sexta-feira, 6 de abril de 2012

"As Aventuras de Miss Getrudes - In freibur"


2º Episódio
"O Segredo da Torre"

-Que calor está hoje! Não acham meus queridos? Num acaso escolhemos um bom dia para irmos fazer uma visita á velha torre do relógio! – Disse Gertrudes com um ar aventureiro.
- Oh avó! O relógio é muito velho? - Questionou a pequena Daisy, a mais nova do grupo do Roberto.
-Sim minha querida, quando eu nasci já o relógio se encontrava bem no centro de Freibur. É um ícone da nossa cidade, mas infelizmente está a ficar deteriorado com a idade. Já não é renovado á anos!
- Oh! Que pena. – Falou o Carlos, o mais cheinho do grupo.
- Pois é! Mas penso que ainda existirão umas fotos de como o relógio era antigamente. Vinha gente de todo os lugares para vê-lo a suar as horas, para ver o coco sair e cantar de dentro da sua portinhola. Infelizmente o coco já não faz o seu trabalho.
- E porque o coco já não trabalha mais? - Questionou Roberto, o mais traquina do grupo.
- Porque infelizmente acabou por avariar e não voltaram a arranja-lo.
- E não arranjam o relógio porque? – Interrogou Raquel, a mais velha do grupo a seguir a Roberto.
- Guardem as perguntas para o guia que nos vai apresentar a torre do relógio. Ele saberá muito mais que eu! – Disse Gertrudes sorrindo.
- Avó, vamos no teu carro? – Questionou Jorge, o rapaz mais novo do grupo.
- Sim vamos. Como podem ver, o meu carro pode ser velho, mas não está deteriorado como o relógio. E sabem porque? – Questionou a velha e reformada professora primária.
- É porque a avó todos os anos arranja o carro, assim ele está sempre em bom estado e não avaria. – Respondeu a traquina Joana.
- Pois é. E eu não quero que o meu carro avarie. Pode ser velho e antiquado para os grandes carros modernos de agora, mas é o meu carro. E não o trocaria por nenhum outro transporte com rodas.
E em seguida Gertrudes e as seis crianças, três rapazes e três raparigas entraram para o velho Volkswagen carocha, e seguiram rumo para o centro da cidade onde se encontrava a velha torre do relógio.
-Olhem crianças! A velha torre do relógio. - Disse a reformada professora primária sentindo falta de quando havia as visitas de estudo na escola.
-Que grande! - Disse a Daisy.
-E velha! - Insinuo Roberto.
-Sim. É verdade. Está a cair de podre e a perder a sua beleza. Mas mesmo assim ainda transmite grandiosidade. – Disse Gertrudes.
- Vamos entrar avó? – Questionou a Raquel.
- Vamos. – Disse Gertrudes com ar aventureiro.
E entraram no ale de entrada da torre onde se tiram os bilhetes. No interior sentia-se uma nostalgia de um passado que já fora grandioso, mas que agora está em grande declínio. Paredes forradas de quadros, de fotos, grandes e belos mas degradados cortinados de seda, esculturas que em tempos já foram douradas, e um grandioso escadario para subir a velha torre para os patamares superiores.
-Meu Deus! O que isto era e o que isto é! Venham meninos, vamos tirar os bilhetes.
-Vamos! – Disseram em uníssono as crianças aventureiras.
Uma senhora algo corpulenta e com um ar triste encontrava-se no velho balcão de entrada. E Gertrudes e as crianças seguiram para lá.
-Olá. Boa Tarde! Eram seis bilhetes por favor. – Pediu Gertrudes educadamente.
-Hoje as entradas para a torre são gratuitas. A velha torre já tem os dias contados. – Referiu com amargura a funcionária do balcão.
-Como assim? Não estou a compreender. A torre vai fechar ao público? – Questionou a idosa.
-Se antes fosse isso! Mas não. A torre será demolida, e neste lugar será construído de raiz um hotel! – Proferiu estas palavras amargamente.
-Como assim? Irão destruir esta torre? Mas porque? – Perguntou Gertrudes incrédula no que lhe estavam a contar.
- Porque infelizmente ao longo dos anos esta torre veio a perder os visitantes, e depois começaram as dívidas, porque sem clientes não se pode pagar os custos que esta torre dá anualmente. E como não temos dinheiro para pagar as dívidas ao banco, a torre será penhorada e vendida a um proprietário de hotéis que está interessado na nossa região, e que construirá um na nossa região exactamente neste sítio. Ou seja, a torre desaparecerá. – Disse a mulher tristemente.
-Mas isso não pode acontecer! E não há nenhuma forma de salvar a torre? – Questionou Gertrudes esperançada.
-Infelizmente não. – Disse a mulher tristemente.
-Mas como a torre entrou assim em declínio? Pode-se dizer que ela está a cair aos pedaços! – Disse a idosa.
-Sem turistas não há dinheiro para recuperar a torre, e ao longo dos anos ela cada vez fica mais danificada. Está numa ruína. – Disse a funcionária.
-Então hoje é o último dia que se visita a torre? – Questionaram as crianças.
-Infelizmente sim crianças! – Disse Gertrudes tristemente.
-Querem que eu faça um visita guiada pela torre? É que já não se encontra mais ninguém a trabalhar na torre devido á falta de dinheiro e de pagamentos. - Perguntou a funcionária.
- Sim obrigada. – Disseram as crianças.
E Gertrudes e as crianças seguiram a funcionária para se iniciar a última visita na velha torre do relógio.
-Não sei se sabem, mas a torre do relógio nem sempre foi uma torre dedicada a servir as horas. Em tempos, quando foi construída teve a utilização de torre de menagem na época medieval, que servia de local de observação para ver se estavam a chegar inimigos á cidade, e para as pessoas se poderem proteger. Mais tarde foi posto na torre um relógio solar, e só entre mil e setecentos e mil e oitocentos, a torre deixou de ser de propriedade militar para ser propriedade civil. Ou seja a torre passou a pertencer á cidade, e devido á sua localização central na cidade foi totalmente remodelada segundo o estilo vigente na altura, que era o Barroco. Pode-se verificar na decoração, com estes vermelhos e dourados que se encontram por toda a torre, e o magnifico relógio de coco. – As crianças e Gertrudes estavam fascinadas com a palestra da guia. – O relógio para a época era uma grande inovação e um tesouro, devido ao seu grande tamanho. Vinham pessoas de todos os lugares só para ver as maquinarias necessárias para o relógio funcionar, um autêntico puzzle. Infelizmente ao longo dos anos o relógio passou a ser apenas uma coisa banal, e os turistas já não se interessavam em conhecer a torre, e ao longo dos anos a torre foi caindo em ruína até aos dias de hoje. – Disse a guia.
-Oh. – Exprimiram tristemente as crianças.
-Aqui, no ale de entrada encontram-se fotografias dos tempos áureos da torre, e como ela era naquela época. – Disse a mulher.
Na parede encontravam-se grandes fotografias a preto e branco, com ar de serem muito antigas. Lá encontrava-se a torre com todo o esplendor, e muitas pessoas a visita-la, demonstrando a sua importância na época.
-É incompressível que um monumento tão simbólico esteja prestes a desaparecer. É um crime! – Disse Gertrudes.
