Disse Gertrudes.
-Muito fácil! Mudamos a aparência, uma mudança de penteado e visual, também pagamos um bom arrendamento para nos mantermos a trabalhar na feira. – Disse Clin.
-E como trabalham como palhaços, ninguém os reconhece! Muito bem pensado e quase impossível de serem descobertos, além de ser por mim! E escolheram assaltar as casas exactamente no momento em que decorre o espectáculo, porque todas as pessoas se encontram na tenda grande não é?
-Estou a ver que sabe muito! Sim é verdade! Fizemos os assaltos durante o decorrer dos espectáculos. Ninguém desconfia e é muito fácil. Agora não á mais perguntas?
-O que vão explicar quando descobrir-se que morreram cinco pessoas aqui na feira? – Perguntou Rogério.
-Ah, isso é muito fácil! Apenas dizemos que essas cinco pessoas entraram á socapa e meteram-se numa diversão sem autorização. Ligaram-na sem a supervisão de alguém que saiba trabalhar na feira e nos carrosséis, e a diversão acabou por se descontrolar e as cadeiras com os velhos voaram! Muito simples.
-Seu monstro! – Disse Gertrudes.
-Seu bandido, seu assassino! – Gritou Gloria.
- Então se não há perguntas… Jhin liga o carrossel! – Ordenou Clin, e Jhin obedeceu e o carrossel começou a andar, e acelerava aos poucos.
-Socorro! Vamos morrer! – Gritavam as irmãs encanto.
-Desculpa Rogério, ter-te arrastado para aqui… - desculpou-se Gertrudes.
-Não tem mal. A esperança é a ultima a morrer.
Atrás de uma carrinha da feira, as crianças estavam a ver tudo, e preparavam-se para agir.
-Meninos, está na hora! Temos de ir salva-los a todos ou será tarde de mais! – Disse Roberto para as crianças que seguravam uma rede e algumas pedras.
-Ao ataque! – Gritou Roberto, e começaram a correr para os dois homens que estavam a levar com pedras, e num gesto rápido lançaram a rede sobre os dois homens que ficaram lá presos.
-Desliguem! Desliguem o carrossel! – Gritavam as irmãs, Gertrudes e Rogério.
-Sim! – Gritou Roberto e ele e as outras crianças foram a correr para o controlador do carrossel.
- Tantos botões! Qual deles é que é? – Perguntou Roberto em voz alta.
-É o vermelho! – Gritou Gertrudes enquanto que o carrossel começava a abanar devido á velocidade que ia se preparava para o lapso.
-Está aqui! – Gritou Daisy, e Rogério carregou no botão e o carrossel -começou a abrandar até parar finalmente. Depois as crianças foram desamarrar as irmãs, Gertrudes e Rogério do carrossel.
-Como é bom estar com os pés na terra! – Disse Rogério.
-Nunca estive tão perto da morte como agora! Obrigada meninos, se não fossem vocês nós íamos nos transformar em hambúrgueres! – Disse Gertrudes.
-Mas como é que vocês vieram aqui parar? – Perguntou Rogério.
-Bem, nós… Nós ouvimos a conversa que tiveram no café, e decidimos vir caso precisassem de ajuda! – Admitiu Roberto.
-É assim que educas as crianças? A serem coscuvilheiras? – Disse Gloria, mas Gertrudes ignorou o comentário dela.
-É feio escutar a conversa dos outros! Mas ainda bem que a escutaram, porque se não fossem vocês… - disse Gertrudes.
-E as irmãs como vieram cá ter? – Perguntou Gertrudes.
-As nossas investigações trouxeram-nos para aqui! Não temos que te dar nenhumas explicações, não é manas? – Disse gloria.
-Não, não temos que dar nenhumas explicações! – Disseram as outras duas irmãs em uníssono.
-E o que fazemos a estes dois Gertrudes? – Perguntou Rogério.
-Nós chamamos o comissário, ele deve estar a chegar! – Disse Raquel, e nesse preciso momento chegou o comissário.
-Este chega sempre a horas! – Riu-se Gertrudes.
-Os ladrões? – Perguntou o comissário.
-Estão aqui os ladrões! As crianças apanharam dois coelhos de uma cajadada só! – Disse Gertrudes.
