sábado, 24 de março de 2012

"As Aventuras de Miss Getrudes - In freibur"



1ºEpisódio
"Diamantes"

-Tem a certeza que esses aparelhos são seguros? Não vejo segurança nenhuma a andar por ai a planar, no meu tempo é que era bom, atravessava as fronteiras apenas no meu velho carro. Em breve irei o conduzir novamente.
E a funcionária do aeroporto tentou acalmar Gertrudes, demonstrando a segurança do que é uma viagem aérea.
- Sim tenho a certeza que será uma viagem muito segura. Não pode ir com cismas tão negativas, relaxe e desfrute a viagem de volta a casa.
Por fim Gertrudes acalmou-se, e lembrou-se das saudades que sentia. Seria apenas mais uma viagem. Mas desta vez dentro de um avião, com bons estofos, e praticamente novo de um tom alaranjado.
-É tão bom após estes anos todos de trabalho poder viajar um pouco… Num acaso o premio que eu e as crianças ganhamos foi muito útil! Por vezes é bom ver as vistas noutros lugares. Mas estas saudades de estar longe de casa e da minha localidade… Não podem esperar mais. E também estou cansada e com a minha idade, sabe como é.
E a funcionária de um modo muito atencioso disse.
-Com certeza que compreendo, chegamos ao seu lugar. Tenha uma boa viagem!
Gertrudes respondeu, recompondo a compostura.
-Obrigada minha querida…
E em seguida deu uma vista de olhos pelos companheiros de viagem. E reparou em algo que aparentemente não tem interesse. (que colar curioso tem aquela senhora) pensou consigo própria. Por fim a funcionária agradeceu e seguiu rumo ao seu trabalho.
-De nada - e desapareceu no avião.
E com uma entoação enérgica soltou uma saudação ao companheiro de bordo que se encontrava ao seu lado.
-Olá bom dia!
-Bom dia! – Respondeu o companheiro de viagem.
-Penso que este seja o meu lugar? - Disse Gertrudes imperativamente
-Sim, peço desculpa… Eu assentei-me e nem reparei nos números! Sou na cadeira do lado. – Afirmou o senhor com um ar de quem dá um passo em falso
-Não tem mal. – Disse Gertrudes para acalmar o seu companheiro de bordo.
-É a primeira vez que voa nesta companhia? – Questionou o seu passageiro de bordo, para mudar de assunto. Era um homem que aparentava ter entre vinte e trinta anos, de olhos castanhos, estatura alta, e cabelo negro. A sua roupa era toda preta, com gola branca e ao lado da mesma tinha um crucifixo. Sem dúvida era padre.
-Sim, mas também é a primeira vez que voo! Não gosto nada destas modernices de agora. - Disse Gertrudes com um ar de reprovação contra os avanços humanos nos dias de hoje. Ela que foi uma pessoa criada segundo os costumes rígidos.
            -Pois compreendo, estas coisas de agora são muito estranhas… e viaja porque? Negócios? - Disse com uma ponta de curiosidade.
-Oh, não… eu estou a viajar por lazer, foi um premio que ganhei num concurso de culinária… e o senhor? Assim vestido parece que é padre… - Referiu Gertrudes com um ar curioso que tanto a caracteriza.
-Sim, por acaso sou. Acabei de realizar uma viagem missionária. - Disse a figura do lado, como se acabasse de responder a uma pergunta na escola. -
Deves ter ido deves, assim vestido com requinte e ainda por cima não tem aspecto nenhum de quem quer ajudar as pessoas… - Pensou Gertrudes com os seus botões, mas acabou por responder. - Ah que interessante. Ainda não nos apresentamos formalmente. O meu nome é Gertrudes, e o seu senhor padre?
            -Eu chamo-me Joseph, padre Joseph. Muito prazer em conhecer a senhora. - Disse o padre com um ar um pouco patético.
Apertem os cintos, pois o avião descolará dentro de um minuto…
-Lá vamos… - Disse Gertrudes com um ar pouco á vontade
E o avião ligou os motores e começou a mover-se cada vez mais rápido…
-Ai que horror, isto ta a tremer tudo, ainda vai sair a minha asa de frango que ainda ontem comi… - disse Gertrudes recordando-se da refeição da noite anterior, agora que o seu estômago se entretinha a reproduzir uns sons estranhos.
-Acalme-se que isto já passa… - Tentou o padre acalmar a velha senhora que se encontrava ao seu lado
-Um, dois, três, quatro, cinco… - Pôs-se a velha senhora a contar carneiros para ver se acalmava-se.
E voo.
-Está a ver? Não custou nada. - Disse o padre joseph demonstrando uma insignificância ao problema em questão.
-Ai que o meu estômago já não é o mesmo… Estou impressionada, e o avião já não treme! - Afirmou Gertrudes com um ar de alívio que transmitia o seu rosto.
-Dentro de momentos a senhora já pode sair do seu lugar… - Disse o padre para a sua companheira de bordo.