- Pois é! – Disse tristemente a funcionária.
E seguiram rumo por um escadario em caracol, todo feito em madeira muito trabalhada, que subia até um piso superior. Pelo aspecto seria o espaço dedicado ao museu do relógio. No centro encontrava-se uma chave de relógio, que era capaz de ter o tamanho de um taco de basebol.
- Olha avó! A chave do relógio! – Disse Carlos.
-Sim meu querido. Era com essa chave que antigamente eles punham o relógio a trabalhar. Felizmente que agora á a electricidade, e já não é preciso dar á chave no relógio! – Disse Gertrudes alegremente.
-Pois, é verdade! Antigamente eram precisos dois homens para darem á chave para o relógio a funcionar. – Disse a guia.
-Olha um coco de madeira! Que bonito… - disse Joana.
-Esse é o coco de relógio. Como podem ver ele está em bom estado de conservação ao contrário do relógio. E sabem porque? Porque quando o coco avariou, o relógio ainda não se encontrava neste estado de degradação. Este coco demonstra bem os dourados e a grandiosidade do relógio. É uma obra de arte magnífica. Do tamanho de uma pequena criança! – Disse a guia.
-Nunca vi um coco tão grande! – Disse Jorge.
-Num acaso é um belo espécime. – Disse Gertrudes.
E continuaram a visita pela parte museológica da torre do relógio, e viram as grandes roldanas e parafusos que o relógio tem. As pequenas esculturas que em tempos ornamentavam a fachada da torre quando esta funcionava, e os antigos ponteiros do relógio, substituídos por uns iguais e mais resistentes ao tempo. Depois seguiram pelo escadario em caracol para o piso superior, onde se encontrava toda a grandiosa maquinaria para por o grande relógio a funcionar. Só em roldanas é o suficiente para encher um quarto de tamanho médio.
-E cá está. O relógio! – Disse a guia orgulhosamente.
-Tantas peças que ele tem! – Disse roberto.
-É verdade, tantas peças! – Disse Gertrudes admirada com o que via.
-Venham ver a vista da cidade de cá de cima! – disse a guia apontando para um pequeno escadario que levava para o telhado.
E subiram o escadario, atravessaram a pequena porta, e lá estava uma larga vista sobre a cidade. Era dali que os soldados viam se as armadas inimigas encaminhavam-se para a cidade.
-Esta vista é deslumbrante. Vale mais que qualquer hotel moderno. – Disse Gertrudes.
-Isso é verdade. É incompreensível que se deite um monumento destes abaixo! – Disse a guia.
-Infelizmente a historia está cheia destes casos! Deitar o velho abaixo para se construir algo novo e moderno. E á conta dessas atitudes, vamos perdendo a nossa identidade e história. – Disse Gertrudes tristemente.
- Vamos descer… - afirmou a guia.
-Já? - Questionaram as crianças.
-Sim, temos de ir. – Disse Gertrudes.
E desceram o grandioso escadario até ao rés-do-chão.
-Muito obrigada pela visita ao relógio. Foi muito agradável e instrutiva. – Disse Gertrudes.
-Obrigado! – Disseram as crianças.
-De nada. O prazer foi todo meu! Gosto muito de poder amostrar o relógio. – Disse alegremente a guia.
-Salvem o relógio, abaixo o Hotel! Salvem o relógio, abaixo o Hotel! …
-O que se passa? – Questionou Gertrudes.
-Parece que estão a fazer uma manifestação lá fora! – Disse a guia.
-Vamos ver! – Disseram as crianças irrequietas.
Quando chegaram cá fora viram as três conhecidas irmãs Encanto. A mais alta é a Graça, a irmã média é a Gracinda e a mais baixa e mais roliça é a Glória. As três G. Como vulgar, estavam a tramar algo.
-Então meninas o que se passa? – Questionou Gertrudes.
-Estamos aqui a manifestarmo-nos contra a demolição da torre do relógio! – Disse a Gracinda, de tez clara e cabelo castanho-escuro.
-Sim é isso mesmo. – Disse a Graça, a mais tola das três irmãs.
-Este relógio foi construído com toda esta decoração grandiosa graças aos nossos antepassados, e não deixaremos ninguém destruir nada, nem que tenhamos de ficar dia e noite! Não é manas? – Disse Glória, o Cérbero das três irmãs.
-Sim! – Disseram as outras duas irmãs.
-A vossa vontade em salvar o relógio é muito boa, mas não á nada a fazer. O relógio afogou-se em dívidas, e com esta crise não há visitantes para ver a torre, e sem dinheiro não se pode reconstruir. Já se estava á espera que mais sedo ou mais tarde isto haveria de acontecer. – Disse tristemente a funcionária do relógio.
-Ai é que se engana! Não conhece a história do tesouro da cidade? – Disse Gloria.
-É claro que conhecemos essa historia. De um grande tesouro que se encontra na nossa cidade, deixado pelos nossos antepassados para que a nossa cidade não passe dificuldades. Mas isso não passa de uma lenda que se conta às crianças para elas adormecerem! – Disse Gertrudes ironicamente.
-Tem a certeza? – Disse Gloria.
Gertrudes, a guia e as crianças olharam cepticamente para as três irmãs.
-Nós encontramos um velho mapa que se encontrava nos nossos papeis de família. – Disse Glória com um ar de triunfo.
-Mas esses mapas não nos devem levar a lado nenhum! E depois de amanha a torre irá desaparecer de vez! – Disse a guia sem esperança.
-e o que contem esse mapa que encontraram? – Questionou Gertrudes.
-O manuscrito que encontramos infelizmente não está completo, encontra-se com algumas indicações e frases. O mais provavelmente é que sejam pistas para encontrar a outra metade do mapa, e depois é que se encontrará o tesouro. – Disse Gloria.
-Podemos ir ver esse mapa? É que o tempo está a fugir, e se o tesouro existir ou não saberemos se procurar! – Disse Gertrudes com a esperança que pode-se afinal haver uma solução.
-Venham então á nossa casa. – Disse a Gracinda.
-Esperem. Vou fechar a torre. – Disse a funcionária.
-Venham meninos, vamos visitar a casa das irmãs encanto. – Disse Gertrudes.
-Viva, mais passeio! – Disseram as crianças felizes.
E Gertrudes e as crianças seguiram para o velho Volkswagen carocha, enquanto as irmãs encanto seguiram para o seu pequeno carro de três lugares. E seguiram rumo para a mansão encanto.



II

-Que casa grande! – Disse Roberto.
-E velha! - Disse Raquel.
-A mansão da família encanto é um magnifico solar, infelizmente está a perder o brilho que teve no passado. Recordo-me que aqui, antigamente eram feitos aqui grandiosos banquetes. – Disse Gertrudes lembrando-se da sua infância.
-É verdade. Devido á falta de dinheiro não podemos recuperar este grande solar. Demasiado grande para nós as três. Se tivéssemos mais algum dinheiro, comprava-mos uma casa mais pequena só para nós as três. – Disse Gloria.
-Então onde está esse mapa? – Perguntou a funcionária que trabalha na torre do relógio.
-Sigam-me. – Disse Graça.