-Estou a ver que foram apanhados como peixes! Mas espera… Eles são o Jhin e Clin! Fugiram da prisão á três anos! – Disse o comissário atónito.
-Sim! E foram eles que cometeram os outros assaltos que andam a decorrer pela região toda! Enquanto decorriam os espectáculos, estes ladroes com as cidades desertas apoderavam-se das casas e saqueavam o que quisessem! Foi um crime muito bem pensado, e que não levantaria suspeitas! Mas enganaram-se! Esqueceram de limpar uma pegada que nos levou á feira. Uma pegada de sapatos de palhaço! Eles têm um alçapão falso na parede da caravana deles, e era aí que guardavam o saque do roubo antes de depositarem num banco com nomes falsos! Tudo muitíssimo bem pensado! – Disse Gertrudes e os dois ladrões anuíram.
- Então acabou a comédia! Para a cadeia é para onde vão e de lá não sairão novamente! – Disse o comissário, algemou os dois homens e encaminhou-os para o carro da polícia.
-Espere comissário! Eu tenho o seu bolo de aniversário! – Disse Gertrudes.
-Eu pensei que também se tivesse esquecido! – Disse o comissário.
-Não, não nos esquecemos, nós é que criamos fazer-lhe uma surpresa! Foi por isso que não mencionamos o seu aniversário! – Admitiu Gertrudes.
-Mas nós também fizemos um bolo! – Disseram as irmãs!
-E nós também! – Disseram Rogério e os amigos.
-Então vaiem para a minha casa que eu só vou levar estes dois juntamente com o Rogério á policia, e depois vamos ter a casa. – Disse o comissário, e depois cada um encaminhou-se para o seu carro. O comissário, Rogério e os assaltantes foram no carro da polícia. Gertrudes e as crianças foram no velho carocha, e as irmãs Encanto foram no seu pequeno carro de três lugares que estava escondido de modo que ninguém o conseguisse ver atrás de umas árvores e arbustos. Depois seguiram rumo para a casa do comissário.
Gertrudes, as irmãs encanto e as crianças colocavam na mesa de jantar do comissário três bolos. O das irmãs era um bolo seco, duro e pesado. Era de chocolate. O das crianças era um bolo surpresa de chantilly. Depois de porem os bolos na mesa, chegou o comissário e Rogério.
-Ena! Tenho direito a três bolos de aniversário? – Disse o comissário Alberto. E todos começaram a cantar os parabéns. Quando acabaram o comissário não sabia qual seria o que comia primeiro.
-Prove primeiro o nosso comissário! É uma delícia! – Disse Gloria.
-Hum, depois… - disse o comissário tentando escapar ao bolo das irmãs Encanto. A última vez que comeu um pedaço do bolo delas, ficou com dores de barriga e cólicas durante um mês.
-Comissário, prove o nosso bolo surpresa! – Disse Roberto sorrindo para as crianças.
-Hum… está bem. Tem bom aspecto! Gloria, não te importas de cortar uma fatia do bolo surpresa das crianças? – Disse o comissário.
-Está bem, mas a seguir tem de comer o nosso bolo! – Disse Gloria.
-Está bem. – Disse o comissário, e as três irmãs encaminharam-se para o bolo das crianças. As crianças riam-se imenso. Glória pegou na faca e ia começar a cortar o bolo.
-O vosso bolo é mole! Parece um… - Pum! – Arrebentou o bolo.
-Oh! Que ultraje! Suas crianças mal-educadas! – Disse Glória que tal como as outras duas irmãs se encontravam todas sujas de chantilly enquanto Rogério, as crianças, o comissário e Gertrudes se riam.
-Seus mal criados! Seus vândalos! Estragaram-nos a nossa roupa nova! – Disseram as irmãs encanto.
-Vamos meninas. Vamos embora! Não nos damos com estes selvagens! – Disse Gloria, e as três irmãs foram-se embora altivamente, todas cobertas de chantilly, deixando para trás os outros ocupantes da casa a rir-se.
-Então era isso o bolo surpresa? – Perguntou Gertrudes.
-Sim era! O bolo surpresa é um balão coberto de chantilly. – Disse roberto e as outras crianças riam-se.
-E aquele bolo era para mim! – Disse o comissário indignado.
-Era! Mas o comissário pediu às irmãs para lhe cortarem uma fatia! Não podia ter sido uma surpresa maior!