-Óptimo que já não aguento estar tanto tempo parada… isto é entediante… eu gosto é de aventura! - Disse Gertrudes com um á vontade.
            -Ai sim? E o que fazia antes da reforma? - Questionou joseph com uma certa curiosidade.
-Era professora e alpinista. Mas ao fim de todo este tempo, posso dizer que já fiz um pouco de tudo! - Referiu Gertrudes com um olhar sonhador ao recordar a vida tão preenchida que teve.
-Hum, já teve uma vida muito preenchida então. - Disse o padre Joseph
-Pois foi. - Disse a velha senhora com um brilhozinho nos olhos.
No entanto surgiu uma voz no avião, que já era conhecida por todos os passageiros, e disse. - Senhores passageiros já estão autorizados a circular no avião.
-Óptimo! Vou ver por aqui as coisas. - Disse Gertrudes, pronta para conhecer os cantos á casa.
-Deseja que a acompanhe madame? - Disse o padre joseph de uma maneira que soava da mesma forma quando se convida alguém para um encontro.
-Ai não. Deixe estar, eu só vou dar um giro. Não demoro. - Humm, para um padre é muito perverso… – Pensou Gertrudes com os seus botões, achando que aquele padre não tinha uma compostura muito correcta para o cargo que tem.
-Se é assim que pretende, faça então o seu passeio… - Disse o padre joseph que não se encontrava muito satisfeito com a negação do seu convite.
E lá foi Gertrudes ver o resto dos passageiros do avião… eram novos, velhos, crianças e adultos de todas as idades e de todas as nacionalidades. Podemos dizer que neste avião encontra-se uma verdadeira selada russa de raças.
-Tantas pessoas diferentes num espaço tão pequeno. Eu estou mesmo antiquada para a época… - Referiu a velha senhora com uma certa tristeza por não estar habituada a estes modos de vida.
No fundo do avião Gertrudes avistou uma criança a chorar, parecia perdida. Então ela, com a sua velha e incomparável bengala deslocaram-se para lá.
-Olá. Estás perdido? - Questionou a velha senhora com um ar maternal para a pequena criança de olhos verdes que se encontrava á sua frente.
E a criança acenou que sim. Gertrudes olhou em volta e do outro lado do avião avistou uma mulher que procurava algo desalmadamente, e pensou que essa mulher seria a mãe da criança.
-Não sabes da tua mãe? - Questionou Gertrudes a criança.
-Não. - Disse a criança com um ar assustado.
-Anda comigo, vamos procurar a tua mãe… - Disse a velha senhora.
A criança inquietou-se… não conhecia a senhora de lado nenhum, mas olhou bem para ela, e lhe fez lembrar a sua avó, o que logo fez sugerir que aquela senhora era de confiança e bondosa. Então decidiu segui-la. Gertrudes seguiu rumo para a mulher que procurava algo desalmadamente, e a criança quando viu a mulher disse:
-Mama!
E a mulher virou-se logo para traz, onde estava uma senhora já de uma certa idade e o seu filho.
-Onde é que te metes-te? - Questionou a mãe impacientemente.
- Dei um passeio pelo avião e perdi-me. Depois apareceu esta senhora que me trouxe para aqui. - Disse a criança com um ar ainda atordoado.
-Eu não sei quem a senhora é, mas muito obrigada por ter encontrado o meu filho e o ter trazido para cá. - Disse a mulher com um ar de alívio.
-De nada! Eu é que estava por aqui a dar uma volta pelo avião, e vi o seu filho ao fundo do avião sozinho a chorar, e estranhei. Perguntei se estava perdido e ele disse que sim, via por aqui toda atarantada e supus que fosse a mãe. - A mãe da criança era uma pessoa de estatura média e de tez braça, com cabelo escuro e olhos verdes.
-Muito obrigada, muito obrigada, nem sei como lhe agradecer. - Disse a mãe com um ar de felicidade.
-Oh, não é necessário nada disso. Também foi a forma de fazer alguma coisa. - Referiu a velha senhora.
-Ah. E antes de mais eu sou a Nicole, e o meu filho é o Ruben, e aquela senhora lá ao fundo é a minha mãe a Graciete. - Apresentou-se a mulher.
-Muito prazer. Eu sou a Gertrudes. - Disse a idosa.
-talvez queira conhecer a minha mãe? - Questionou Nicole.
-Sim, com certeza. Assim tenho alguém da minha idade com quem falar e me entreter. Sabe, sinto falta das minhas crianças. - Disse Gertrudes amavelmente.
-A senhora tem filhos? - Questionou Nicole com surpresa.
-Oh, não. Sou solteira. Mas eu era professora primária, e costumo conviver com as crianças lá da minha localidade. Acabo por ser como uma avó para eles. - Afirmou Gertrudes com um brilhozinho nos olhos.
-Hum, entendo. Venha então conhecer a minha mãe. - Disse Nicole.
E seguiram para o espaço onde se concentravam varias senhoras e uma delas seria então Graciete.