E as crianças, a funcionária e Gertrudes seguiram as três irmãs para a sala dos quadros. Havia retratos da família encanto em todas as paredes, fotos antigas e havia um velho manuscrito que parecia um mapa, e foi para esse mesmo que se dirigiram.
-Aqui está. O velho mapa. Nunca compreendemos bem o que era, e por isso começamos por pesquisar e descobrimos que é um mapa com mais de quinhentos anos! – Disse Glória.
-Mas está incompleto! Falta a outra metade do manuscrito! – Disse Gertrudes.
-Onde se encontra a outra metade do manuscrito? Não se encontra aqui na mansão? – Perguntou a funcionária da torre.
-Infelizmente não sabemos onde se encontra a outra parte do manuscrito. – Disse Glória.
-Não sabem nenhuma pista, nada? – Questionou Gertrudes impacientemente.
-Infelizmente não. – Disse Gracinda.
-O manuscrito deve ter alguma pista. – Disse a funcionária.
-Sim, o manuscrito deve ter alguma coisa. Tirem o manuscrito de dentro do quadro. – Referiu a funcionária.
E Gracinda retirou o quadro da parede, e Glória retirou o manuscrito de dentro.
-Temos de ter muito cuidado. Isto é muito frágil. - Disse Gertrudes.
E começaram a pesquisar o velho pergaminho, e na parte frontal todas as frases e imagens estavam incompletas, faltava-lhe outra parte, por isso viraram o manuscrito ao contrário mas nada tinha.
-Não tem nada! – Disse Glória desapontada.
-Avó, e se apontares o manuscrito para a luz? Como o dinheiro! Quando apontas as nota e depois aparece uma imagem que não se vê! – Disse Carlos.
-Boa ideia! Meninas, encostem o manuscrito á janela! - Ordenou Gertrudes, e Gloria e Gracinda encostaram o velho manuscrito á janela. - Sim, tem aqui alguma coisa. É uma frase, mas está ao contrário. Alguém tem um espelho de bolso? – Questionou Gertrudes.
-Eu tenho um! – Disse a funcionária.
-Óptimo! Chego-me cá. – Ordenou Gertrudes.
E a funcionária entregou o pequeno espelho a Gertrudes.
-Meninos, apontem a frase que vou dizer! É a pista para a outra metade do mapa. «Quanto mais perto e mais alto de Deus estarás, lá o manuscrito encontrarás.».
-O que isso quer dizer? – Questionou Gloria enquanto pousava o velho manuscrito numa mesa.
-Oh avó? O sítio onde estamos mais perto de Deus não é a igreja? – Questionou a pequena Daisy.
-Sim! Muito bem minha querida. Sim é a igreja, mas também temos de estar alto! Qual a igreja será? Não vamos andar a vasculhar as igrejas todas da cidade! - Disse Gertrudes.
-Deve ser uma igreja alta. – Disse Gloria.
-Avó, mas a igreja mais alta é a catedral! – Disse Joana.
-A outra parte do mapa deve estar nos arquivos da catedral da cidade! – Disse a funcionária.
-Deve encontrar-se no arquivo! – Disse Gracinda.
-Vamos para a catedral! – Disse Gertrudes.
E seguiram seis crianças, uma mulher de meia-idade e quatro senhoras de idade, para a velha catedral. Era um edifício grandioso, com grandes contrafortes, e com uma grande cúpula. Todo o edifício transmitia grandiosidade, e demonstrava o grande poder da igreja no passado. Entraram pela ala principal da igreja e foram directamente ao padre, a quem contaram toda a história que os levou á igreja. O padre Joseph ouviu atentamente, e acabou por dizer.
-O único sitio que vejo onde possa estar essa parte deve ser no arquivo da igreja que se encontra na torre.
E todos seguiram o padre pelas escadas que se encontravam na grande torre, e foram para uma ala que se encontra fechada ao público. Lá dentro encontravam-se imensos objectos valiosos em ouro e prata, pinturas e esculturas que se encontravam bastante danificadas.
-Se essa parte do mapa existir, estará aqui! – Disse o padre.
-Mais perto de Deus. Onde será que se encontra?
Todos procuravam o fragmento do mapa, em todos os locais como atrás de quadros, dentro de cálices, no meio de alguma vestimenta de padre, mas não encontraram nada. E Glória deu uma vista de olhos por toda a sala, e reparou numa velha cruz pendurada numa parede e pensou – Será que está ali? De certeza que é o que está mais perto de deus. - E acabou por dizer:
-Aquela cruz ali em cima! Pode estar escondido nela!
-Aquele cruz sempre este ali desde a construção da catedral! Nunca foi retirada, e é muito frágil! – Disse o padre Joseph.
-Senhor padre, tem aqui alguma escada para ir lá acima? – Questionou Gertrudes.
-Vou buscá-la. Já venho. – Afirmou o padre.
Passado um pouco voltou o padre com umas escadas. Entregou a Gertrudes, e ela subiu-as. Olhou para a cruz, e estropiou a madeira, e acabou por dizer.
-A madeira da cruz é oca! Alguém tem aí alguma faca? – Exclamou Gertrudes inquieta. Enquanto as crianças olhavam com curiosidade.
-Aqui Gertrudes. - Disse a Gloria.
-Obrigada. – Disse Gertrudes e pegou na faca que Gloria lhe estendia. – Esperem, aqui a cruz tem uma fissura! – Disse Gertrudes, e abriu a pequena parte da cruz, e de lá de dentro tirou um velho papel. Depois desceu as escadas e abriu.
-Está aqui a outra metade do mapa! Já podemos juntar as duas metades. Vamos para a mansão encanto e juntar as peças.
-Vamos! – Disseram as crianças que se estavam a divertir com a caça ao tesouro.
E seguiram novamente todos para a mansão Encanto. Dentro do carro de Gertrudes ela e as crianças iam a conversar.
-Estas perseguições já não são para a minha idade! – Disse Gertrudes.
-Mas está a ser divertido! E a avó e as irmãs encanto estão a cooperar! – Disse o roberto.
-sim é verdade. As irmãs encanto costumam meter-se nas nossas investigações, mas neste caso estamos todos juntos a tentar salvar a torre do relógio, e temos de nos unir. Colocamos as nossas divergências de parte.
-Mas está a ser divertido. – Disse a Joana.
-Pois! – Concordaram as outras crianças.
-Só espero que o tesouro exista mesmo, senão este trabalho que estamos a ter foi em vão! – Disse Gertrudes esperançada.
-Se o tesouro for real, conseguiremos salvar a torre? – Questionou Roberto.
- Espero que sim. – Insinuou Gertrudes.
Por fim chegaram novamente á mansão Encanto. A distância entre a catedral e a mansão era curta, podia-se fazer o caminho a pé, mas como neste caso era um caso que decorria contra o tempo, não havia segundos a perder.
Encaminharam-se todos rapidamente para a sala dos retratos, e pegaram na outra metade do pergaminho, e em cima de uma mesa juntaram as duas metades.
-Bem isto não era o que estávamos á espera. – Disse Gloria.
-Parece um planetário! – Disse a funcionária.
-Nós já demos este tipo de figuras na escola! – Disse Roberto.
-Parece as fases de um eclipse! – Disse Raquel.