-Meninos, as irmãs não gostaram nada! – Disse Gertrudes, e as crianças continuaram a rir-se.
-Vamos comer o bolo da Gertrudes ou não? – Perguntou Rogério.
-Claro que vamos! Vamos comer o melhor bolo da cidade! – Disse o comissário.
-Obrigada! Mas as irmãs deixaram aqui o bolo delas? O que vai fazer? – Perguntou Gertrudes.
-Já tenho uma ideia… vou oferece-lo aos nossos ladrões. Aposto que eles se irão se deliciar! – Disse o comissário e todos começaram a rir-se!
-Mas comissário, isso é um castigo muito severo! Consegue ser pior do que a prisão perpétua! – Disse Roberto e todos ainda se riram mais e começaram a comer o bolo. Enquanto comiam, o comissário lembrou-se e perguntou a Gertrudes.
-Gertrudes, como é que as irmãs Encanto foram parar á feira?
-As irmãs andaram a espiar os meus passo durante o dia todo, elas pensavam que eu não as tinha visto. Lembra-se daqueles três mulheres de lenço na cabeça que estavam na esplanada do café? - Perguntou Gertrudes.
-Sim lembro! Porque? Eram elas? – Perguntou o comissário.
-Sim! Eram! Estavam camufladas! Pensavam que ninguém as tinha reconhecido, mas enganaram-se! Eu depois vi elas a espiarem todo o percurso que tive durante o dia!
-Aquelas irmãs estão cada vez pior. – Disse o comissário.
-Pois. Já se faz tarde, é melhor ir. Meninos temos de ir! – Disse Gertrudes para as crianças que estavam a brincar.
-Já? - Disseram as crianças.
-Sim! Os vossos pais já devem estar á espera.
-Oh… - exprimiram as crianças.
-Obrigado Gertrudes pelo bolo! Amanha eu vou devolver tudo o que foi roubado das três casa da cidade, e o que se encontra nos bancos vai ser devolvido a todas as outras pessoas que foram roubadas nas outras regiões! – Disse o comissário.
-Está bem. Tudo voltará a quem pertence, é isso que importa. Até amanha comissário. – Disse Gertrudes e depois ela, as crianças, e depois roberto despediram-se do comissário Alberto.
-Até amanha Rogério. – Disseram as crianças e Gertrudes.
-Até amanha meninos. Até amanha Gertrudes. – Disse Rogério e seguiu rumo para a sua casa que era perto da casa do comissário. Depois Gertrudes levou as crianças a casa, e por fim chegou a casa cansada do dia que tivera.
Quando chegou, o júnior estava acordado.
-Olá júnior! Nem sabes o dia que tive!
-Au… - ladrou o cão.
E depois Gertrudes falou para o cão sobre a aventura que teve, e como esteve tão perto da morte. No fim de meditar sobre o dia, tomou a sua chávena de chá e foi dormir, preparada para que mais aventuras viessem.
IV
-O comissário mandou-vos um bolo do aniversario dele! – Disse um dos carcereiros da prisão de Olivin, para onde Jhin e Clin foram mandados.
-O comissário mandou-nos um bolo? Que atencioso… - disse Jhin, e o carcereiro entregou-lhes uma caixa de bolo e saiu da cela.
-Abre a caixa. – Disse Clin, e Jhin obedeceu. Abriu a caixa e lá estava um bolo de chocolate inteiro.
-Um bolo só para nós! Isto é que é vida! – Disse Clin.
-É estranho terem mandado um bolo depois de termos tentado matar os velhotes! Nunca fomos tão longe, mas as condições exigiam decisões implacáveis! E aquela maldita velhota voltou-nos a apanhar! Não tinha pena nenhuma que ela desaparecesse do mapa! – Disse Clin.
- É verdade! Maldita velhota! Mas vamos é comer o bolo! – E Jhin cortou o bolo em fatias.
-É pesado este bolo! E tem um sabor estranho! – Disse Clin.
-Tens razão… Mas vamos comer que não teremos destas regalias tão cedo! – E eles comeram o bolo todo. No dia seguinte tinham dores de barriga que se prolongaram durante cerca de um mês.
-Maldito comissário, nunca mais irei comer um bolo na vida! – Disse Clin.
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