-Olá mãe, trago-lhe aqui uma pessoa para conhecer, esta é a Gertrudes, ela encontrou o Ruben que andava perdido no avião. - Disse Nicole mecanicamente.
-Olá Gertrudes! Eu sou a Graciete, venha para aqui para o grupo das solteironas, eu estou aqui além de ser casada, mas estamos a conviver. - Afirmou a senhora idosa que aparentava ter tanta idade quanto Gertrudes. Graciete era uma mulher alta e elegante, demonstrava grande personalidade.
-Então vou deixar-vos. Adeus. - Despediu-se Nicole e seguiu rumo para o seu lugar junto com o filho.
-Então do que vocês andam a cuscar? - Disse Gertrudes directamente.
-Ai Gertrudes! Não utilize uma palavra tão feia! Estamos apenas a discutir opiniões. - Repudiou Graciete a palavra que Gertrudes acabara de referir.
-É sobre o quê? - Questionou Gertrudes com curiosidade.
-Aquele homem que está sentado ao seu lado. - Afirmou Graciete que já tinha a resposta na ponta da língua.
-O joseph? O padre? - Disse Gertrudes surpreendida.
-Um padre é o que é? Muito curioso. Não tem aspecto nada disso. - Disse Graciete surpreendida com o que Gertrudes acabara de lhe informar.
-Também acho. Não tem aspecto nada disso. - Gertrudes ficou satisfeita. Pelo menos não era a única pessoa no avião a achar que aquele homem que dizia ser padre era estranho.
-Ahhhhhhhhhhhhhhhhh. Socorro! Fui roubada!
Alguém no avião soltou um grito.
-Que se passa? - Questionou Graciete impacientemente.
-Vamos ver. - Disse Gertrudes com uma certa curiosidade.
E seguiram para o local onde já se encontrava um grande grupo de pessoas. E lá estava uma senhora com aspecto de ser de boas famílias, muito atarantada.
-O que lhe roubaram? - Questionou Gertrudes para saber o motivo de tal algazarra.
-Ai que horror! Roubaram-me um colar de diamantes. Uma fortuna é o que vale… - Disse a senhora muito atarantada.
-E anda com um colar tão valioso assim? Dentro de um avião? Não sabe os perigos de hoje em dia? - Questionou Gertrudes.
-Sim, sei os perigos de hoje em dia. Mas eu nunca saio de casa sem ele. Principalmente em viagem. - Referiu a senhora.
- Antes de mais eu sou a Gertrudes, e esta senhora comigo é a Graciete. E a senhora é? - Procedeu Gertrudes ás apresentações.
-Miss Anges, Chamo-me Miss Anges. - Apresentou-se a senhora atarantada.
- Então Miss Anges, como soube que foi roubada? - Questionou Gertrudes sem demoras.
-Eu sai do meu lugar por uns breves minutos para ir á casa de banho. Sabe, é que andar de avião é muito stressante e surge sempre uma diarreia nervosa quando não estamos á espera… Então como faço vulgarmente, eu coloquei o meu colar dentro da minha bolsa de toilette antes de ir á casa de banho… Sabe, é que já me aconteceu de eu ir á casa de banho e um fio bastante valioso cair-me pelo autoclismo abaixo. É por isso que agora tenho o cuidado de antes de ir á casa de banho, guardo-o dentro da bolsa. Então, eu coloquei a minha pequena bolsa de toilette dentro da bagagem de mão que trago comigo e fui fazer o que tinha de fazer á casa de banho. Quando voltei já não se encontrava dentro da bolsa de toilette nada! Foi horrível!
E começou a chorar…
-E deixa assim algo tão valioso assim em vão? Onde todas as pessoas no avião conseguem ver, e se quiserem podem apoderar-se da sua jóia enquanto está ausente? - Disse Gertrudes como se estivesse a chamar um aluno á atenção.
-Eu já costumo fazer isto. E nunca me aconteceu tal coisa na vida. E já fiz algumas viagens com esta jóia! - Respondeu Miss Anges.
-Mas não acha que andava a abusar, como eí de dizer… Da sorte? - Questionou ironicamente Graciete, que até ao momento encontrava-se apenas com a audição apurada.
-Todas as minhas jóias tem seguro, nunca me preocupei muito com isso. Mas agora que isto ocorreu. É que o colar em causa tem um grande valor sentimental. - Disse Miss Anges preparando-se para outro choro.
-Pensou mal! Vou tentar ajudar no que puder. - Disse Gertrudes para tentar animar Miss Anges.
-Muito obrigada minha querida. É muito amável. Mas também já falei com os funcionários de bordo, e vão ajudar no que puderem para poder reaver a minha jóia. - Disse Miss Anges.
-Coisas de rotina. Mas não tem nada que agradecer. - Disse Gertrudes, e em seguida despediu-se e retirou-se para o seu lugar.
-Então que alarido foi este? - Questionou o padre Joseph com uma certa curiosidade.