-Um eclipse? Amanha vai realizar-se um eclipse total da lua! É entre as três e quatro horas da tarde! O que diz nessas frases? Pode dar-nos alguma pista! – Disse Gertrudes.
E as irmãs Encanto puseram-se logo a tentar entender as inscrições em latim, e acabaram por as ditar em alto e bom som.
-Aqui diz «quando a terra se cobrir de sombra e escuridão, as três torres se iluminaram, e lá no centro ouro e prata encontrarão.». 
-Três torres? Não compreendo! – Disse Gracinda.
-Que torres serão? – Questionou a funcionária.
-Meninos amanha temos de procurar três torres aqui na cidade que tenham alguma coisa que esteja ligada á lua! Hoje não que já se faz tarde. Mas amanha será um grande dia. Infelizmente o mapa não nos dá mais informações, só tem as imagens das fases do eclipse total da lua, e um triângulo que deve simbolizar as três torres e a inscrição que as irmãs encanto acabaram de ler! – Disse Gertrudes.
-Oh está bem! – Disseram as crianças tristemente.
-Vamos que já se faz tarde! Já é perto da hora de jantar! – Referiu Gertrudes.
-Está bem avó… Adeus, até amanha. – Despediram-se as crianças e foram para casa.
-Bem meninas, vemo-nos amanha… - Despediu-se Gertrudes das irmãs encanto e da funcionária, e perguntou-lhe: - Creio que ainda não sei o seu nome?
-Ah sim, eu sou a Roberta. Foi um disparate ainda não me ter apresentado… vou lhe dar o meu contacto, caso necessite dele. – E entregou um pequeno papel a Gertrudes e á Glória, depois olhou para o relógio e disse. - Faz-se tarde. Também tenho que ir… Gostei muito desta tarde! – Disse a funcionária da torre do relógio.
E dito isto, ela e Gertrudes foram embora, cada uma seguiu caminho para a sua casa, com a esperança que o próximo dia seria marcante!
Quando Gertrudes chegou a casa, deu com o seu velho amigo Rogério, o ajudante do comissário Alberto.
-Então Gertrudes… corre na cidade a noticia que foi descoberto o manuscrito do tesouro da cidade! É verdade que vocês encontraram o mapa?
-Mapa não! Pistas que nos levarão a algum lado… Só espero que a busca não seja um fracasso total! Temos que impedir que a velha torre do relógio seja demolida! Ela faz parte de nós e da nossa cultura!
-Tens razão Gertrudes, vou falar com o comissário Jorge para colocar uma busca na cidade. – Disse o adjunto da polícia.
-Isso é totalmente inútil! Estamos á procura de uma agulha num palheiro! Nem sabemos por onde procurar! Não peças nada ao comissário. Sabes bem como ele complica as coisas! – Disse Gertrudes sorrindo.
-Tens razão. E vocês e as irmãs encanto estão a trabalhar juntos? – Questionou Rogério estupefacto.
-É estranho, mas é verdade. Estamos a trabalhar juntos, e se o relógio for salvo será graças às irmãs Encanto. Elas é que descobriram um pedaço do manuscrito na mansão. Nós tivemos as nossas divergências em alguns casos, é verdade, mas neste momento estamos todos no mesmo barco. E este leva para a salvação do relógio! – Disse Gertrudes.
-Tens toda a razão Gertrudes. Tenho que ir. Já se faz tarde. Até amanha! - Despediu-se Rogério o adjunto da polícia, e foi-se embora.
-Bem, que dia cansativo foi este! Nem tive tempo para estar com o meu pequeno júnior! – Disse Gertrudes, e encaminhou-se para o lado do seu pequeno cão branco que ajudou Gertrudes a descobrir muitos dos mistérios que já resolveu ao longo da vida.
Ela deu a comida ao seu pequeno júnior, e depois foi jantar um prato de sopa, e umas sandes, qualquer coisa servia, pois o que Gertrudes pretendia nesse momento era poder descansar do dia fatigante que teve, e ter o peso nos ombros da necessidade de salvar a torre do relógio. – Demasiadas preocupações para a minha idade! – Tenho de descansar para amanha que será um grande dia! – Pensou Gertrudes, sem saber o que o dia seguinte lhe reservava…



III

De manha Gertrudes enquanto tomava o seu pequeno-almoço com o júnior, reparou na capa do jornal diário, que tinha uma notícia que ela já esperava encontrar. «Descoberto o manuscrito que contem as pistas que levam ao tesouro da cidade. Será que existe mesmo riqueza debaixo de nós?». Gertrudes não estava satisfeita com o título do texto da primeira página. – Porque é que estas pessoas sempre que se fala em tesouro remetem para o solo? O tesouro não pode estar bem visível aos nossos olhos? Que gente! – Disse Gertrudes indignada.
-Bom dia avó! – Disseram as crianças.
-Estavas a resmungar? – Perguntou a Daisy.
-Minha querida, estava. É que á muita gente ignorante no mundo. – Disse Gertrudes.
-Ah. Hoje é o dia do eclipse total avó! Está no jornal na segunda pagina! – Disse Roberto, e Gertrudes pegou novamente no jornal e pôs na segunda pagina, tinha um exerto sobre o eclipse lunar, e os melhores pontos onde se podia observa-lo. Na notícia não tinha nada que Gertrudes não soube-se, ela que é uma mulher culta. E lembrou-se.
-Meninos, vamos agora para a cidade e procurar as torres que tenham alguma coisa ligada á lua.
E seguiram todos para o carro de Gertrudes, incluindo o júnior. E foram todos para a cidade para iniciar a busca as torres. Estacionaram o carro bem no centro da cidade, saíram do carro e Gertrudes organizou os grupos de busca.
-É assim meninos, eu e o júnior vamos para norte, a Daisy, a Joana e a Raquel vão para oeste. E o Carlos, o roberto e o Jorge vão para este. Encontramo-nos a sul, junto á velha torre do relógio! Entenderam bem meninos? – Questionou Gertrudes sorrindo.
-Sim senhora chefe! – Disseram as crianças.
-Vamos iniciar a missão eclipse. Já sabem, encontramo-nos no velho relógio. – Disse Gertrudes, e em seguida os três grupos seguiram rumo em direcções diferentes.
O grupo dos rapazes não queria apenas encontrar uma torre, mas queriam ser os primeiros a encontrar a torre. Missão que levavam com afinco!
-Oupa rapazes, mexam-se! Temos de ser os primeiros a encontrar pelo menos uma das torres para ganharmos às raparigas! – disse roberto.
-Entendido chefe! – Disse Jorge.
-abrandem! Eu estou a ficar cansado! – Disse Carlos, o mais gorducho.
-mexe-te Carlos! Não á tempo para podermos descansar! – Disse Roberto.
-Está bem, está bem! Mas estamos a andar as voltas e ainda não apareceu nada! – Afirmou Carlos ironicamente.
-Paciência! Estamos a chegar á praça principal, o único local nesta zona que possa ter torres. – Disse Roberto.
E os três rapazes chegaram á praça principal, olharam em volta e repararam que as únicas torres que existiam ali, era a torre da catedral e a da câmara municipal.