-Foi ali uma senhora que foi roubada… um colar de diamantes, uma peça muito valiosa, uma pechincha de se colocar ao pescoço. – Explicou Gertrudes.
-Hum. Estou a ver. - Disse o padre com um certo brilhar nos olhos.
-Devia ter mais cuidado! - Afirmou Gertrudes.
-Estas pessoas de agora não tem cuidado com nada. Até parece que fazem de propósito!
-Pois é. E o senhor padre? O que andou a fazer enquanto eu estive no convívio para a terceira idade? - Questionou Gertrudes com uma certa curiosidade.
-Eu? Mantive aqui no meu lugar a meditar. - Disse o padre.
-Ah. Que interessante. - Disse Gertrudes, e pensou que neste avião não haveria mais ninguém que se encontrava sozinho e que passava despercebido como o padre Joseph. Sim, ele poderia roubar o colar e ninguém repararia. E quem estaria tanto tempo num avião sozinho a meditar? Muito suspeito. Pensou Gertrudes.
- Neste momento com esta crise deve ser um pouco difícil para uma pessoa como o senhor padre viver com os donativos da igreja? - Questionou Gertrudes para ver se apalpava terreno.
- Pois é. Mas cada um dá o que pode. A igreja é uma causa solidária.
            - Pois. - Mas se um padre quiser abrir novos horizontes estará disposto a tudo. - e Gertrudes começou a pensar com os seus botões. - Eu conheço este rosto de algum lugar, mas não me recordo de onde… esta memoria já não é o que era antes! Mais tarde lembrarei - E acabou por dizer:
-Senhor padre, o seu rosto é me familiar. Não nos encontramos por ai alguma vez? Sabe como o mundo é pequeno, eu tenho a certeza que já vi o seu rosto, mas onde não me recordo!
-Se calhar foi nalgum movimento missionário? - Respondeu o padre pontuadamente, mas demonstrava que não se sentia com segurança no que dizia.
-Hum… talvez. - Disse Gertrudes, mas não estava entendida.
E em seguida apareceu a funcionária que se encontrava a perguntar aos passageiros se eles queriam alguma coisa.
-Desejam alguma coisa? - Questionou a funcionária de bordo com um grande profissionalismo.
-Hum… O que tem ai minha querida? - Questionou Gertrudes, enquanto o seu estômago se queixava que necessitava de alguma coisa.
-Está aqui o nosso menu. - Disse a funcionária de fato vermelho. - E entregou um pequeno papel onde se encontravam os petiscos que fornecia o avião.
-Mas isto é muito caro! Eu não posso esbanjular assim dinheiro ao ar! Assim nem no natal terei dinheiro para poder comprar uma placa dentária nova… - Lamentou-se Gertrudes, enquanto a sua barriga roncava ainda mais alto.
-Escolha o que quiser que eu pago. Não tem mal nenhum… é um presente! - Disse o padre Joseph amavelmente.
-Ai obrigada… é muito amável! - Um padre que gasta os donativos da igreja em viagens de avião e comidas caras. Hum, já me recordo do rosto, sim estava no jornal, um caso policial… hum! – Pensou Gertrudes com os seus botões.
-Então o que deseja? - Interrompeu a funcionária.
-hum? Desculpe, estava absorvida nos meus pensamentos… Era uma sandes de atum se fizesse o favor. É para fortalecer a memória! - Afirmou Gertrudes com um sorriso nos lábios, porque a sua memória nunca a desiludia.
-Então para mim também é o mesmo. - Disse o padre prontamente.
-Para si e para si… obrigada! - Disse a funcionária, e lá foi satisfazer os pedidos dos outros passageiros.
-De nada. - Agradeceu o padre Joseph a eficácia da funcionária.
Hum as peças começam a encaixar! – Pensou Gertrudes, mas acabou por dizer: - Hum joseph, costuma ler o jornal? - Questionou Gertrudes.
-Sim porque? - O padre Joseph mostrou-se surpreendido com a questão.
-Eu acho muito interessante a acta dedicada ao crime! E o senhor padre? Acho muito interessante um crime muito enigmático sobre o roubo de jóias a bordo de transportes como aviões e cruzeiros.
Pingas de suor começaram a reluzir na testa do padre joseph.
-Não costumo ler a secção do crime. - O padre proferiu a frase com desprezo.
-A serio? Mas acho que deveria começar a ler! É muito instrutivo! - Disse Gertrudes.
-Então vou seguir a partir de agora os seus concelhos. - A velha sabe de mais - pensou o padre.
-Esta sanduíche estava mesmo boa! Agora vou dar um giro pelo avião, para queimar as sanduíches! - Disse Gertrudes satisfeita com as suas conclusões.
-hum. Faz bem. - Afirmou o padre amargamente.
-Até já! - Disse a velha senhora energicamente.
E lá foi Gertrudes caminho fora, para se encontrar com as suas companheiras de viagem e novas amigas…



II

-Ai minha querida por onde tem andado? Desapareceu assim daqui! - Disse Graciete num tom de voz que demonstrava preocupação.