-Olhem bem para as torres! Deve haver aí alguma coisa! - Disse roberto.
-Mas chefe o que procuramos afinal? – Questionou o Jorge.
-Qualquer coisa que esteja ligada á lua. – Disse roberto.
-Mas eu olho para as torres e não vejo nada! – Disse Carlos.
-Eu também não. – Concordou Jorge.
-Lamento mas também não vejo nada. Parece que vamos perder contra as raparigas! – Admitiu Roberto, e pôs-se a olhar para o sol. E acabou por reparar em algo curioso no topo da torre da catedral.
-Rapazes! O que parece aquilo no terminal da torre da catedral? – Questionou Rogério.
Os outros dois rapazes olharam imediatamente para ver o que lá se encontrava. E os três disseram em conjunto e com alegria.
-Aquilo é uma lua!
-Boa rapazes encontramos a primeira torre! Vamos já para o ponto de encontro!
E seguiram rapidamente para a velha torre do relógio.
O grupo das raparigas também procurava com determinação, não suportavam ouvir os rapazes a dizer que são melhores do que elas! Elas queriam provar quem é que era o sexo forte.
-Vamos lá meninas! Procurem bem! A torre certa tem de estar por aqui! – Disse Raquel, enquanto Daisy e Joana olhavam para todas as torres que se encontravam á vista.
-Parece que os rapazes vão levar a melhor do que nós! – Disse Joana.
-pois. Por isso é que temos de nos mexer, e ser as primeiras a encontrar a torre antes deles. – Disse Raquel severamente.
-Mas aqui não tem nada de mais Raquel! – Disse Joana desesperançada.
As três raparigas encontravam-se numa rua com igrejas, palácios e velhas casas senhoriais. Podia-se dizer que se andasse á procura de uma torre, esta rua seria a que provavelmente teria. Ambas as raparigas analisavam todas as torres cuidadosamente. Até que a Daisy avistou alguma coisa.
-Olhem para ali! O que parece aquilo? – Daisy apontou para a torre do velho palácio.
-Daisy, aquilo é uma pomba! – Não vês ela a mexer-se? – Disse Joana.
-Oh! – Exprimiu Daisy.
Mas Raquel reparou em algo na mesma torre, algo que não se mexia.
-mas esperem! Olhem com atenção para a varanda central da torre! Parece ter a forma de…
-Uma lua! – Responderam as três em conjunto.
-Mais exactamente um quarto minguante! – Disse Raquel satisfeita com a descoberta. Pelo menos tinham descoberto uma das torres.
-Vamos meninas! Temos agora que chegar primeiro á velha torre do relógio do que os rapazes! – Referiu Raquel.
-Vamos! – Disseram as outras duas raparigas.
E seguiram elas apressadamente para o ponto de encontro, para ver quem tinha sido o primeiro grupo a fazer uma descoberta.
Já o terceiro grupo, o de Gertrudes e júnior não se estava a sair muito bem.
-Júnior, parece que a investigação não está a correr muito bem para o nosso lado! – Disse Gertrudes tristemente para o seu cão.
-Hu. – Anuiu o cão.
-Já investigamos todas as torres que se encontram para esta zona, até mesmo chaminés! Acho que temos de admitir que não descobrimos nada. A investigação foi um fiasco! Talvez as crianças tenham descoberto alguma coisa. – Disse Gertrudes esperançada.
-Au, Au. – Ladrou o cão alegremente.
-Vamos júnior, a investigação tem de prosseguir.
E Gertrudes cansada de procurar alguma pista nas torres que a envolviam, decidiu ir ter para o ponto de encontro, e ela e as crianças procurarem em conjunto. Junto á torre do relógio, as crianças estavam numa algazarra.
            -Não fomos nós que chegamos primeiro! – Diziam os rapazes.
            -Não foram nada! Fomos nós! – Diziam as raparigas.
            -Então meninos? Acalmem-se! Vamos resolver isto. Daisy? Quem chegou primeiro? – Perguntou Gertrudes, pois sabia que Daisy contaria a verdade.
            -Sinceramente, não foi ninguém! O grupo dos rapazes e das raparigas chegou ao mesmo tempo! – disse a pequena Daisy, a mais nova do grupo.
            -Prontos, está resolvido! Ninguém chegou primeiro. Foi um empate! – Disse Gertrudes pondo fim á discussão.
-Avó! Avó! Descobriste a torre? – Questionaram as crianças que tinham terminado a discussão sobre quem chegara primeiro.
- Infelizmente meninos, não encontrei nada! – Admitiu Gertrudes.
-Não? Mas nós encontramos duas torres! - Disseram as crianças.
-Ainda bem. E quais são as torres? – Questionou Gertrudes com curiosidade.
-A torre que eu e os rapazes encontramos é a torre da velha catedral, o terminal da torre tem a forma de uma lua. – Disse o Roberto.
-ainda bem, que conseguiram encontrar uma das torres, e as meninas, o que foi que encontraram? - Perguntou Gertrudes.
-A torre que encontramos, é a torre do velho palácio da cidade, a varanda que se encontra no topo da torre é em forma de lua! – Disse Raquel.
-Estou muito desapontada comigo mesmo, vocês crianças, levaram a melhor. Só eu e o júnior é que não encontramos nada!
-Tenho fome! Que horas são? – Perguntou Carlos.
-Não sei. – Disse Gertrudes, e olhou para a velha torre do relógio que se encontrava atrás de si, e houve algo que lhe chamou a atenção. – Meninos olhem para o relógio! Os terminais dos ponteiros parecem ser…
-um sol e uma lua! – Gritaram todos em uníssono!
-Pois claro! Como haveria de encontrar a torre se estava na direcção errada! Cá estão as três torres á vista de todos, e as três em conjunto fazem um triângulo! Descobrimos mais uma peça do mapa! Mas agora vamos almoçar! E depois vamos contactar com o Rogério, as irmãs encanto, a Roberta e o comissário, para que hoje á tarde durante o eclipse fique um grupo no topo de cada torre para ver o que acontece. O mapa não nos deu muitas informações. O eclipse deve fornecer-nos a última pista que nos conduzirá ao tesouro. Vamos meninos para a minha casa almoçar! – Disse Gertrudes feliz pela descoberta das três torres.
Já na casa de Gertrudes, ela e as crianças estavam a por a mesa para comerem o magnífico assado de Gertrudes. Enquanto comiam, todos pensavam na mesma coisa. No tesouro.
-Avó? Será que vamos encontrar alguma coisa? – Questionou a Joana.
-Espero bem que sim minha querida. Mas mais logo saberemos. – Disse Gertrudes.
-Se encontramos o tesouro, o que será? – Perguntou roberto.
-Penso que o tesouro é em ouro. Mas não tenho a certeza disso. – Afirmou cepticamente Gertrudes.
-Muito ouro? – Perguntou Daisy.
-Acho que sim. Quem quer uma fatia da minha tarte de amoras? – Perguntou Gertrudes já adivinhando a resposta.
-Eu! – Disseram as crianças.
Gertrudes deu uma fatia de tarte a cada um, e depois disse.
-Meninos, agora vou fazer uns telefonemas para combinar tudo para a caça ao tesouro.
E Gertrudes encaminhou-se para o seu telefone que se encontrava na entrada da sua pequena casa.