-Ando a tirar averiguações! - Afirmou Gertrudes com um sorriso nos lábios.
-Não acha que essa palavra seja muito detectivesca para si? - Disse Graciete num tom de surpresa.
-Talvez seja… Mas vamos mudar de assunto. - Disse Gertrudes, tentando não falar para já sobre as suas teorias.
E lá se seguiu uma conversa fiada sobre reumatismos, dores de pernas, o melhor médico da localidade, e depois iniciaram uma leve apreciação sobre os companheiros de bordo.
-Minha querida Graciete. Reparou no colar que a Miss Anges tinha? - Questionou Gertrudes.
-Sim reparei. Mas achei estranho o brilho dos diamantes… Não achei que fosse aquele brilho típico que devem ter… Parecia mais vidro! - Disse Graciete recordando-se do colar que á pouco acabara de ser roubado.
-A serio? Eu quando entrei no avião e passei um relance por todos os passageiros também pensei que nesse colar faltava-lhe um brilho característico, mas nem liguei a isso. - Bingo! – Pensou Gertrudes.
-Pois. - Referiu Graciete com um suspiro.
E lá continuaram a conversa sobre os remédios agora, as condições nos serviços de saúde…
-Ai minha querida, agora tenho de me ir ausentar, tenho de colocar a cereja no topo do bolo! - (disse Gertrudes.)
-Ai minha querida, não diga que vai cozinhar num avião! - Disse Graciete alarmada.
-Não! É apenas uma metáfora… Até já! - Afirmou Gertrudes com um sorriso que transmitia que ela sabia mais do que aparentava.
-Hum! Veja lá o que anda a tramar! - Disse Graciete com um tom de preocupação.
E em seguida Gertrudes seguiu para o seu lugar.
-Vejo que já voltou! - Afirmou o Padre Joseph.
E Gertrudes assentou-se no seu lugar, muito aprumada, ainda mais do que o vulgar.

- Já descobri tudo. Sei quem você é, e o que faz neste voo! - Respondeu Gertrudes como se acaba-se de atingir alguém com uma bala.
-Já pressentia isso! - Respondeu o padre com um grande profissionalismo.
-Você não é nenhum padre! Nem tem nada a haver com um padre. É um detective da Scotland Yard. E está aqui como agente disfarçado, neste caso vestido como um padre, a investigar uma serie de assaltos em cadeia. - A resposta saiu da boca da pequena idosa como uma bomba.
-Estou a ver que é muito perspicaz Miss Gertrudes! Sim é verdade, não posso negar isso. Mas como descobriu? – Questionou o homem perplexo.
-Intuição! Para começar o senhor não era o homem que tem perfil de ser padre, pois durante toda a viagem não utilizou uma única expressão de léxico religioso. O que é muito invulgar para um padre. - Respondeu Gertrudes.
-Sim. É muito perspicaz. Só é pena que não seja o suficiente para resolver este enigma de sete cabeças, que nem eu consigo resolver á meses! - Respondeu o detective da famosa Scotland Yard, sem esperança.
-Quem lhe disse que eu não tenho a peça do enigma? - Questionou Gertrudes ironicamente.
-Tem? - Disse o falso padre num tom céptico.
-Espere e verá! Mas uma questão. O que foi que lhe conduziu a este avião? Qual foi a pista que o trouxe para aqui? - Questionou Gertrudes com curiosidade.
-Um dos nossos investigadores anda a seguir uma serie de assaltos em cadeia, e uma pista que acabamos por descobrir conduziu-nos a este voo. E como vê a teoria estava correcta. Ocorreu um roubo neste voo que será muito lucrativo para quem o cometeu. Lá em baixo no aeroporto estão vários policiais que aparecerão de repente para revistarem todos os passageiros e descobrir quem é o ladrão desta serie de assaltos. - Respondeu o detective camuflado.
-Digo-lhe que os seus polícias não vão ser necessários para nada. Mas se confiar em mim. Eu demonstrarei toda a lógica que anda por de traz destes roubos. - Respondeu a velha senhora com segurança.
E uma voz já conhecida pelos passageiros voltou a falar.
-Apertem os vossos cintos de segurança. Estamos prestes a aterrar! - Falou a voz da funcionária de bordo.
-Se duvidar de mim pode accionar a tecla do seu telemóvel e accionar o corpo policial lá em baixo no aeroporto, mas não encontrará nada em nenhum dos passageiros que agora se encontram no avião. - Afirmou Gertrudes com plena segurança no que dizia.
Num passo enérgico o falso padre largou o telemóvel. E o avião começou a perder altitude.
-Ai que horror! Estou a ver que a minha sandes não vai durar mais tempo na minha barriga! - Disse a velha senhora que se encontrava um pouco enjoada.
-Acalme-se! Tem a certeza do que irá fazer a seguir? - Questionou o detective.