-Estou Rogério? Eu e as crianças encontramos as três torres. Encontramo-nos às duas horas junto á torre do relógio. Avisa o comissário Alfredo! – Pronto, a primeira chamada já está, agora vou ligar as irmãs. – Estou? Gloria? É a Gertrudes! Eu e as crianças encontramos as torres! Encontramo-nos as duas horas junto á torre do relógio. Até logo. – Duas já estão! Só falta mais uma. – Estou Roberta? É a Gertrudes! Encontramos as torres! Encontramo-nos na torre do relógio as duas horas, até logo! – Pronto, já estão os telefonemas. – Disse Gertrudes, depois de realizar os telefonemas.
-Meninos, preparem-se! Daqui a pouco vamos sair de casa! O eclipse é as três, mas temos de estar as duas horas junto á velha torre do relógio! Agora vou arrumar a cozinha e vamos já! Quem me ajuda? – Perguntou Gertrudes.
-Eu! – Disseram novamente as crianças, e todos começaram a ajudar a arrumar a cozinha. Gertrudes e Raquel lavavam a loiça, enquanto a Daisy e a Joana limpavam-na. Roberto e Carlos arrumavam a mesa, enquanto Jorge guardava a loiça já seca no devido local.
-Pronto meninos. Todos juntos é muito mais rápido! Vamos para o carro! – Disse Gertrudes.
E foram todos para o carro de Gertrudes, incluindo o Júnior.
-Ai que confusão hoje! Nem há sito para poder estacionar o carro! – Referiu Gertrudes impacientemente.
-É á conta do eclipse lunar! Todas as pessoas vão para o jardim do laboratório. O jornal dizia que era o melhor sítio para se poder ver o eclipse! – Disse Jorge.
-Avó! Está ali um lugar! – Disse Daisy.
-Muito bem Daisy! – Disse Gertrudes, e estacionou o carro. – Vamos meninos! Para o ponto de encontro!
E lá foram para a torre do relógio, onde já se encontravam as irmãs, Roberta, Rogério e o comissário.
-Desculpem o atraso. Mas hoje é um inferno para arranjar lugar! – Desculpou-se Gertrudes.
-Tens de começar a ser mais pontual! – Disse Glória.
-Sim está bem… - disse Gertrudes respondendo a Gloria.
-Então Gertrudes! Quais são as três torres? – Questionou Roberto.
-As três torres que encontramos são a torre da catedral, a torre do velho palácio, e como não podia deixar de ser, a torre do relógio. – Disse Gertrudes.
-Então é por isso que não encontramos nada! Nós estivemos a procurar as torres para norte! – Disse Gracinda, uma das três irmãs.
-Talvez… mas se estivéssemos encarregues das investigações das três torres seriamos mais rápidas a descobri-las! – Disse Glória.
-Claro que seriamos! – Disse a outra irmã.
-Hum mudando de assunto… Vamos organizar os grupos que vão para as torres! Queres ser tu a organizar Gertrudes? – Questionou o comissário Alberto. Era um homem baixo, roliço e com um pequeno bigode.
-É sempre ela! – Disseram as três irmãs, mas foram ignoradas pelo resto das pessoas.
-Está bem. Então é assim, o Rogério, o comissário Alberto e a Roberta vão para a torre da catedral. As irmãs encanto vão para a torre do velho palácio, e eu, as crianças e o júnior vamos para a torre do relógio. Toda a gente concorda? – Questionou Gertrudes, enquanto as três irmãs torciam o nariz.
-Por mim está tudo bem! – Disse o Rogério, o adjunto do comissário. A Roberta e o comissário aceitaram. Despediram-se das pessoas que se encontravam, e seguiram rumo para a torre da catedral. Depois seguiu-se as irmãs encanto que se encaminhavam de um modo altivo para a torre do velho palácio. Por fim Gertrudes, as crianças e júnior foram para o terraço que se encontrava no topo da torre do relógio.
-Vamos lá meninos. Olhos atentos! Algo vai aparecer, não sei o que será mas algo tem de acontecer! – Disse Gertrudes.
-Falta pouco para o tesouro! – Disse o roberto.
-Au! – Ladrou júnior impaciente.
-Pois é! O eclipse acontecerá daqui a pouco! – Disse Gertrudes.
Na torre da catedral, o comissário, Rogério e Roberta estavam ansiosos para saber o que poderia acontecer. Falavam uns com os outros para passar o tempo e aliviar a tensão que pairava no ar.
-Já repararam que o terminal da torre tem a forma de uma lua? Nunca reparei nisso! – Disse a Roberta.
-É verdade. Sem duvida que esta é uma das torres descritas no manuscrito! Já falta menos de dez minutos para se iniciar o eclipse, e a cidade ficará esta tarde algum tempo às escuras! – Disse Rogério.
-Mas não se vê as pessoas na rua? Há tantos carros lá em baixo e ninguém está na rua para ver o fenómeno? – Perguntou a Roberta.
-Está toda a cidade nos jardins do laboratório! No jornal dizia que seria o melhor local para ver o eclipse! Tenho lá alguns dos meus oficiais para caso ocorra algum desacato! Deve­-se sempre zelar pelo seguro! – Disse o comissário.
-Sem duvida! Segurança da população em primeiro lugar! – Disse Roberta, e o adjunto da polícia começou a rir-se, pois Roberta proferiu uma frase que normalmente é proferida pelo comissário.
E na torre do palácio, as três irmãs engendravam um plano para serem as descobridoras do tesouro. Não lhes agradava nada que Gertrudes encontra-se o tesouro e ficasse com os louros! Queriam ser elas, as irmãs encanto as detectives preferidas do comissário!
-Vamos lá manas! Olhos atentos! Temos de ser nós, as descobridoras do tesouro do século! – Disse glória, a mais roliça.
-A Gertrudes não pode voltar a impressionar! Temos de ser nós! As irmãs Encanto! – Disse Gracinda, a irmã mais alta.
-Temos de descobrir o tesouro! – Disse a graça, a irmã do meio.
-Sim! É isso mesmo meninas, temos de ser as melhores! Olhos bem abertos! Temos de descobrir!
-Já é a quase a hora! – Disse a Gracinda.
-Meninas! Sabem o que eu disse! – Disse a glória.
Na torre velha do relógio a ansiedade aumentava cada vês mais com a aproximação da hora prevista para o acontecimento lunar.
-Avó! Já falta menos de um minuto! – Disse a Daisy, enquanto o relógio dava as três badaladas da tarde.
-Pois está! Meninos, olhos atentos! Temos de salvar o relógio! – Disse Gertrudes.
-Olhem para o sol! A lua já está a começar a cobrir o sol! Está a iniciar o eclipse! – Disse o Roberto.