-Tenho tanta certeza como sei que uma zebra é às riscas pretas e brancas! - Disse Gertrudes num tom irónico e perguntou:
-Já agora qual é o seu nome verdadeiro? Não é Joseph pois não? Penso que Joseph tenha sido um nome falso criado para este voo! - Questionou Gertrudes.
- Não, o meu nome verdadeiro é Renaldo. Inspector Renaldo. - Disse o falso padre.
- Hum… - Exprimiu Gertrudes que não estava com muito boa cara. Se o avião não aterra-se nesse momento, era provável que a sandes de atum acabaria por sair borda fora.
Mas por fim o avião aterrou.
-Já podem retirar os cintos de segurança, espero que tenham gostado do voo! - Disse a voz da funcionária de bordo.
-Empeça estas pessoas de sair do avião. Diga que é para resolver o problema do roubo do colar. - Disse Gertrudes recuperando a compostura.
-Com certeza. Farei como diz. - Obedeceu o detective Renaldo.
Então joseph saiu e foi falar com a funcionária para não abrir nenhuma saída para o exterior. Em seguida encaminhou-se para o centro do avião para que todas as pessoas o pudessem ouvir.
-Eu sou o inspector Renaldo da Scotland Yard, e estou aqui para investigar um círculo vicioso de roubos a bordo de vários meios de transporte. Penso que estes roubos são do conhecimento de toda a gente, pois tenho a certeza que já leram sobre este tipo de tema nos jornais. Tenho a amabilidade de chamar uma pessoa que conheci neste voo, uma pessoa muito perspicaz que reparou que eu não era o que pretendia transmitir. Miss Gertrudes, tenha a amabilidade de se chegar aqui á frente para que todas as pessoas possam tomar conhecimento deste enigma que nem eu sou portador da resposta. - Disse o inspector Renaldo com um grande profissionalismo.
-Eu sabia que aquele homem não aparentava ser padre! - Exclamou Graciete em alto e bom som por ver que a sua teoria mental estava em parte correcta.

Em seguida Gertrudes levantou-se e colocou-se ao lado do inspector Renaldo. Um ao lado do outro parecia ser como avó e neto.
-Olá a todos. A quem não me conhece eu sou a Gertrudes, e apenas irei apresentar a solução desta serie de roubos, e deste enigma incompreensível. Antes de mais, quero perguntar á minha querida amiga Graciete, que conheci neste voo, quem acha que pode ser o nosso lobo com pele de cordeiro? - Questionou Gertrudes com um sorriso.
-Estou a ver que é muito perspicaz Miss Gertrudes… Sim é verdade que achei muito estranho este roubo, e achei até agora que o assaltante seria o padre Joseph, neste caso o inspector Renaldo da Scotland Yard. Lamento Gertrudes, mas penso que as minhas suposições não posam lhe ser muito úteis. - Disse Graciete com um pouco de tristeza.
-Ai é que se engana minha amiga! Essa suposição já eu tinha deduzido que pensaria assim. Mas quanto á outra suposição que trocamos uma com a outra! Lembra-se? - Disse Gertrudes com esperança.
-Ah! Sim. Isso explica tudo minha cara Gertrudes… - Exclamou Graciete.
-Pois é! Venha aqui á minha beira e diga o que sabemos! Pelo menos a senhora descobriu a ponta do rastilho… Eu sei a pólvora! - Disse Gertrudes com muita segurança.
E Graciete encaminhou-se para o lado de Gertrudes. Todos os olhos curiosos dos passageiros estavam expostos nestas duas figuras de idade. 
-Quando dei uma olhada por todos os passageiros em pleno voo, reparei que o colar que depois acabou por ter sido roubado a Miss Anges não tinha o brilho tão característico dos diamantes, mas mais o brilho do vidro. Comentei essa informação com a Miss Gertrudes e ela era da mesma opinião. - (Respondeu Graciete como se acaba-se de responder a uma questão na escola.)
-Exactamente! E existiu mesmo um assalto? Eu digo que sim, mas é o assalto que a companhia faz aos clientes para eles comerem uma simples sandes por um preço astronómico. Mas dentro deste voo não existiu mais nenhum assalto! – Disse Gertrudes.
- Ah? Aí minha querida, eu não estou a compreender nada! – Disse Graciete.
Centenas de olhares cépticos pousaram sobre a pequena velhinha. Nunca ela tivera tanta atenção.
-Deixe explicar! É tudo um truque! E fazer uma boa representação! Miss Anges veio para este voo com um colar. Sim um colar que ela dizia ser de diamantes, um colar coberto pelo seguro. Mas um colar falso! Tudo não passou de uma representação para nós neste avião! Miss Anges deve ter retirado o colar do pescoço, mas não o guardou em lado nenhum! Ela deve tê-lo colocado num bolso que mal se nota, que se encontra na sua saia do lado esquerdo, tudo muito simples…. Ela foi á casa de banho, e com o colar falso dentro da saia ninguém reparou. Depois ela já dentro da casa de banho, refere que costuma demora algum tempo como ela diz, devido a diarreia nervosa! Qual diarreia qual coisa! O que ela faz é retirar o colar da saia, embrulha-lo em papel higiénico, e que o autoclismo faça o resto… Ou seja, manda-lo pelo cano abaixo! Um truque de qual ninguém desconfia, e ninguém se lembraria de realizar! Depois ela volta para o seu lugar, pega na sua bolsa de toilette que sabe perfeitamente que está vazia, e faz uma algazarra a dizer que foi roubada! - Disse Gertrudes, e centenas de olhos incrédulos com o que ela dizia.