Todos olhavam expectantes para o céu, enquanto aos poucos a cidade escurecia a meio de uma tarde de céu limpo. Um raio de sol escapou perante a lua, e iluminou a torre da catedral onde o comissário, Rogério e Roberta se encontravam, e por sua vez o raio resplandeceu para a torre do velho palácio, e por sua vez seguiu-se para a velha torre do relógio. As três torres encontravam-se luminosas, ao contrário do resto da cidade escura. Visto do ar, as três torres iluminadas formavam um triângulo. Todos olhavam para o que estava a acontecer, sem compreender bem. Mas o que seguiu foi o mais espectacular, os raios das três torres desapareceram, e o raio reflectiu-se no velho palanque que se encontrava na praça central da cidade. Ai estava a última peça do puzzle, e supostamente o tesouro. Todos olhavam expectantes para o que acontecia, sem compreenderem muito bem. Depois a cidade cobriu-se completamente de escuridão, e por fim o sol começou novamente a aparecer e o eclipse a finalizar.
-Avó foi inacreditável o que aconteceu! – Disse roberto.
-É verdade meninos! Mas agora temos de ir para o suposto lugar do tesouro. O palanque!
-Vamos! – Disseram as crianças, e encaminharam-se todos para a praça central onde se encontrava o palanque. Quando lá chegaram já as irmãs encanto, a Roberta, o Rogério e o comissário já lá se encontravam.
-Gertrudes! Novamente atrasada! – Disse Glória.
-Então já encontraram alguma pista? – Disse Gertrudes.
-Sim Gertrudes. Olha para o topo do palanque. O terminal é um sol! – Disse Rogério.
-Na parte principal do palanque, onde as orquestras costumam actuar,  não se encontra nada. O comissário vai abrir a porta pequena que se encontra em baixo do palanque, que é o local de arrumos. Pensa-se que haverá ai a pista. – Disse a Roberta.
-Vamos manas! Temos de ser as primeiras a descobrir o tesouro! – Disse a Glória.
-Vamos! – Disseram as outras duas irmãs.
O comissário abriu a porta da zona de arrumos, e todos entraram.
-não se vê nada de interessante! Afinal não deve haver nenhum tesouro. – Disse o comissário desapontado.
Dentro da sala de arrumos, o chão e o tecto eram brancos, enquanto o chão era de cimento.
-olha avó! Um sol e uma lua! – Disse Daisy apontado para o centro do chão.
-Espera minha querida. É um sol e uma lua! Parecem uma tampa. – Disse Gertrudes.
As irmãs encanto dirigiram-se imediatamente para o sol e a lua que se encontrava bem no centro, e estropiaram o chão nessa placa. E disseram – É oco! Vamos abrir!
-Vamos! – Disseram as crianças.
E todos começaram a puxar aquele pedaço no chão onde se encontravam um sol e uma lua juntos.
-Puxem! Puxem! – Dizia o ajudante da polícia.
-Vamos lá manas! Um, dois! Um, dois! – Dizia Gloria enquanto ajudava a arrastar aquela placa do chão.
Por fim conseguiram retirar a placa. E olharam para baixo.
-Escadas! Parece que encontramos algo! – Disse Gertrudes enquanto olhava para as escadas que se encontravam debaixo do sítio da placa oca.
-Estamos a entrar num lugar onde já ninguém entra á centenas de anos! – Disse Roberta estupefacta com o que via.
E todos começaram a descer as escadas.
-Está escuro aqui! – Disse roberto.
-Que é isto? Azeite? – Disse Gracinda que tinha tocado numa zona da parede que se encontrava com algo húmido.
-Azeite! Sim azeite! Alguém tem fósforos? – Perguntou Gertrudes.
-Tenho eu Gertrudes. Mas não estou a ver como o fósforo nos possa ser útil. Ele não dá muita luz! – Disse o comissário.
-Dê-me os fósforos que já vai ver o que vai acontecer! – Disse Gertrudes.
-Estão aqui. – Entregou o comissário os fósforos a Gertrudes.
-Afastem-se todos das paredes! Estão prontos? – Disse Gertrudes, e em seguida acendeu um fósforo e atirou-o para o sítio que a Gracinda dizia que tinha azeite. E o que aconteceu foi uma coisa inacreditável, uma grande sala subterrânea iluminou-se a partir de candeeiros de azeite nas paredes, e demonstrou a todos os presentes, milhares de toneladas de ouro em cálices, fios, e até escultura.
-Oh manas! Tanto ouro! – Disse Glória.
-Eia! Tem tanto ouro aqui como Fort Knox! – Disse Roberto.
Todos olham estupefactos para as riquezas que avistavam. E Gertrudes acabou por dizer.
-Agora podemos afirmar, que o relógio está salvo!
Todos sorriam e festejavam, até as irmãs encanto se juntaram á festa.
-Mas temos de ser rápidos a entregar o dinheiro ao banco! Amanha de manha está prevista a demolição do relógio! – Disse Roberta.
-Vamos para cima! – Disse Gertrudes.
E todos automaticamente obedeceram, encaminharam-se para o exterior do palanque de onde irradiava um lindo dia de sol.
-Vamos lá comissário” está na hora de fazer zuir os telégrafos! Ou em linguagem moderna, o telemóvel! Temos de ser rápidos…
-Com certeza Gertrudes. Anda Rogério, temos umas quantas chamadas para efectuar. – Disse o comissário.
E seguiram rumo para a esquadra. Aos poucos e poucos a cidade amontoava-se em volta do palanque após saberem da grandiosa descoberta que aconteceu. Meia hora depois já tinham chegado os avaliadores para se ter mais ou menos uma noção do montante que existia. E aos poucos e poucos as peças eram retiradas, e todos olhavam estupefactos paras as riquezas que sempre ali se encontraram debaixo dos pés. Por fim acabaram de esvaziar por completo a sala secreta por debaixo do palanque, e um senhor jovem, de estatura média, de nome Cedric, disse em alto e bom som.
-Temos a informar que já foi feita uma avaliação da riqueza em causa. Foram retirados objectos que valem milhões de euros. O suficiente para pagar milhares de torres do relógio como esta que será salva dentro de momentos.
Passado um pouco regressou o comissário, e foi falar com Gertrudes que se encontrava sozinha.
-É assim minha cara, as peças de menos valor artístico serão levadas para pagar ao banco as dividas que a torre amontoou ao longo dos anos. Isso já foi despachado e a torre já não se encontra em perigo. A arte sacra, como cálices e escultura sagrada será oferecida á catedral para o espólio da igreja, onde poderá ser vista por todos os visitantes. Uma grande parte do tesouro será para a Gertrudes, pela sua descoberta. – Disse o comissário, enquanto Gertrudes estava estupefacta.
-lamento comissário, mas irei recuar a sua proposta. Não quero nenhum dinheiro.
-Mas olhe que é uma soma multi-milionária! – Insistiu o comissário.
-Por isso mesmo! Mas eu tenho uma proposta para fazer quanto a essa parcela que seria entregue a mim. Se me permitir que exponha a minha sugestão… - Disse Gertrudes.
-Com certeza. Diga então qual é a sua opinião.
-Eu gostava de o fazer para todas as pessoas. – Disse Gertrudes.
-Como queira. – Afirmou o comissário.
E Gertrudes subiu para o palanque. Todos olhavam ansiosamente para ver o que esta velhinha iria dizer.
-Olá a todos! Como sabem foi descoberto um grande tesouro no coração da nossa cidade. Uma parte do tesouro será para a salvação do relógio. E informo já que o relógio não será demolido porque já acabaram as negociações e as dividas já se encontram pagas. Outra parte do tesouro, ligada á arte sacra foi oferecida ao espólio da catedral. E uma parte do tesouro foi-me oferecido!