-Essa teoria é de loucos! E porque eu quereria fazer isso? Desmantelar-me de uma peça tão valiosa? E por acaso esteve em contacto directo para poder avaliar se o meu colar é verdadeiro ou não? Essa ideia apenas serve para me prejudicar! - Disse Miss Anges alarmada.
-Ai é que se engana! As suas jóias estão cobertas pelo seguro, caso sejam roubadas ou as perca receberá o valor das mesmas em dinheiro. Acredito que tem um colar de diamantes verdadeiro que deve estar escondido nalgum lugar da sua residência. E este disfarce já decorre á muito tempo! Já fez este teatro todo a bordo de navios, de transportes públicos entre outros. Faz todo este teatro talvez porque viva em dificuldades, mas ao mesmo tempo não quer abandonar as suas coisas, e já que se encontram cobertas pelo seguro nada melhor que reaver o dinheiro que gastou para as proteger. - Respondeu Gertrudes como uma bomba.
Centenas de pessoas ficaram espantadas com o que Miss Gertrudes, aquela pequena figura de óculos redondos, cabelo cinzento, e gabardine encarnada dizia. Miss Anges recuperou a compostura por ter sido descriminada á frente de todos os ocupantes de viagem, e disse numa voz segura e firme, nada que se compara-se á voz atarantada de á pouco quando exclamou em alto e bom som que foi roubada. Demonstrava ser uma mulher que possuía charme e uma grande inteligência.
-Sim é verdade, tudo verdade… Dedico-me a esta causa já a algum tempo. Desde que o meu marido morreu eu não soube cuidar de forma correcta das contas bancárias, e acabei na banca rota. Nem tinha dinheiro suficiente para comer. Então engendrei um plano para conseguir algum dinheiro, e lembrei-me que todas a minhas jóias estão cobertas pelo seguro, e a partir dai criei todo este plano. - Disse uma segura e firme Miss Anges.
-Mas então o colar? Era verdadeiro ou não? - Questionou Graciete cepticamente.
-Sim o colar. O colar levava-nos para um leque de muitas possibilidades, como Miss Anges andar pelo seguro com uma cópia do seu colar para que em caso do roubo não fosse o original que é extremamente valioso, mas uma cópia. Mas se fosse então assim Miss Anges não faria tanto alarido por ter sido roubada uma cópia. Ela estava firme que o seu colar de diamantes extremamente valioso fora roubado! Então como podem ver esta teoria não se adapta á situação. Mas penso que Miss Anges realizava falsificações das suas jóias, e era essas falsificações que levava consigo para a sua representação que eu já expliquei como ocorriam. - Explicou Gertrudes.
-É verdade, tudo verdade! Eu levei as minhas jóias a um ourives para criar falsificações perfeitas. Todas resultaram, menos desta vez. - Assentiu Miss Anges.
-Pois como sabe os diamantes são peças incomparáveis, todas as imitações, mesmo que excelentes nada tem a haver com os diamantes originais. - Disse Gertrudes.
-Foi através da ourivesaria onde decorriam as falsificações que descobrimos a pista para este voo. Pois vimos que havia uma certa urgência em encomendar uma jóia falsificada para uma viagem. E fez com que desconfiássemos desta situação invulgar, e me mandassem neste voo, enquanto tenho outros colegas meus que andam noutros voos, e viagens de cruzeiro em vão, á procura da resposta destes roubos inexplicáveis. - Disse profissionalmente o inspector Renaldo.
-Exactamente! E sabe quando comecei a desconfiar da senhora? Foi desde que disse que foi roubada, mas não exigiu que os passageiros fossem revistados! Isso foi um erro crasso que fez que a senhora e o seu truque fosse descoberto. - Explicou Gertrudes.
-Afinal tenho muito que apreender. - Disse Miss Anges ironicamente.
-Pois tem muito que apreender, mas vai ser na cadeia! - Disse o inspector.
-Eu sei que não posso passar pelo castigo impune, mas pode evitar a publicidade? É que não era nada bom para a minha família. Grande parte do dinheiro que consegui foi para poder ajudar os meus filhos para poderem concluir os estudos, e a outra parte era para ter uma vida sem preocupações monetárias para o resto da minha vida. - Explicou Miss Anges os motivos de todo este plano.
-A senhora é uma alma engenhosa! Eu admiro-a. - Disse Gertrudes.
-Eu agradeço muito o elogio, mas não sinto nenhum orgulho nisso. - Disse Miss Anges tristemente.
- Inspector Renaldo, não é possível tentar diminuir a pena para apenas uns meses? O que esta senhora fez foi apenas pelo bem. - Questionou Gertrudes o inspector da Scotland Yard.
-Admiro muito o motivo pelo qual ela fez tudo isso, tentarei fazer os possíveis, mas não será por ela, mas por você, porque em apenas duas horas resolveu o que eu investigo á anos! -Elogiou Renaldo a pequena senhora de idade.
-Obrigada! Mas não foi nada! Eu apenas dei-me ao jeito de pensar e utilizar as células cinzentas que todos possuímos! - Disse a velha senhora.
-É muito perspicaz! Não que ir para Londres trabalhar para a Scotland Yard? - Questionou o inspector com esperança que Gertrudes pode-se aceitar o convite.
-Não obrigada, o que apenas quero é voltar para a minha casa, cuidar do meu jardim e das minhas crianças… - disse Gertrudes com saudades.
-Se é assim, desejo-lhe as melhores felicidades na sua vida! E vou fechar os olhos ao que Miss Anges fez durante este tempo… - disse o inspector Renaldo sem pensar bem no que dizia.
-Obrigada! É muito amável da sua parte! - Agradeceu Miss Anges sem acreditar na sorte que acabara de ter.
-Mas uma pergunta. Quanta vez saiu bem sucedida com este esquema todo? - Questionou o inspector da Scotland Yard.
-Esta seria a número vinte e seis. - Disse Miss Anges friamente.
-Então daria uma óptima actriz! - Disse Renaldo surpreendido com o que acabara de ouvir.
-Obrigada. - Agradeceu Miss Anges.
-O que vou fazer quanto a esta historia é que tenho de contar a verdade na Scotland Yard. Que a serie de assaltos não passava de um teatro, mas o seu nome será ocultado e não se realizará uma acção judicial contra si. Penso que a senhora criou um nome falso no seguro para cada jóia? Pois se estiverem todas as jóias no seu nome o seguro acabaria por desconfiar! - Disse o inspector.
-É verdade. Criei um nome falso no seguro para cada jóia. E com o dinheiro que arrecadei até agora, tenho o suficiente até ao fim da minha vida. É muito amável não colocar uma acção judicial contra mim. - Agradeceu novamente Miss Anges.
-Agradeça á Gertrudes! Pois foi graças a ela que não estará atrás das grades no próximo Natal! - Disse alegremente o inspector.
-Não tem de agradecer. O que fez deve-se a motivos muito nobres, e estou muito contente por ter uma viagem tão entusiasmante, nem me lembrava que estava no ar a milhares de metros do chão! Depois de tudo isto devemos saudar o piloto! - Exclamou Gertrudes.
E toda a gente começou a bater palmas, e nem Gertrudes sabia que estas palmas eram dirigidas a si.



III

Estava Gertrudes assentada na sua cadeira de baloiçar á porta da sua casa a descansar após a azáfama de sair do avião, ter de esperar pela bagagem, esperar pelo táxi, e depois de chegar a casa ter de desfazer as malas. Por fim tinha o seu momento de descanso bem merecido, na cadeira de baloiçar a tricotar um novo cachecol para si num tom verde-escuro, e enquanto fazia isso, reflectiu sobre a viagem.
-Sim sem dúvida foi uma excelente viagem, e a melhor parte foi a viagem de volta de avião. Se eu tivesse adoptado vir de volta como fui para lá de camioneta, não teria me divertido tanto! E tenho aqui o número de telefone da minha querida nova amiga, a Miss Graciete. Foi ela que me aviou a memória, ao reparar naquele colar falso. Sim foi uma viagem e peras… - Pensou Gertrudes com os seus botões.
-Avó, avó! Como correu a viagem? Foi boa? - Questionou o grupo de crianças já suas conhecidas e suas amigas, que tanto se divertem a resolver os casos da localidade de freibur onde vivem.
-Sim meus queridos, não podia ter sido melhor! - Respondeu Gertrudes com uma grande felicidade.
E lá continuou Gertrudes a falar com os seus meninos até á hora de jantar. No dia seguinte ao pequeno-almoço, pegou no jornal do dia e foi para a secção dedicada aos crimes, e lá estava uma rubrica que não estava á espera. «Roubos de jóias explicados, caso resolvido pelo inspector Renaldo da Scotland Yard. Pessoa acusada dos roubos mantém o anonimato não havendo motivos suficientes para lançar uma acção judicial. Agradecimentos especiais a uma senhora chamada Gertrudes que foi uma ajuda fundamental para a resolução do crime.»
-Avó! Avó! Já leu o jornal do dia? Houve uma senhora com o nome igual ao seu que resolveu um crime a bordo de um avião! Não é fantástico? - Disse o grupo de crianças chefiado pelo Roberto.
E Gertrudes respondeu:
-Sim, num acaso uma grande coincidência!




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