-Como? E então e nós? Foi graças a nós que foi descoberto o tesouro! – Disse Glória.
-Sim! Deixem-me acabar! Eu recusei essa fatia milionária, mas tenho os planos para qual eu gostaria de ver empregue. Espero que concordem com a minha decisão. Então é assim, uma parte desse tesouro que me foi oferecido será doado ao velho relógio para uma total recuperação para que deixe de ser o velho relógio, e que passe a ser o relógio que foi em tempos, quando vinham pessoas de todos os lugares para o poderem visitar. A outra parte será oferecido as irmãs encanto para que possam recuperar a grandiosa mansão Encanto, que devido a dificuldades económicas não há dinheiro para cuidar da mesma. Este dinheiro também será oferecido às irmãs encanto para que elas possam comprar uma casa de proporções mais indicadas para as três, e que consigam tornar o sonho delas realidade, que é tornaram a mansão Encanto num museu público para que todas as pessoas possam conhecer a sua beleza, e que elas comprem uma casa como elas desejam mais pequena, apenas que seja para elas viverem. Espero que concordem com a minha decisão quanto ao empreendimento da minha parte do tesouro. Se alguém não concordar diga agora.
Todas as pessoas aplaudiram Gertrudes. Nem as irmãs encanto colocaram entraves na sugestão de Gertrudes, pois elas conseguiriam concretizar um sonho que consideravam impossível. Gertrudes desceu do palanque e Rogério foi falar com ela.
            -Então Gertrudes, já reparou no terminal do palanque? – Perguntou Rogério.
            -Sim. Reparei quando nos encontramos aqui á pouco. É um sol! Sem duvida, um sol que iluminou a noite escura. – Disse Gertrudes alegremente.
            -Sabes Gertrudes, não compreende como é que aconteceu aquele fenómeno nas torres. Quando ficaram iluminadas, e depois o palanque!
            -Isso foi um efeito de reflexão. O terminal da torre da catedral não é só de metal, contem também vidro, tal como uma zona na varanda da torre do palácio e também no centro dos ponteiros do relógio. O raio de luz reflectiu como se em cada torre se encontra-se um espelho, que depois em conjunto reflectiram a luz para o palanque. Um efeito cientifico muito bem pensado! – Disse Gertrudes.
            -Mas como é que o vidro no topo da catedral durou tanto tempo? A torre está sempre sujeita a raios! – Disse o Rogério.
            -Penso que o suposto vidro que se encontra nessa torre, não seja um vidro normal. Mas valioso! Algo que não se desgasta!
            -Está a querer dizer que encontra-se um diamante no topo da catedral? – Disse Rogério espantado.
            -Sim. Mas não digas isso alto! Como podes ver, os tesouros não se encontram só no subsolo! Podem se encontra suspensos em altitude!
            -Gertrudes, és uma excelente detective! – Disse Rogério admirado com a segunda descoberta de Gertrudes.
            -Mas não digas a ninguém isso! Será o nosso segredo! Pensa o que as pessoas fariam para alcançar esse diamante! – Disse Gertrudes com um ar de alarme.
            -Está bem Gertrudes! É o nosso segredo! – Disse Rogério.
            -Está bem, agora vou-me despedir das crianças, estou exausta! Adeus. - Despediu-se Gertrudes do Rogério, e foi ter com as crianças que brincavam á apanhada.
-Bem meninos. Eu estou estafada! Mas que dia! Vou para casa. Também tenho que dar a comida ao júnior não é júnior? – Disse Gertrudes para o cão branco ao seu lado.
-Au, Au! – Concordou o cão.
-Já avó? Tem de ser? – Disseram as crianças.
-Sim meninos. Também estão aqui os vossos pais, e já se está a fazer noite. Também vocês se devem ir já embora. – Disse Gertrudes, e as crianças concordaram.
-Vemo-nos amanha! Até amanha meninos! – Disse Gertrudes.
E Gertrudes encaminhou-se para o lugar onde se encontrava o velho Volkswagen estacionado, e Gertrudes foi interpelada por três velhotas.
-Gertrudes, não podemos agradecer o que fizeste por nós! Ajudas-te na concretização de um sonho já antigo, e impossível devido aos problemas económicos! – Disse Glória, a mais roliça das irmãs Encanto.
-É verdade Gertrudes. Muito obrigada. – Disseram as outras duas irmãs.
-Não tem nada de agradecer! Foi graças ao vosso mapa que isto se concretizou! – Disse Gertrudes.
-Obrigada Gertrudes. – Agradeceram as três irmãs.
-De nada… - Disse Gertrudes.
-Mas não penses que a disputa acaba aqui! Nós as irmãs Encanto seremos as preferidas do comissário para a resolução dos enigmas que aparecerem! Não é manas? – Disse Glória.
-Sim é verdade! – Concordaram as outras duas.
-É bom ver que tudo voltou ao normal. – Disse Gertrudes, e despediu-se das irmãs, e ela e o seu cão seguiram para casa cansados do dia que tiveram.



IV

-Avó! Já começaram as requalificações na velha torre do relógio e na mansão Encanto! – Disse roberto que se encontrava com as outras crianças na casa de Gertrudes.
-A sério? Ainda ontem o tesouro foi descoberto e já se vê o progresso a melhorar! E as irmãs Encanto vão viver para onde?
-Vão viver para uma casa em frente do palanque. Uma casa de boas proporções! Claro que não é tão grande como a mansão! – Disse Raquel.
-Ainda bem que tudo está a melhorar! – Disse Gertrudes.
-Graças á avó! – Disseram as crianças.
-A mim não! Graças ao tesouro! Ele é que vai recuperar o nosso património! – Disse Gertrudes, recusando o seu mérito.
-Dentro de umas semanas está prevista a grande reabertura da torre do relógio requalificada, e a abertura ao público da mansão encanto! - Disse Carlos.
-Estou ansiosa! – Disse Gertrudes.
E o tempo foi passando, com muita brincadeira e alegria. E por fim, ao logo de cerca de dois meses, aconteceu a reabertura da torre do relógio, totalmente requalificada e irreconhecível para a geração mais nova, enquanto que os mais velhos sentiram que foi um regresso á infância. Todos esperavam em volta do relógio a suada das doze badaladas da manha, as badaladas que já não se ouviam á meses. E doze estridentes badaladas irromperam na atmosfera, soando como um potente relógio de parede, e no fim das doze badaladas saiu o cuco que já não aparecia á muitos e longos anos. Uma aparição irreconhecível.
-Olha avó! O cuco que vimos na parte do museu do relógio! Que bonito! – Disse Daisy.
-É verdade! É uma peça magnífica que voltou a ser amostrada ao mundo. Vamos agora almoçar a minha casa, que logo temos a abertura da mansão encanto ao público! – Disse Gertrudes empolgada com o dia que estava a acontecer.
A cidade estava a voltar a recuperar o brilho que tivera antigamente. E o tesouro foi recuperado á luz do dia, para que possa ser apreciado.
    -Podemos agora dizer: Missão Eclipse, concluída! – Disse Gertrudes animada.


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